MÚSICA - 12/11/2017 10:16 (atualizado em 12/11/2017 10:19)

Hits e explosão de cores marcam a estreia vibrante do Coldplay em Porto Alegre

Doses de melancolia e mensagem positivas também estiveram presentes na apresentação do grupo inglês
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Chris Martin e companhia animaram público em show de pouco mais de duas horas neste sábado | Foto: Ricardo Giusti

Muito antes de disparar o verso “I feel my heart start beating to my favourite song”, de “Every Teardrop is a Waterfall”, o Coldplay fez os quase 60 mil presentes na Arena do Grêmio sentirem o coração bater - e bem mais forte - na noite deste sábado. O fim da longa espera pelo primeiro show da banda britânica em Porto Alegre, que se tornou ainda maior pelo atraso de 18 minutos, tomou forma quando soou no estádio a voz de Maria Callas interpretando “O mio babbino caro”, ópera de Giacomo Puccini que tem sido escolhida como introdução para as apresentações de Chris Martin, Guy Berryman, Jonny Buckland e Will Champion.

Uma contagem regressiva com mensagens de fãs seguiu os vocais marcantes da soprano, anunciando que o quarteto estava próximo de subir ao palco. E, como não poderia ser diferente, quando ele apareceu pela primeira vez a multidão reagiu fazendo muito barulho. A noite começou com a canção que dá nome à turnê que se despediu do Brasil neste sábado e agora segue para a Argentina. "A Head Full of Dreams", do álbum homônimo de 2015, já chegou ditando o tom do show: uma explosão de cores com chuva de papel picado, balões, luzes, muita pirotecnia e até pulseiras iluminadas dadas à plateia e que mudavam de cor de acordo com a canção. Tudo isso para promover uma verdadeira celebração à música e à felicidade e exaltar o zelo que a banda tem com seus fãs ao preparar um espetáculo, acima de tudo visual, impecável.

Essa atenção e esse carinho ficaram evidentes tanto na disposição do palco - além do principal havia um no fim da passarela e outro em meio à pista, para aproximar os artistas dos espectadores - quanto pelos pedidos de desculpas de Chris por não falar português. Em uma de suas interações, ele lamentou não saber o idioma, mas garantiu que a energia que a plateia lhe dá ultrapassa qualquer idioma. Além disso, a banda se entregou do início ao fim: o vocalista, naturalmente, roubou a cena com uma performance energética, esbanjando simpatia, saltos e corridas por todos os lados. A legião de fãs, por sua vez, respondeu à altura, cantando como se fosse uma voz de apoio e dançando sem parar.

Entre os sons mais dançantes e típicos da fase atual,os hits do início da carreira, a fase mais escura, digamos assim, não ficaram de fora. Tanto que a segunda tocada foi o clássico “Yellow”, single de “Parachutes” (2000) responsável por projetar o grupo ao sucesso mundial. E aqui já vale o parêntese: é preciso aceitar que muita coisa mudou de lá para cá para Chris Martin e companhia e que, mesmo com uma proposta bastante diferente, os caras merecem respeito por chegarem aos 20 anos de atividade no auge e com a representatividade de umas das maiores bandas do mundo na atualidade.

Voltando ao show, foi ao fim de “Yellow", que, com a bandeira do Rio Grande do Sul amarrada no violão, o frontman saudou os presentes com um “oi, gaúchos”, arrancando gritos e o balanço dos milhares de balões amarelos que foram distribuídos ainda na fila para entrar no estádio. Depois veio a já citada "Every Teardrop Is a Waterfall" com toda sua energia e, então, um momento para lembrar que doses de melancolia seguem presentes no repertório: “The Scientist”, de "A Rush of Blood to the Head", foi executada ao piano por Chris, indo da agitação para o intimismo. Se na gravação a faixa já provoca arrepios, ao vivo e com o mar de gente cantando junto, torna-se ainda mais emocionante. Empolgado com a receptividade, o cantor até brincou que achava que esta não seria a última vez que se apresentaria por aqui.

"Birds" manteve o clima calmo, mas a noite era de euforia e foi "Paradise" a escolhida para retomar a vibração que predominou no local. Após, o grupo apresentou duas músicas do álbum “Ghost Stories” (2014), “Always in My head” e “Magic”, tocadas no meio da galera, no palco "B". Sozinho neste mesmo ponto, Chris puxou “Everglow”, dizendo que a energia da plateia o fazia querer vir para o Brasil e que se o mundo tivesse alegria como nesta noite, seria um lugar melhor. Além disso, pediu que todos os presentes enviassem energias para suas famílias e para as pessoas que amam, além de mencionar para direcionarem seus sentimentos para Las Vegas e Texas, onde ocorreram massacres nos últimos meses, e também para a Síria.

Já posicionado ao lado dos companheiros, ele puxou “Clocks” e um trecho de "Midnight", e parou tudo antes de “Charlie Brown” para pedir que todos os fãs abaixassem seus celulares, pulassem e apenas vivessem o momento - algo difícil nos tempos atuais. O pedido foi atendido e a Arena então se transformou em uma verdadeira festa. O ritmo continuou animado com “Hymn for the Weekend”, uma mais nova que abriu caminho para outro clássico emocionante: “Fix You”, que começou com o cantor deitado no chão e terminou com as tecnológicas pulseiras emanando luzes amarelas.

Um dos maiores hinos do grupo, “Viva la Vida” trouxe a própria celebração à vida e “Adventure of a Lifetime” deixou o estádio ainda mais colorido com grandes balões sendo jogados sob a "turma do gargarejo". Novamente no meio do público, dessa vez no palco "C", armado no centro da pista, a banda fez uma pequena viagem para as suas origens com uma sequência de músicas lançadas no íncio da década de 2000: "Don't Panic", outra de "Parachutes", e "In My Place", cantada pelo baterista Will Champion. Eles ainda mostraram uma canção escrita em homenagem à passagem pelo Brasil, abrindo a seção final do show.

De volta ao palco principal, eles apresentaram a música que criaram para ajudar a levantar fundos para as vítimas do terremoto no México. Popularmente conhecida como “Life is Beautiful”, a faixa trouxe uma mensagem de esperança, energizando o público para a empolgante “Something Just Like This”, canção em parceria com o The Chainsmokers pinçada do EP "Kaleidoscope", que dá continuidade ao álbum "A Head Full of Dreams". A trilha contou com a exibição da letra nos telões para que quem não conhecesse pudesse acompanhar, mas esses eram minoria.

Poucas também eram as estrelas no céu de Porto Alegre, em oposição aos versos de “A Sky Full Of Stars”. Contudo, os astros nesta noite foram outros: quatro músicos que, iluminados pela magia própria e pelas luzes das pulseiras e flashs de celulares, promoveram um grande espetáculo com algumas pitadas de saudosismo, muita festa e open bar de mensagens positivas. “Up&Up”, outra do álbum que nomeia a turnê, encerrou o show em meio a uma bela queima de fogos e um misto de lágrimas e sorrisos de alegria, o sentimento que contagiou a Arena durante as pouco mais de duas horas de uma apresentação que deverá ser recordada como uma das mais perfeccionistas e entusiasmadas que já passaram pela cidade.

Dua Lipa faz show de abertura

Não foi somente o Coldplay que pintou suas cores na Arena. A cantora Dua Lipa, de 22 anos, levou seus tradicionais tons de roxo para o show de abertura, no qual mostrou qualidade vocal e presença, ainda que seu semblante mostrasse o quão concentrada estava e o áudio tenha apresentado problemas - irregular, em alguns momentos estava baixo demais. Contudo, isso não a impediu de saltitar e rodopiar pelo palco. Com apenas um disco lançado e que leva o seu nome, a inglesa colocou o público para dançar desde a primeira das nove músicas que performou, “Hotter than Hell”.

Em seu repertório pop, Dua abriu espaço para a batida mais eletrônica de “Scared To be Lonely”, parceria com Martin Garrix. Seus sucessos mais conhecidos no Brasil, ficaram para o fim. “Be the one” foi a penúltima, enquanto suas novas regras de como se comportar após um relacionamento que deu errado e uma espécie de ode à autovalorização (“New Rules”) fechou o show. Antes dela, a gaúcha Tati Portella fez a abertura local, mostrando novidades da carreira solo, sucessos como "Versos Simples" e versões de Cidadão Quem e Legião Urbana.

Fonte: Correio do Povo
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