Hora de recomeçar - 10/05/2014 11:53 (atualizado em 12/05/2014 10:57)

Especial Dia das Mães: A dor da perda e a benção de ser mãe de gêmeos

“Se tivéssemos nos revoltado com tudo o que aconteceu, com tudo o que passamos, acho que não teríamos os gêmeos hoje. Acredito que isso foi uma prova e nós fomos testados”, diz Kellen Kipper, 28 anos
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Kellen e Jean, com os gêmeos Athus Felipe e Mariáh Vitória (Foto: Isabel Müller/O Líder)
Sabe aquela expressão: “Nem tudo acontece por acaso?”. Talvez isso tenha acontecido na vida da mãe Kellen e do pai Jean Carlos Kipper. Deus tirou um anjinho de dois anos da vida do casal, mas há dois meses colocou Athus Felipe e Mariáh Vitória nas suas histórias.

Kellen e Jean se conheceram em 2003, quatro anos depois se casaram e, em 2010, veio a primeira gestação. Lívia Paola teve apenas dois anos e dois meses de vida e no dia 06 de setembro de 2012 ela faleceu afogada na piscina da casa dos avós. “Ela ficou 40 minutos com parada respiratória, chegou a ser levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Chapecó, mas acabou não resistindo. Apesar do problema de visão que ela tinha, conseguimos doar as córneas e pelo que ficamos sabendo, duas crianças foram beneficiadas”, lembra, emocionada, a mãe.  

O casal diz que passou por uma fase muito difícil e, em 2013, Kellen descobriu que estava grávida novamente, dessa vez de gêmeos. “Foi muito bom saber que estava grávida de gêmeos, sempre quis, pois como temos casos na minha família e na família do Jean, a possibilidade era bem grande. Antes da gestação da Lívia eu sempre comentava que queria ter gêmeos, mas depois que tive ela pensei que não queria mais, até por que seriam três crianças. Quando perdi a Lívia e planejei engravidar novamente já veio o desejo de ter gêmeos. No meu primeiro ultrassom o médico disse que era só um bebê, então quando eu fiquei sabendo que seriam dois, por mais que eu queria, a surpresa ainda foi grande”, afirma.

Ela diz que foi uma gravidez de bastante cuidados e teve que ficar cinco meses de repouso, não por complicações, mas por precaução. “Os bebês estavam previstos para nascer no mês de abril, mas acabaram nascendo um mês antes, no dia 06 de março. Prematuros, mas nasceram muito bem, com um peso bom e nem necessitaram ficar na incubadora”, afirma.

Sobre o dia a dia com os bebês, Kellen salienta que é puxado e que passa o dia em função dos dois, mas afirma que é muito gratificante. “O trabalho que se tem com eles é dobrado, mas o amor, o carinho, o sorriso que eu vejo deles toda manhã também é em dobro e isso tudo compensa”.    

Ser mãe para Kellen

Hoje ela diz que Deus foi muito grande. “Acho que se tivéssemos nos revoltado com tudo o que aconteceu, com tudo o que passamos, não teríamos os gêmeos hoje. Acredito que isso foi uma prova e nós fomos testados. A Lívia tinha vários probleminhas, não de saúde, mas passamos diversas dificuldades com ela por erros médicos. Então, até que acertamos tudo foram momentos bem complicados. Agora, acredito que Deus nos testou para ver se nós teríamos capacidade de cuidar dela, para hoje podermos cuidar dos gêmeos. Só temos que agradecer porque foi uma bênção o presente que ganhos”, afirma. 

Para ela, ser mãe é a melhor coisa do mundo, somente quem é mãe sabe o sentimento que se tem. “Sempre digo que aprendemos a valorizar a nossa mãe quando se é mãe. Enquanto não se tem filhos e não está grávida, apenas é possível imaginar o que é o amor de mãe, mas a partir do momento que o bebê é tirado da barriga e que se ouve o primeiro choro, aí sim é possível saber o que é amor de mãe e o que significa ser mãe. É o coração da gente batendo fora, a todo instante, a sua vida são os filhos. É muito gratificante ser mãe e poder gerar uma vida”, enaltece.

Para as mães, Kellen diz para todas aproveitar ao máximo os filhos, pois nunca sabemos o dia de amanhã. “Os filhos crescem rápido e aproveitar é o que mais é necessário na maternidade. Tanto que hoje não nos sentimos mal, porque curtimos muito a Lívia, eu chagava em casa do trabalho e deixava tudo para curtir ela naquele momento. Nos finais de semana, nós nos dedicávamos inteiramente para ela, saíamos, levávamos para brincar, íamos para a praça, coisa que hoje em dia se perdeu muito, as famílias vivem em função do trabalho, de querer construir coisas para o futuro, e esquecem de viver o hoje. Nunca sabemos se perdemos eles amanhã, aí depois vem o arrependimento, de não ter aproveitado mais e de não ter ficado mais presente na vida dos filhos”, finaliza.

Fonte: Isabel Muller/O Líder
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