REPORTAGEM ESPECIAL - 09/01/2017 20:53 (atualizado em 11/01/2017 18:04)

VÍDEO: Homem constrói barraco e vive às margens de rio em Maravilha

Conheça a história de Neri Ferreira, que organizou moradia entre árvores, sem luz nem água
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Na cabeça: capacete preto, óculos grande, fone com microfone, mas nada funciona. Pelo corpo: relógio, pulseira do Grêmio, pochete, chaveiro e outros objetos característicos. Assim, está vestido Neri Ferreira, que vive pelas ruas de Maravilha. Com o apelido de Ranger, a bicicleta também é uma marca registrada: correntes, apito, antenas, retrovisor, um rádio transmissor e até a placa na parte de trás. No registro do Detran, é uma motocicleta Honda CG 150, sem irregularidades.

Foto: Ederson Abi/WH Comunicações

Neri Ferreira vive às margens da BR 282, próximo à ponte sobre o Rio Iracema. No local, montou uma casa improvisada, com lona e materiais achados  na rua. O cenário chama a atenção de motoristas e pedestres, já que fica entre árvores e o barranco do rio, sem luz nem água potável. A não ser os animais que passam por ali, Ferreira diz que está sozinho. Faz fogo no chão, dorme em um colchão, também improvisado, e recebe ajuda no Centro da cidade. 

Antes de viver ali, ele se abrigava nos banheiros públicos da praça central de Maravilha. Ele diz que é natural daqui, mas já esteve em Flor do Sertão. Com chuva ou com sol, é comum ver o homem com a bicicleta nas ruas do município.

A nossa reportagem entrou em contato com o Creas de Maravilha. Ferreira já foi abrigado no Lar de Idosos em 2015, mas não quis permanecer. Segundo o Centro, a prefeitura já ofereceu ajuda inúmeras vezes, mas o homem diz que o lugar dele é na rua. Ferreira tem um irmão em Maravilha e outro em Modelo, mas não se relaciona com os dois. A prefeitura já encaminhou o caso para  Ministério Público, já que ele se nega a mudar. 

Enquanto não vai para uma casa melhor, Ferreira diz que está feliz e aguarda o aniversário de 50 anos, que será nesta semana.

Em 2015
O caso foi levado ao Ministério Público em 2015 pelo município, quando a promotora Ana Elisa Loranzetti decidiu arquivar o caso e afirmou que a responsabilidade de assistência social ao morador é da prefeitura. Na decisão, ela afirma que não há problemas psicológicos aparentes ou motivos para internação compulsória e que as medidas não cabem ao MP, mas sim ao município. Depois disso, não houve nenhum envio de relatório circunstanciado da prefeitura indicando a existência de problema psiquiátrico e a necessidade de internação.

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Fonte: Ederson Abi/Nelcir Dall'Agnol
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