Coleção - 27/09/2014 09:52 (atualizado em 29/09/2014 13:47)

Dinheiro antigo: sem valor comercial, mas de grande valor sentimental

A coleção de notas e moedas antigas começou nos anos 80, sem grandes pretensões e com poucas notas, hoje a coleção já soma mais de 400 notas antigas de vários países
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Gosto pela coleção de dinheiro antigo começou a se tornar um hobby e uma paixão para Demarco, que assistia a muitos documentários e comprou livros que contam a trajetória das cédulas e moedas - Foto Débora Ceccon/ O Líder

Todo mundo quer ter em mãos moedas e cédulas, que circulam por toda a parte. Elas movimentam o mundo e, além disso, é possível dar a volta ao mundo conhecendo mais sobre a moeda utilizada. Há 25 anos Lauro Demarco, de 65 anos, tem uma coleção de moedas e cédulas das mais antigas, não só do Brasil, mas de outros países. O acervo foi montado pela persistência de um apaixonado e uma das que ele tem maior apreço é uma nota antiga da Rússia, de 1898, que ganhou de um senhor de 90 anos.

Desde o Império Romano os aristocratas cultivavam o interesse em colecionar moedas. Enquanto o colecionismo refere-se à posse de moedas, no início a numismática teve como principal objetivo o estudo de civilizações e de suas respectivas evoluções. A moeda se tornou um documento histórico, sendo muitas vezes utilizada para pesquisas a fim de identificar características comportamentais, religiosas e econômicas de uma população. A numismática é a ciência que tem por objetivo o estudo das moedas e medalhas e também é vista como forma de investimento e reserva de valores.

Foto Débora Ceccon/ O Líder

A paixão pelas cédulas antigas tem ligação com um episódio antigo e triste da vida de Lauro Demarco, que aos 16 anos perdeu seu pai e, naquele dia, o dinheiro, principalmente a cédula de um conto de réis, como era chamada a nota de mil cruzeiros, começou a marcar sua vida. “No dia do enterro do pai, minha mãe deu a carteira dele, tinha três notas de mil cruzeiros dentro, e disse, de hoje em diante você vai ser o dono da casa, e isso me marcou”, emociona-se. 

Anos mais tarde, por volta de 1989, Demarco começou a coleção na companhia de um amigo que hoje já é falecido. Na época aquele seu amigo lhe mostrou algumas notas que já eram muitas velhas e estragadas, inclusive. “Foi quando comecei a ter gosto, eu e ele trocávamos o pouco que a gente tinha e fomos indo. Nós fomos sem ter conhecimento. Eu comecei a procurar as pessoas mais antigas, os amigos de meu pai e vizinhos, tudo sem ter uma direção de como começar e até onde poderia ir”, menciona.

O gosto pela coleção de dinheiro antigo começou a se tornar um hobby e uma paixão para Demarco, que assistia muitos documentários e comprou livros que contam a trajetória das cédulas e moedas. De um dos livros, Demarco reproduziu muitas das notas mais antigas e raras, para que completassem sua coleção, todas no tamanho oficial, como consta no livro. A família, que sempre apoiou e sabe da paixão de Demarco pelas cédulas antigas, sempre que pode traz algum livro ou cédula antiga das lojas numismáticas que comercializam este tipo de material para colecionador.

Pelas páginas dos álbuns de Demarco que guarda as notas verdadeiras, pode-se viajar não só pelo Brasil antigo, do tempo do Império, como para a história de outros países, como Japão, Rússia, Paraguai, Argentina, Suíça, Itália, República Eslovênia, Alemanha, República Dominicana, México e Canadá.

A coleção, que começou com apenas sete cédulas, hoje contabiliza mais de 400, entre reproduções e verdadeiras, que são expostas em ordem cronológica, contando a história do Brasil e outros países. Um dos locais onde conseguiu arrecadar muitas cédulas que não tinham mais valor de circulação foi na igreja, onde as pessoas ofertavam o dinheiro que não mais valia, mas para Demarco tinham valor para sua coleção.

Demarco tem um carinho grande pela coleção que levou anos para construir e afirma que não a entregaria por dinheiro algum. A última cédula que juntou à sua coleção é do Caribe, que uma sobrinha sua, sabendo de sua paixão, trouxe de Porto Alegre (RS). Assim como sua irmã e outros familiares, quando viajam ou visitam alguma loja, trazem alguma nota para contribuir à coleção dele.

Das cédulas que tem mais carinho, são duas que vieram de um senhor de 90 anos. Conta o colecionador que ainda no começo de seu acervo, aquele senhor encontrou dinheiro antigo na rua, que não tinha mais valor, mas levou para casa. Ao ver o trabalho que Demarco fazia com as notas antigas, todas catalogadas e guardadas, aquele senhor lembrou-se de um presente que ganhou de sua madrinha ao ser batizado, uma nota de 1 Rubro Russo de 1898. “Deu para mim o presente que ele ganhou da madrinha dele, e ainda uma cédula da Polônia de 1918. Ele disse que sabia que eu ia cuidar”, recorda.

O colecionador já participou de exposições com cooperativa de crédito da região apresentando seu acervo. Assim como compartilhou seu material e a história que conhece por meio das cédulas em exposições escolares.

Moedas

Foto Débora Ceccon/ O Líder

A coleção de moedas, também conhecida como numismática, é uma paixão que mobiliza colecionadores em todo o mundo. Não só de cédulas que Demarco faz a coleção, mas também de moedas de diversos países. Do Brasil, há duas moedas que ele guarda com todo carinho, que são de prata, de edições comemorativas. As moedas que ele guarda com todo carinho são de diversos tamanhos e modelos, de mínimos a grandes, e antigas moedas. E uma das bolsinhas que guarda as moedas também tem sua história especial. É uma bolsa de tecido, que seu pai trouxe em 1953 do Rio Grande do Sul para Santa Catarina e usava para carregar pólvora. 

Foto Débora Ceccon/ O Líder

Valor cultural: a história contada pelo dinheiro

Das notas que guarda, um dos pontos que o colecionador observa é que nas notas mais antigas eram impressas pessoas que foram importantes na história do Brasil, inclusive uma delas traz a foto e uma das poesias de Carlos Drummond de Andrade

As notas que não tem mais valor comercial, para Demarco, tem grande valor sentimental. A coleção, que começou há mais de 25 anos, segundo ele, não vai parar por aí, e ainda afirma esperar que seus filhos ou netos deem continuidade ao seu trabalho, que é também cultural e histórico.

Das notas que guarda, um dos pontos observados é que nas notas mais antigas eram impressas pessoas que foram importantes na história do Brasil, inclusive uma delas traz a foto e uma das poesias de Carlos Drummond de Andrade.

Demarco é capaz de contar muitos detalhes da história do Brasil, já que pesquisa e lê muito sobre o que é relacionado ao dinheiro e o que foi e é a economia brasileira. O primeiro dinheiro do Brasil foi a moeda-mercadoria. Durante muito tempo o comércio no país foi feito por meio da troca de mercadorias, mesmo após a introdução da moeda de metal. As primeiras moedas metálicas - de ouro, prata e cobre – chegaram com o início da colonização portuguesa. A unidade monetária de Portugal, o Real, foi usada no Brasil durante todo o período colonial. Assim, tudo se contava em réis – plural popular de real –, com moedas fabricadas em Portugal e no Brasil. As casas fabricantes de moedas foram aqui criadas à medida que os lugares iam desenvolvendo-se e necessitavam de dinheiro. A primeira foi a Casa da Moeda da Bahia, seguida pelas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais.

As primeiras “moedas” do Brasil, Demarco cita sem hesitar, o pau-brasil, o zimbo e o pano de algodão. O pau-brasil foi a primeira moeda brasileira. Os indígenas o retiravam e entregavam aos portugueses em troca de miçangas, tecidos, facas e outros pequenos objetos. O zimbo, pequena concha que circulou como moeda no Congo e Angola, encontrada também nas costas brasileiras, foi utilizada para compra de escravos na África e nas trocas entre os escravos trazidos para o Brasil. E o pano de algodão, moeda-mercadoria que circulou durante muito tempo, assim como o açúcar, o fumo, o sal e outros produtos.

O Brasil já trocou de moeda oito vezes em pouco mais de 50 anos. Comparado com outros países de economia mais estável, como EUA e Japão, suas moedas já têm mais de um século. Diferentes pessoas, lugares, animais e cenas históricas representadas nas cédulas de dinheiro refletem como os países se veem e como eles querem ser vistos pelo resto do mundo.

A evolução da moeda ao longo dos anos e da história do Brasil passou a moedas de ouro, cédulas, e em 1º de julho de 1994, foi instituído o Real. Uma URV foi fixada em CR$ 2.750,00 e equivalia a R$ 1,00. O Banco Central do Brasil determinou a substituição de todo o dinheiro em circulação. Foi uma das maiores trocas de numerário de que se tem notícia no mundo, levando-se em consideração as dimensões continentais do Brasil e o curto espaço de tempo em que ocorreu. Em 1998, uma nova família de moedas foi lançada, utilizando metais e tamanhos bem diferentes entre si, para facilitar o manuseio por parte da população.

Em abril do ano 2000 foi lançada a cédula de R$ 10,00, com projeto gráfico diferenciado e trazendo, como novidade, o emprego de um tipo especial de plástico em sua fabricação, o polímero. Além de comemorar os 500 anos do descobrimento do Brasil, o Banco Central testou a funcionalidade e a aceitação do novo material no dinheiro brasileiro.

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Fonte: Jornal O Líder/ Débora Ceccon
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