Medo - 15/05/2017 05:27

Roubo a bancos no interior de SC aumenta insegurança de moradores

Segundo especialista, cidades são escolhidas por criminosos por ter policiamento reduzido
Comente agora!
Recomendar correção
Obrigado pela colaboração!
Agência do Banco do Brasil de São José do Cedro foi alvo de ataque em 2012 / Foto: Folha do Oeste / Reprodução

Ações violentas como roubo a agências bancárias têm se tornado frequentes em pequenas cidades de Santa Catarina. As ocorrências em locais considerados tranquilos e com pouco policiamento deram aos moradores a sensação de insegurança, um medo constante de que os crimes voltem a ocorrer, como mostrou o Jornal do Almoço.

“Eu não durmo mais. Qualquer barulhinho, qualquer carro que passe, a gente já acorda com medo”, disse a secretária Aline de Oliveira.

Impressão de guerra

No fim de abril, os moradores de Fraiburgo, no Oeste catarinense acordaram com a impressão de estarem em meio a uma guerra.

“Ele avisou a população... Se aparecer na janela, vai morrer. A gente ficou no meio do tiroteio, não tinha o que ser feito”, contou o empresário Adelino Dias.

Uma quadrilha fortemente armada, com explosivos, invadiu a cidade e assaltou dois bancos ao mesmo tempo. Para os vizinhos, o barulho foi tão forte que tiveram a impressão de que os criminosos estavam dentro de casa.

“Oh, a bomba vai explodir, se prepare”, disse uma moradora em vídeo divulgado pela RBS TV.

“Vai ter mais um...”, disse outro morador antes do som de uma explosão ainda mais forte. A situação durou ao menos uma hora e meia.

“Não termina nunca. É uma eternidade. Quando você acha que tá acabando, eles explodem mais, eles gritam mais, eles atiram mais”, completou a secretária Aline de Oliveira.

Baixo policiamento

"Não é qualquer criminoso que faz, são altamente especializados e outra: migram de um estado para o outro. Como num jogo de gato e rato, os criminosos escolhem cidades com baixo índice de criminalidade, isso implica baixo efetivo policial também, para atuarem", disse o especialista em segurança Sandro Sell.

Em abril de 2015, em Timbó Grande, no Norte catarinense, depois de assaltar um banco, homens armados com fuzis obrigaram os funcionários de uma agência a acompanhar o bando na fuga. Os moradores gravaram a ação dos criminosos.


“Derrubam árvores pra acesso a rodovias, jogam pregos, chamados miguelitos, em algumas rodovias também, pra furar o pneu. Não tem limite com a lei, então eles atuam de qualquer forma pra garantir que vão conseguir escapar de uma ação desse tipo", comentou o tenente Marcos Castro, comandante da Polícia Militar de Fraiburgo.

Prisões

Em Balneário Piçarras, no Litoral Norte, no ano passado, a ação foi semelhante. Depois do assalto, criminosos colocaram algumas pessoas na frente do banco para evitar o confronto com a polícia.
Neste caso, os reféns foram liberados antes da fuga. A polícia bloqueou a estrada e entrou em confronto com os criminosos. A quadrilha toda acabou presa.

Apesar de a Polícia prender, nem sempre os suspeitos ficam na cadeia. “Quando não há vítimas no local, não existe ninguém que foi rendido, como acontece geralmente durante a madrugada, se trata de uma ação de furto. Uma ação onde existe o arrombamento de uma agência bancária, com equipamentos, de uso de explosivo, que chega às vezes a inutilizar o prédio inteiro, recebe a mesma pena que um ladrão de galinha. Esta é uma situação que hoje tem dificultado o trabalho da segurança pública em coibir esse tipo de ação”, explicou o delegado Anselmo Cruz.

Responsabilidade pela segurança

Para o especialista em segurança Sandro Sell, a responsabilidade no combate a crimes deste tipo não é só do estado.

"Os bancos tem que ser os maiores interessados, até porque não é só o dinheiro que está em questão, é sobretudo a segurança, não só dos seus clientes, como também dos habitantes de uma cidade pacífica. Os bancos tem que assumir também uma politica de segurança mais consistente, só o estado não vai dar conta", falou.

Enquanto isso, os moradores sofrem as consequências. No caso de Fraiburgo, os bancos ainda não voltaram a funcionar, alguns serviços bancários estão sendo prestados por casas lotéricas.

“Fraiburgo sempre foi uma cidade pacata, em que todo mundo se conhece. Agora, o medo persiste. A gente tem medo que eles voltem”, disse Aline Oliveira.

Contraponto

Por nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou à RBS TV que em 2016 registrou uma queda de 23% no número de explosões de caixas eletrônicos, se comparado a 2015.
A entidade afirmou ainda que nos últimos 10 anos os bancos brasileiros triplicaram o investimento em segurança. Para a Febraban, é preciso combater as causas desses crimes, impedindo que os criminosos tenham acesso a explosivos desarticulando as quadrilhas através de ações de inteligência.
Fonte: G1
Publicidade
Publicidade
Nenhum comentário enviado
:
Cadastro WH3
Clique aqui para se cadastrar
Entre em contato com a WH3
600

Rua 31 de Março, 297

Bairro São Gotardo

São Miguel do Oeste - SC

89900-000

(49) 3621 0103

Carregando...