DIA DAS MÃES - 07/05/2018 11:56 (atualizado em 07/05/2018 14:06)

Os desafios e as surpresas de ser mãe em terras estrangeiras

A mamãe Mara Berté é natural de Descanso/SC e conta como contorna o desafio de criar os filhos Bento e Ben longe da família, do outro lado do Pacífico
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Arte: Camila Pompeo/WH Comunicações

Ser mãe longe de casa. Dá pra imaginar tarefa mais difícil que essa? Olhando assim, parece impossível, mas tem muita mamãe cortando um dobrado para criar os filhos longe do amparo e segurança dos familiares. E quando a distância é tão grande que só uma viagem de horas em uma avião é capaz de encurtar? Mara Berté sabe bem o que é isso. Mãe dos pequenos Bento e Ben, a descansense e o marido, Fábio Alexandre, vem contornado a distância da família e estão cada vez mais ambientados com o clima e os hábitos da cidade de Hastings, na Nova Zelândia.
País pouco povoado, cidades pequenas, trânsito tranquilo, qualidade de vida. Foi em busca dessas características que o casal decidiu fazer as malas e sair do Brasil. “É maravilhoso viver em um lugar lindo, com natureza exuberante por todos os lados, extremamente bem cuidado, limpo, organizado, eficaz, com pessoas educadas e respeitosas, baixíssimo índice de corrupção e um senso de coletividade muito acirrado. A qualidade de vida daqui é maravilhosa. Poder andar na rua sem medo, viver em paz, não observar tanta desigualdade e ter uma vida bem mais simples, não tem preço”, conta Mara. 
Longe de casa, do outro lado do mundo, Mara, Fabio Alexandre e os dois filhos vivem uma experiência enriquecedora, de muito aprendizado, e principalmente de muito amor. Hoje mais tranquila, a mamãe recorda a tensão de descobrir a gestação em meio a um país de costumes e língua totalmente diferentes. 
“Quando descobrimos que estava grávida ficamos um pouco tensos, mas muito felizes. Por estarmos fora do Brasil, a primeira coisa que passou pela cabeça foi: e agora? Como vai ser? Como vamos fazer? Vamos conseguir? E graças a Deus e à nossa dedicação deu e está dando tudo certo. Filhos já são uma tarefa difícil por si só, e tê-los longe da família, longe das próprias raízes é um desafio cheio de descobertas, medos, e alegrias”, revela.
E então chegou a hora de descobrir como uma futura mamãe deveria proceder naquele país. Na Nova Zelândia, Mara conta que quando se descobre estar grávida, a primeira coisa a fazer é escolher uma Midwife (uma parteira) que vai acompanhar toda a gestação, parto e pós-parto. “Cada uma atende uma área geográfica específica. E tem desde mulheres novas nos seus vinte e poucos anos à senhoras já nos seus 60 e 70 anos, com centenas de partos de experiência. Se algum problema surgir pelo caminho você será encaminhado para um obstetra, nutricionista ou qualquer especialista que precisar, e eles farão o acompanhamento em conjunto com a midwife. Geralmente são feitos só três ultrassons durante a gravidez, nas semanas 12, 20 e 36”, conta. 
Foto: Arquivo Pessoal
As consultas com a midwife são mensais e ocorrem até a semana 30, quando passam a ser quinzenais e semanais, a partir da 36ª semana em diante. 
O parto de Bento, primogênito da família, foi realizado em casa, na banheira. A gestação completava  42 semanas e três dias e a mamãe recorda que a experiência foi única. “Foi uma experiência maravilhosa, tive 17 horas de trabalho de parto, Bento nasceu saudável num ambiente harmonioso, tranquilo, pouca luz, com música calma e aconchegante”, recorda.
O segundo filho, Ben, nasceu no hospital com 39 semanas, também na banheira. Mara conta que foram três horas de trabalho de parto até que o filho chegasse ao mundo, deixando a mamãe e papai corujas babando. Por apresentar um quadro de hemorragia interna, a mãe precisou ser submetida à uma cirurgia de emergência, mas tudo correu bem e resta agora somente boas histórias para contar.
“Após o parto sua midwife passa a fazer visitas diárias a você e ao bebê, checa como anda a amamentação, como você está se recuperando fisicamente e checa também como você está mentalmente, conversando com você e também dando dicas aos parceiros para eles ficarem de olho em qualquer sinal de depressão pós-parto. Checa o bebê, o ganho de peso, as medidas, o desenvolvimento. As visitas passam de diárias na primeira semana a uma visita a cada dois ou três dias e, depois, são semanais”, menciona.
Ao final das seis primeiras semanas da vida do bebê, Mara explica que a midwife passa os cuidados da mãe e do bebê ao clínico geral, médico da família. Uma cópia de todos os relatórios de visita e do acompanhamento do parto, descrevendo a cada meia hora o como tudo aconteceu, é entregue à família. “Virou uma história boa para voltar e reler quando a nostalgia bater. Além do seu médico, você é encaminhada também para uma outra organização que acompanha as crianças pelos próximos anos de vida, verificando peso, medidas, desenvolvimento e prestando apoio via telefone 24 horas e em visitas periódicas sobre qualquer assunto relacionado a saúde infantil”, relata.
A mãe lembra que como ela e o marido tem "Work Visa", um visto para poder trabalhar no país, todas as despesas com ultrassom, exames de sangue, midwife, pré-natal, parto e pós-parto, todas relacionadas à saúde, inclusive os remédios, são gratuitas.
“O LADO BOM E O RUIM”
Foto: Arquivo Pessoal
As dificuldades de estar longe dos familiares, ela salienta, são a distância, os altos preços das passagens para o Brasil, e, claro, não poder falar com a família a qualquer momento tendo em vista as 15 horas de fuso. Mas tem mais itens nessa lista. “Não estar presente no dia a dia da família, o idioma, as diferenças culturais e, principalmente, a saudade. Mas com certeza, tudo vale a pena. As oportunidades que nossos filhos terão aqui, a educação, saúde, segurança, vai valer a pena”, menciona.
A internet, nesse caso, é aliada. A mãe conta que a cada novo aprendizado de Bento e Ben, são diversos vídeos feitos e enviados por Whatsapp para a família e mais uma dezena de fotos nas redes sociais. A distância, um pouco encurtada pelos telefonemas e as chamadas em vídeo, não diminui o tamanho da saudade de quem ficou no Brasil. 
“Nós falamos com a família quase que todos os dias, e assim eles vão conhecendo à todos. Quando tomamos a decisão de mudar de país, sabíamos que muita coisa estava em jogo. Sabíamos que ganharíamos muita coisa, mas perderíamos muitas outras também. A vida é feita de escolhas, afinal. Seria ótimo ter tido família por perto, claro, mas foi ótimo também fazer as coisas do nosso jeito. Isso fez eu e meu marido nos sentirmos mais companheiros do que nunca. Tudo tem seu lado bom e ruim”, avalia.
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Fonte: WH Comunicações / Camila Pompeo
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