OPERAÇÃO CARNE FRACA - 20/03/2017 17:29

China e Coreia do Sul suspendem a compra de carnes brasileiras

Embarques programados para a China foram suspensos por uma semana. Já a Coreia do Sul bloqueou remessas de frango da BRF
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Ação da PF colocou sob suspeita pelo menos 21 unidades que produzem carne no Brasil Foto: GERALDO BUBNIAK / AGB/ESTADÃO CONTEÚDO

As consequências da Operação Carne Fraca já chegaram à comercialização do produto. Desde que a investigação foi deflagrada, na sexta-feira, China, Coreia do Sul, Chile e União Europeia anunciaram que devem barrar importações do Brasil.

Comissão Europeia vai barrar importação de carnes de frigoríficos alvos de operação da PF

No caso da China, os embarques programados para lá foram suspensos por uma semana. Segundo o jornal O Globo, o país asiático solicitou informações sobre a operação e até receber isso não desembarcará as carnes retidas.

A Coreia do Sul bloqueou apenas os embarques de frango da BRF, mas a empresa avisa que não recebeu notificação oficial sobre o assunto (leia a nota ao fim deste texto).

As informações de restrições foram confirmadas nesta segunda-feira pelo Ministério da Agricultura. Na tentativa de acalmar o mercado nacional e internacional, o órgão vai criar uma força-tarefa para investigar suspeitas de irregularidades nos frigoríficos alvos da operação. O anúncio foi feito neste domingo, durante uma coletiva de imprensa, dois dias depois de virem à tona as denúncias de fraude na carne brasileira.

Na abertura de uma reunião com cerca de 40 representantes de países importadores de carne brasileira, o presidente Michel Temer prometeu maior rigor na fiscalização dos frigoríficos do país. Temer ressaltou que problemas descobertos pela PF são pontuais, que a carne produzida e exportada pelo país é de qualidade. O governo determinou celeridade nas auditorias que serão feitas nos estabelecimentos envolvidos no esquema criminoso.

Na coletiva, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que a pasta está fazendo os levantamentos necessários para ter informações mais precisas e tranquilizar brasileiros e consumidores de outro países de que os problemas apontados pela Operação Carne Fraca não são generalizados.

— Temos um sistema muito forte, robusto e reconhecido no mercado internacional. Ao chegar aos países de destino, todas as mercadorias são novamente fiscalizadas —, afirmou.

De acordo com o ministro, o sistema não é infalível porque é composto por pessoas. Ele ressaltou que das 4.837 unidades de abate animal, apenas 21 estão sob suspeita, das quais três foram interditadas preventivamente e as outras estão em um regime especial de fiscalização.

— Isso significa que qualquer expedição dessas plantas só sairá com a presença de fiscais do Ministério da Agricultura.

Ele ressaltou que o governo está priorizando a transparência. Segundo Maggi, as associações pediram rapidez nas punições.

— Ninguém quer passar a mão na cabeça de quem fez coisa errada —, completou.

O ministro informou ainda que o Brasil deve responder ainda neste domingo o pedido de esclarecimentos feito pela União Europeia e pela China sobre as fraudes no comércio de carnes. Segundo ele, "é absolutamente natural que os países peçam informações.

Confira, na íntegra, a nota da BRF:

Diferentemente do que vem sendo noticiado, a BRF informa que não recebeu nenhuma notificação oficial das autoridades brasileiras ou estrangeiras a respeito da suspensão de suas fábricas por países com os quais mantém relações comerciais, incluindo Coreia do Sul e União Europeia.

Fonte: Diário Catarinense
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