Validade - 11/05/2015 07:56 (atualizado em 11/05/2015 10:16)

Saiba por que não utilizar medicamentos após o prazo de validade expirado

Vários são os fatores que influenciam no vencimento de um medicamento
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Conforme informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o prazo de validade e o tempo durante o qual o produto poderá ser usado, caracterizado como período de vida útil é fundamentado nos estudos de estabilidade específicos
Na última edição o Jornal O Líder discorreu sobre os prazos de validade e consumo dos produtos, principalmente alimentícios. Nesta edição dar-se-á continuidade ao tema, desta vez, falando sobre os medicamentos.

Conforme informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o prazo de validade e o tempo durante o qual o produto poderá ser usado, caracterizado como período de vida útil e fundamentado nos estudos de estabilidade específicos. Para a farmacêutica Anna Paula Back, este prazo é determinado de acordo com os fatores que afetam a estabilidade de um produto farmacêutico, incluindo o equilíbrio dos ingredientes ativos, a interação potencial entre ingredientes ativos e inativos, o processo de fabricação, a forma farmacêutica, o recipiente de sistema fechado, as condições do ambiente encontradas durante transporte, armazenamento, manipulação e o período de tempo entre fabricação e uso.

“Para a grande maioria das preparações farmacêuticas, o prazo de validade é determinado pelo tempo em que o princípio ativo leva para perder 10% de sua potência ou atividade. Entretanto, sempre se devem levar em consideração os limites químicos estabelecidos pelos códigos oficiais para o estabelecimento do prazo de validade”, comenta a farmacêutica.

Ao abrir a embalagem do medicamento para uso, por exemplo, pode ocorrer alteração na sua característica, devido ao fato de que as condições de exposição, manuseio, utilização e armazenamento pelo usuário podem envolver fatores de risco que não foram avaliados previamente nos estudos de estabilidade. “Por isso, após a abertura, o medicamento passará a ter uma data-limite para uso, ou prazo de uso, que poderá variar de horas, dias a meses, dependendo do fármaco, dos componentes da formulação, do tipo de forma farmacêutica – se sólida, líquida ou semissólida, do processo de manipulação, da embalagem, das condições ambientais e de armazenamento, entre outros. Por essas razões, não é possível generalizar uma data-limite de uso para todos os produtos”, justifica Anna.

Além disso, a integridade da embalagem e o controle adequado das condições ambientais durante o armazenamento, transporte e uso são essenciais para manter a qualidade de um medicamento.

Existe diferença no prazo de validade de medicamentos manipulados e aqueles vendidos no balcão?

De acordo com a farmacêutica, os medicamentos manipulados são formulados para atender a uma prescrição médica e em quantidade suficiente para atender às necessidades específicas do paciente, de acordo com a dosagem ou concentração específica, portanto, de uso personalizado. “Seu prazo de validade está vinculado ao período de tratamento do paciente. Por isso, alguns medicamentos manipulados têm realmente o prazo mais curto ou de uso extemporâneo – tempo de duração da prescrição, porque cada medicamento é individualizado, não existem lotes para serem efetuados testes de conservação, porém o prazo é determinado de acordo com a durabilidade dos componentes e das bases”, frisa.

Anna explica que os medicamentos industrializados são produzidos nas indústrias em grandes quantidades, utilizando equipamentos que têm capacidade para fabricar lotes de até milhares de unidades. “Pelo fato de terem em suas formulações estabilizantes, conservantes e outros coadjuvantes, eles possuem um tempo maior nos seus prazos de validade, definido com base em estudos de estabilidade”, salienta.

Além disso, a farmacêutica afirma que a embalagem, o rótulo e a bula dos medicamentos devem transmitir todas as informações relevantes sobre o produto, o que contribui para o seu uso adequado. “Eles devem conter informações obrigatórias sobre o medicamento, estabelecidas por resoluções publicadas pela Anvisa. A indústria responsável pelo medicamento tem obrigação legal de prestar todas as informações necessárias para o uso adequado e os possíveis problemas e cuidados relacionados ao produto”, enaltece.

O que acontece quando você consome um medicamento após o vencimento?

Para Anna, não é recomendado o uso de remédio vencido, mas não há como dizer que um produto vencido hoje não pode ser consumido amanhã, por exemplo. “O risco de contaminação é maior com colírios, conforme o tempo de uso após a abertura da embalagem. Já a intoxicação pode ocorrer com remédios de via oral, como antibióticos. Qualquer remédio deveria ser inutilizado um mês depois da abertura da embalagem”, reforça. 

Em relação a qualquer medicamento que tenha antibiótico, deve ser consumido, no máximo, em sete dias após aberto. Já os xaropes e outros remédios líquidos, como colírios, não podem ultrapassar a data de recomendação médica e devem ser utilizados dentro de 30 dias. 

“É importante seguir sempre as recomendações do fabricante quanto à natureza e estabilidade dos ingredientes de uma determinada formulação, bem como o prazo de uso após a violação da embalagem primária. No caso de medicamentos injetáveis acondicionados em frasco multidose, recomenda-se verificar a presença de conservantes antimicrobianos na formulação, a data-limite de uso após a primeira perfuração da tampa”, entende Anna.

O maravilhense Janpier Glienke descarta os medicamentos. “Em minha casa, são descartados e jogados no lixeiro, porque seus efeitos não são mais confiáveis”, afirma. Uma interativa no site WH3 também mostrou que a maioria da população não utiliza medicamentos fora do prazo de validade. Quando perguntados sobre o que costumam fazer com os medicamentos vencidos, 76,9% apontaram que descartariam os remédios; 13,5% disseram que depende do medicamento; e 9,6% consumiriam o produto.

Orientações básicas

Certifique-se que o medicamento que você acabou de receber está em seu nome.

Verifique se a embalagem está lacrada e se estão impressos no rótulo a fórmula prescrita pelo médico, assim como o modo de tomar e a validade do medicamento.

Caso tenha dúvida de como usar o medicamento, fale com o farmacêutico.

Respeite os horários de administração do medicamento.

Observe os componentes da fórmula para comprovar que você não tem hipersensibilidade (alergia) a algum deles.

Em caso de cremes, procure utilizar a espátula que acompanha o pote, pois existem determinados componentes que se oxidam caso o produto seja contaminado com as mãos.

Alguns cremes precisam, necessariamente, ser mantidos em geladeira.

Proteja sempre seus medicamentos da umidade e do calor e mantenha-os longe do alcance de crianças.
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Fonte: Jornal O Líder
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