“A CHEGADA DE VICENTE” - 03/04/2017 08:40 (atualizado em 03/04/2017 09:07)

“A CHEGADA DE VICENTE”: Um relato emocionante de parto natural

Pequeno Vicente nasceu em casa, assistido por enfermeiras obstetras
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Foto: Arquivo Pessoal
“Durante a gestação tudo andava bem, porém, com 32 semanas Vicente ainda estava sentado. Mesmo sendo cedo para ele se posicionar corretamente para nascer, confesso que tinha medo que ele ficasse assim até o final da gravidez e eu tivesse que fazer cesárea, coisa que eu não queria”. Grávida de Vicente, a futura mamãe, Juliana Sandrin, tinha um objetivo: que o nascimento do filho fosse por meio de um parto natural.

Para auxiliar no parto da forma como gostaria que fosse, Juliana decidiu fazer exercícios que poderiam ajudar o bebê a se posicionar corretamente. “Na segunda-feira de manhã, o Vicente mexia muito, mais do que o normal, fato que eu achei estranho. Quase não conseguia trabalhar e à tarde fui fazer um ultrassom e ele estava prontinho pra nascer. Minha felicidade não cabia no peito e naquele dia contei para todo mundo sobre a novidade”, recorda.

Foto: Arquivo Pessoal
Com 36 semanas, a futura mamãe decidiu que era o momento de parar de trabalhar. Em casa, ela preparou o berço e as roupinhas que ainda estavam desorganizadas. Nas últimas semanas de gravidez, intensificou os exercícios e caminhadas diárias, mas já com 40 semanas, nenhum sinal de Vicente querer nascer. “A partir desse momento, chegavam ligações e mensagens questionando ‘já nasceu?’, ‘é pra quando?’, entre outros questionamentos. Eu já nem respondia mais, na tentativa de evitar opiniões negativas. Com 40 semanas e 3 dias fui até o hospital para realizar um exame de vitalidade fetal. O resultado mostrou Vicente mexendo bem, com batimentos normais e útero sem contração. Não tinha sinal de dilatação e a ansiedade começou a bater”, conta.

Para aliviar a ansiedade, com 40 semanas e quatro dias de gestação, Juliana começou a perder líquido. As contrações começaram momentos mais tarde, de forma repentina e contínua. A mamãe acionou as enfermeiras para que tudo saísse dentro do esperado. “Ainda pensava que poderia ser alarme falso. Mas às 18h tudo continuava intenso. Foi quando mandei mensagem para a equipe de enfermeiras obstetras dizendo que não sabia se ele nasceria, mas queria que elas viessem logo”, destaca.
Ficar embaixo do chuveiro foi uma das soluções para que as contrações diminuíssem. Com os joelhos semi-flexionados, Juliana arriscava leves movimentos no quadril. A piscina, onde seria realizado o parto, já estava montada, mas ainda faltava completar com água. Sem tempo, a mãe decidiu mudar os planos. “Às 20h45 horas as enfermeiras obstetras chegaram de Chapecó e já verificaram os batimentos cardíacos do Vicente. No intervalo das contrações conversávamos, e durante contrações não pensava em nada, só me entreguei. Me permiti sentir tudo que era possível: felicidade, dor, poder, ansiedade em ver o bebê, afinal eram as contrações que eu tanto desejava sentir e que tinham chegado (e com tudo)”, afirma.

Foto: Arquivo Pessoal
Em nenhum momento, Juliana pensou em desistir e optar por cesárea. Próximo das 21h, a enfermeira ouviu o coração do bebê, o que aliviou a coração da mãe. “Estávamos felizes, pois este era um sinal de que ele estava perto. Eu não conseguia acreditar que tudo estava bem e indo tão rápido. A partir de então senti meu bebê descendo dentro de mim, numa sensação de dor misturada com felicidade e poder. Sentei e meu marido ficou ao meu lado, segurando a minha mão. Tudo estava pronto para Vicente chegar ao mundo. Estávamos na sala, na penumbra, em completo silêncio. Eu chorava sem controle e meu marido ao meu lado estava sem entender. Olhei para ele e disse: ‘estou chorando de felicidade’”, declara.
 
Após fortes contrações, Vicente viria ao mundo as 22h34 de 21 de janeiro de 2016.  Pesando 3,9 kg,  pequeno media 53,5 cm. Mais uma contração, desta vez uma força que vinha de dentro min sem controle, saiu a cabecinha do Vicente, depois de outra contração saiu o resto do corpo sozinho, sendo somente aparado pelas mãos de uma das parteiras. Tudo passou e eu não sentia mais dor alguma. O Vicente veio para meu colo, senti seu corpo quentinho e molhado. Que sensação e cena inesquecíveis. Seu choro forte e maravilhoso. Nos olhamos, eu, Vicente e papai, que se manteve forte e me encorajando com palavras como ‘você consegue’”, lembra.

Por volta das 3h, as enfermeiras foram embora e a família pode enfim descansar, unida. O berço de Vicente foi carinhosamente colocado ao lado da cama dos pais e, felizes, descansaram. “Nós agarramos na sua mãozinha e, assim, adormecemos. O pós-parto foi tranquilo, Vicente bebê calmo, dormindo bem e com alguns episódios de cólica. Mantivemos aleitamento materno exclusivo até seis meses e meio. Até tentei introdução de frutas e papas antes, mas não teve aceitação, então respeitei o tempo dele. Atualmente com 1 ano, 2 meses e 7 dias ainda mama no peito sempre que deseja”, finaliza.


“Minutos após o nascimento Vicente sugou forte no meu peito. 
Ele sentiu o cheiro de sua mãe, se sentiu protegido, ficou calmo e tranquilo. 
Após, papai cortou o cordão e pegou o seu filho no colo para acalentar, 
enquanto as parteiras cuidavam de mim. A placenta dequitou e dias 
após foi enterrada, e junto a ela foi plantado um pé de Ipê, num jardim.”

Juliana Sandrin, mãe de Vicente

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Fonte: O Líder/Camila Pompeo
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