PROMESSA PAGA - 05/12/2017 06:32

A incrível história do gremista que foi a todos os jogos do Inter em Porto Alegre na Série B

Kim Lunardelli completou, com êxito, o "ano do secador"
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André Ávila / Agencia RBS

Até onde pode chegar a flauta ao rival? No caso do gremista Kim Lunardelli, até o Estádio Beira-Rio. O administrador de empresas de 26 anos fez uma promessa um tanto quanto inusitada. Em 2016, com o Inter afundado na crise, disse que se fosse confirmado o rebaixamento do rival, iria a todas as partidas da Série B, óbvio, na torcida adversária. Prometeu e cumpriu: esteve em todos os 19 jogos colorados na Segunda Divisão, mesmo que não tenha ido a todos do Grêmio. Ele conversou com GaúchaZH.

Como surgiu essa ideia?
A ideia original surgiu há uns seis anos. Sempre quis fazer um “ano do secador”, que seria ir em todos os jogos do Inter na torcida adversária no Brasileirão. Eu nunca imaginei que eles fossem cair para a Segunda Divisão. 

E quando o projeto virou promessa?
Começou com uma palhaçada. Com o Inter afundado na fossa, no ano passado, o pessoal começou a fazer promessa. E nesse ponto eu sou bem doentinho. Falei que, se eles caíssem, eu iria em todos os jogos. Na verdade, falei por falar, meu erro foi ter espalhado para bastante gente. Falei em grupos do WhatsApp e muita gente ficou sabendo. 

Qual foi o momento que você percebeu que o Inter realmente estava a perigo?
Eu estava com uns amigos na Cidade Baixa e estávamos assistindo a Inter e Ponte Preta. E um deles é muito cético e pessimista. O Inter estava ganhando em casa, aí a Ponte empatou com um golzinho nojento. Naquele jogo a gente percebeu que ia acontecer, eles iam despencar.

O que aconteceu depois da queda?
A primeira coisa que aconteceu é que muita gente começou a me cobrar. Eu sou muito orgulhoso, não queria que ninguém ficasse falando que eu não fui. Então, fui em todos os 19 jogos e consegui cumprir.

E como era a rotina de "secador" em dia de jogo?
Nos primeiros dois jogos, fui com um amigo colorado. Ele me buscou em casa e fomos juntos. Teve jogos que fui com uma família de amigos, que são meus vizinhos. As pessoas próximas de mim também me ajudaram. Em uns três ou quatro jogos fiz churrasco com amigos em volta do Beira-Rio. Acabei fazendo amizades, eles sabiam da promessa. Não tinha uma rotina pré-estabelecida, cada jogo era um jogo. 

Deixou de fazer muita coisa por causa dos jogos do Inter?
Não, mas acredito que foi sorte. Uma coisa boa de ter feito isso na Série B, é que os jogos nunca eram conflitantes com os do Grêmio. Teve um jogo só, acho que foi Inter e Boa, que o Grêmio estava jogando na mesma hora, só que era com os reservas. Aí nem fiquei muito preocupado, acompanhei no celular.

E seguiu indo aos jogos do Grêmio?
Sim, mas não fui em todos. Estava bem cansado já, não aguentava mais, era muito jogo. O Grêmio jogou três competições e em alguns jogos usou os reservas. E não era só o jogo, sempre tinha alguma função antes, uma cerveja, um churrasco. Foi bem cansativo, ainda bem que acabou.

Quais jogos foram mais legais de ir?
Em termos da galhofa, os primeiros foram muito legais porque o Inter não estava ganhando, apesar de que sair de lá poderia ser um pouco perigoso. A derrota contra o Boa tinha pouquíssima torcida, então apareci em todas as câmeras de TV. Todo mundo me mandou mensagem perguntando o que eu estava fazendo lá e eu só respondia que estava vendo o jogo do Boa (risos). Em termos de torcida, o jogo mais legal foi o do Criciúma. A torcida deles é muito legal. 

Fez alguma amizade?
No jogo do Ceará, tirei fotos com a galera. Em nenhum momento, eu falei o que eu estava fazendo, preferi ficar mais na minha. Eu conversava com todo mundo, vibrava quando dava gol, abraçava. Nesse jogo do Criciúma, conversei com a torcida. Eles são muito legais, são bairristas, estavam muito afim do jogo. 

E teve alguma promessa caso o Inter não subisse?
Eu até fiz, mas vou cumprir de qualquer forma. A direção do Inter disse que ia dar um certificado para todos os torcedores que fossem em todos os jogos da Série B. Vou ir lá pedir meu certificado, eles não especificaram que precisava ser colorado.

Se arrependeu em algum momento?
Não. Não me arrependi, mas fiquei irritado em alguns momentos por não estar afim de ir ao jogo. Teve um sábado de tarde que estava um clima muito ruim, acho que foi Inter e Londrina. Eu estava em casa, muito cansado. Olhei para o relógio e estava na hora de ir para o Beira-Rio. Eu não me arrependi, mas fiquei irritado. Queria que aquele jogo fosse mais tarde. 

Se no futuro, o Inter estiver novamente em risco no Brasileirão, vai repetir a promessa?
Não, uma vez só é suficiente. Foi uma experiência muito divertida, eu pretendo fazer esporadicamente. Foi uma das diversões que encontrei. Inclusive é algo que falo para os meus amigos colorados fazerem, tirarem um dia para ir na Arena na torcida adversária. 

Valeu a pena?
100%. Foi uma das coisas mais divertidas que fiz na minha vida.

Fez alguma promessa pelo título do Grêmio na Libertadores?
Vou ter que tatuar o Renato. De alguma forma, vou ter que fazer isso. Provavelmente vai ser ele na beira da praia, de óculos. É a melhor imagem que tem dele. Ele já é, na minha opinião, o maior ídolo de futebol de um clube no Brasil. Ganhando a Libertadores, só carimbou isso ainda mais. Inclusive, teremos que batizar a Arena de Arena Renato Portaluppi. 
Fonte: RÁDIO GAUCHA E ZH
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