FUNDO ELEITORAL - 11/06/2018 21:55 (atualizado em 12/06/2018 09:15)

Com menos dinheiro, partidos mudam suas estratégias para as eleições

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A campanha para as eleições de 2018 será irrigada com R$ 2,58 bilhões dos fundos eleitoral e partidário, bancados com dinheiro público. O montante representa menos da metade dos R$ 7 bilhões gastos pelos candidatos em 2014, quando as doações de empresas ainda eram permitidas.

Com a mudança de cenário, partidos irão apostar em grandes puxadores de votos, na ampliação do uso de redes sociais e em doações de pessoas físicas.

A última janela partidária – liberação para troca de legendas sem o risco de perda do mandato – fechou em 7 de abril. Entre os 513 deputados, 85 migraram para novas siglas. O período foi marcado por intensa negociação e parte dos parlamentares recebeu a promessa de dinheiro para a campanha.

— Discussões começavam com R$ 1 milhão. Sem isso, não conseguiria sentar e conversar com ninguém para trazer ao meu partido — relata um líder político da Câmara.

O DEM liderou o crescimento no Legislativo, atraindo 12 parlamentares. Em seguida, veio PP, com oito. Na ponta oposta do ranking está o MDB: perdeu sete cadeiras.

Para os partidos, reforçar as bancadas federais significa ter acesso a uma fatia maior de recursos públicos nas próximas eleições. Polêmica, a divisão das verbas eleitorais definida pelo Congresso empodera as direções nacionais das siglas. 

Cada uma decide como os valores recebidos serão distribuídos, o que tem gerado descontentamento entre candidatos sem mandato, que temem receber menos recursos. A preocupação encontra eco entre analistas. Benefícios financeiros a quem busca a reeleição podem dificultar a renovação na política.

Candidatos poderão gastar até R$ 2,5 milhões do próprio bolso

Há quem vá defender a rejeição ao uso de dinheiro público em campanhas como bandeira. O Novo decidiu que não gastará sua fatia nos dois fundos, ressaltando a ideia de que as siglas devem ser financiadas por simpatizantes e eleitores.

A autorização para o autofinanciamento das campanhas também é destacada pela vantagem que oferece a políticos ricos. Um candidato a deputado federal poderá gastar até R$ 2,5 milhões do próprio bolso. Quem não tem recursos dependerá exclusivamente de doações e da fatia dos fundos públicos.

Começar o período eleitoral com o dinheiro contado deverá fazer com que postulantes a cargos mudem o perfil das suas campanhas em comparação com os últimos pleitos. Um dos trunfos estará na internet, pelo baixo custo e pela possibilidade de alcançar grandes públicos. Postagens de propostas ou de vídeos com trechos de discursos serão intensificadas para que sejam compartilhadas entre apoiadores.

— Os candidatos terão de assumir suas posições de forma clara sobre todos os temas e gerar comunidades na internet para reverberar a mensagem e a imagem de cada um — orienta o professor de Marketing Digital e Político da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Miceli.

Boa performance nas redes será decisiva

A estratégia ganha força frente ao último levantamento do IBGE sobre internet no país. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), 70% das residências estão conectadas. O índice alcança maior projeção no Sudeste (76,7%) e menor no Nordeste (56,6%). Ainda assim, mesmo onde a influência online é mais baixa, boa performance na rede pode representar ganho entre os eleitores que não têm nenhum acesso.

— Esse público vai ser alcançado pelo horário eleitoral em rádio e TV, e ele não vive isolado. Essas pessoas serão influenciadas por amigos e familiares que têm acesso à internet — pontua o coordenador do curso de Marketing Eleitoral da Escola Superior de Propaganda e Marketing, Victor Trujillo.

Além do apoio de correligionários e simpatizantes, os candidatos poderão usar robôs que inserem mensagens na internet de forma autônoma. O instrumento tem potencial para ampliar a interação com eleitores, mas também a propagação de fake news. O combate a notícias falsas será um dos principais desafios do pleito.
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Fonte: Diário Catarinense
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