ENTREVISTA - 12/10/2018 06:13 (atualizado em 12/10/2018 09:26)

Bolsonaro diz que pode faltar a todos os debates na TV e ironiza Haddad

"Vou debater com o ventríloquo do Lula?", disse o candidato do PSL, em entrevista à rádio CBN
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Bolsonaro posa com chapéu de cangaceiro em evento de campanha Foto: Mauro Pimentel / AFP

O candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), foi entrevistado no final da tarde desta quinta-feira (11) pela rádio CBN. Em conversa de 30 minutos, o deputado federal disse aos jornalistas que pode faltar a todos os debates marcados durante o segundo turno por questões "estratégicas".

— Os eleitores me conhecem, não comecei essa votação agora. Estrategicamente, posso decidir não ir (aos debates). Não tem problema nenhum — afirmou Bolsonaro, que ironizou em seguida:

— Vou debater com o Haddad ou com o ventríloquo do Lula? Qual é a autenticidade do Haddad? Gostaria de perguntar se ele vai permitir que o crime organizado seja coordenado de dentro do presídio?

Bolsonaro anunciou sua ausência no encontro dos presidenciáveis na TV Bandeirantes, que estava marcado para esta quinta (11), por recomendação médica. O seu adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT), afirmou que debateria "até em uma enfermaria" e fez críticas ao capitão reformado nas redes sociais.

Violência na campanha

Os incidentes de violência que aconteceram nos últimos dias na campanha também foram abordados pelos jornalistas da rádio CBN. No domingo, após a eleição, o mestre de capoeira Moa do Katendê foi morto na Bahia, e outras pessoas relataram agressões, intimidações e pichações racistas que teriam sido feitas por apoiadores da campanha do presidenciável.

Bolsonaro afirmou, novamente, que não poderia controlar todos os seus apoiadores, mas condenou as ações violentas.

— Foram 48 milhões de pessoas que votaram em mim. Você quer que eu controle todas? Condeno, sim. Não quero o voto desse tipo de gente — declarou o candidato do PSL.

Questionado a respeito das declarações acerca da ditadura militar quando disse que "deveria ter matado 30 mil" pessoas, dadas em entrevistas à TV nos anos 1990, Bolsonaro afirmou que foram erradas e que ele "evoluiu".

— Evoluímos. Já errei. Não sou o Jairzinho paz e amor. Não tenho o dom de falar de forma meiga. Sou autêntico — declarou.

Igualdade de gênero

Bolsonaro voltou a afirmar que os direitos iguais entre homens e mulheres são garantidos "pela CLT e pela Constituição", mas ponderou:

— O que penso é que o mercado tem de decidir. Isso é da produtividade de cada um. Qual país do mundo está discutindo isso daí? — afirmou.

O presidenciável também disse que não discriminará mulheres, negros ou homossexuais no ministério de um eventual governo.

— Vão ser 15 ministros. O da defesa vai ser homem (Heleno). Os outros 14 podem ser mulheres, podem ser gays, podem ser afrodescendentes. Quantas mulheres a Dilma tinha no governo? O que importa é que o ministro dê conta do recado — declarou.

Suspeitas de fraudes na eleição

Bolsonaro voltou a declarar que desconfia dos resultados das eleições deste ano, mas afirmou que duvida apenas do cálculo para o pleito presidencial.

— Vão às ruas, falem com o povo. Noventa por cento das pessoas não confia no sistema eleitoral. Suspeito, sim, mas da eleição para presidente. Uma funcionária minha não conseguiu votar. Esse problema existiu e não pode existir mais — declarou Bolsonaro, que recebeu 49.276.990 votos no sistema eletrônico.

Seu partido, o PSL, elegeu 52 deputados federais. O capitão reformado também fez críticas à atual proposta de reforma da Previdência e prometeu acabar com benefícios adquiridos pelos funcionários do setor público.

— A reforma do Temer nós não concordamos. Tem de reformar com qualidade. Qual o setor mais gasta? É o setor público. Temos de acabar com as incorporações. Vamos acabar com as incorporações. A farra dos marajás está aí — declarou o deputado federal.

Quando perguntado o que faria em caso de bullying relacionado à homofobia em sala de aula, Bolsonaro afirmou:

— No ensino fundamental não tem de tratar [sobre o sexo]. Quem tem de tratar é o pai e a mãe. O pai não quer chegar em casa e ver o filho brincando de boneca — disse.

Fonte: DIário Catarinense
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