EXERCÍCIOS SOBRE RODAS - 15/05/2017 09:20 (atualizado em 15/05/2017 11:50)

Em busca de qualidade de vida, ciclismo ganha cada vez mais adeptos

O Jornal O Líder encontrou algumas dessas pessoas que mudaram o estilo de vida a partir do ciclismo
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Foto: Reprodução

Em busca de ter mais qualidade de vida e até mesmo por lazer, cada vez mais pessoas têm aderido ao charme da tradicional “magrela”. Seja para trabalhar, passear, mas principalmente para se exercitar e melhorar a qualidade de vida, a bicicleta tem ganhado muitos adeptos em São Miguel do Oeste. O Jornal O Líder encontrou algumas dessas pessoas que mudaram o estilo de vida a partir do ciclismo. 

Como pano de fundo de cada história está o Clube do Pedal de São Migue do Oeste. Sem formalidades e poucas exigências para participar, o clube nasceu de uma iniciativa de um grande entusiasta do esporte, Gilberto Fiorini, que participa de todos os passeios, orientando e dando suporte aos iniciantes, cujo número tem crescido muito. 

Menos 60 kg

“Estou levando uma vida que há muito não levava”

Carlão emagreceu mais 15 kg desde que começou pedalar - Foto: Camila Pompeo/O Líder

Perder mais de 60 kg parece um desafio difícil demais para tentar. Não para o vendedor Luiz Carlos Previdi, 51 anos, que entrou em uma luta com a balança há pelo menos quatro anos. Pesando 78 kg aos 34 anos, Carlão – como é mais conhecido – não imaginava que ganharia quase 100 kg no peso, 20 anos depois. No auge da obesidade, Carlão chegou a pesar 175 kg e enfrentou sérios problemas de saúde, antes de perceber que era preciso levar uma vida mais saudável. 

Antes e depois mostra evolução de Luiz Carlos e perda de pelo menos 60 kg - Foto: Arquivo Pessoal

“Há seis anos me deu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), foi aí que eu parei para pensar. Precisei tomar alguns medicamentos que me faziam engordar muito. Não tinha mais condições, eu tinha que tomar uma atitude. Me sentia muito mal, as pessoas ficavam me olhando. Eu deixava de fazer tudo que gostava. Sempre gostei de jogar futebol e não conseguia mais, tinha muitas coisas que queria fazer e não podia mais. Era difícil até para caminhar”, recorda.

A academia surgiu como alternativa para que Carlão se exercitasse, mas ele sentiu que precisava de algo mais. Foi então que foi convidado a integrar o Clube do Pedal. Antes disso, investiu na alimentação saudável e quando começou a pedalar com o grupo, já havia perdido 54 kg. 

“Reduzi bastante peso antes do ciclismo, mas com o ciclismo estou evoluindo. Não fiz nenhuma cirurgia, até tinha pensado em fazer mas o risco era alto e eu tinha problema de pressão. Surgiu a oportunidade de alimentação saudável e comecei a me cuidar. Comecei a perder peso, no começo perdia até 1 kg por dia então aquilo me animou. Quando comecei no ciclismo já tinha perdido 54 kg. Isso mudou muito a minha vida, eu estava sem perspectiva, problemas de pressão e coluna. O sobrepeso estava me incomodando”, declara.

Desde que iniciou com os passeios de bicicleta, há seis meses, Carlão emagreceu outros 15 kg. Além de incentivas, a esposa Elenice, também investiu nos cuidados com a saúde e resolveu apostar nos exercícios físicos sobre duas rodas. “Tudo mudou, voltou a autoestima. É algo sensacional. A minha esposa me incentivou muito, ela pesava 92 kg e já perdeu 25 kg. Ela pedala junto comigo. Minhas filhas sempre nos apoiaram também, no começo evitavam comer quando eu estivesse perto. Mas foi muito tranquilo, nunca passei fome. Aquela angústia passou”, avalia.

Carlão e a esposa Elenice (ao fundo na foto) pedalam juntos - Foto: Arquivo Pessoal

Hoje, Carlão leva uma vida saudável, mas planeja deixar no passado outros 30 kg. Para isso, tem uma equação importante que leva como lema de vida. “Quando fui convidado para participar do grupo, achei que não estava pronto porque achava que não tinha condições de acompanhar eles. Mas quando eu entrei no grupo, percebi que é uma turma muito legal. Comecei andando 2 km, 3 km, depois fui aumentando. Eliminei mais de 15 kg com o ciclismo e alimentação. As duas coisas andam junto. 80% alimentação, 20% atividade física e atitude”, justifica.

Agora, os 2 kg ou 3 kg de percurso do começo já não exigem muito de Carlão. Seis meses depois, o trajeto é de pelo menos 30 km por dia e o pesadelo da balança vai aos poucos, ficando para trás. “Antes eu só via os números na balança subirem. Hoje sempre que subo na balança só vejo diminuir. É fantástico. Crio metas e é muito gostoso quando você alcança. Isso é para tudo na vida e não deixa de ser assim com a balança. Estou levando uma vida que há muito não levava”, finaliza.

O ciclismo aos 70 
“A cada saída pode haver companheiros e roteiros diferentes”

Foto: Arquivo Pessoal

Quando pensamos em bicicleta, uma das principais lembranças que vem à cabeça é a infância, fase em que aprendemos a nos equilibrar naquele tão complicado meio de transporte de duas rodas. É tão apavorante que tudo começa com quatro rodinhas e aos poucos estamos lá, pedalando sem ajuda de ninguém. 

Aos 70 anos, Renato Poletto conta que sempre gostou de bicicletas, mas foi somente agora, após sete décadas de vida, que resolveu se aventurar sobre duas rodas. “Desde criança sempre gostei do ciclismo, e aprender a pedalar foi uma das minhas primeiras conquistas. Dai em diante eu pedalava esporadicamente, mas há dois anos adquiri uma nova bicicleta e voltei a pedalar com mais frequência”, revela.

Foto: Arquivo Pessoal

Há dois anos, Renato entrou oficialmente para o Clube do Pedal de São Miguel do Oeste e vem servindo de incentivo a toda a equipe. O estímulo para integrar o grupo veio de um ciclista apaixonado, o filho Gustavo. Deu tão certo que Renato só vê bons motivos para continuar com a atividade. “Toda a atividade física faz bem à saúde, e o ciclismo nos faz gastar bastante calorias de uma forma agradável e divertida, visualizando as belas paisagens do nosso interior. E agora juntamente com o ciclismo também faço academia”, afirma.

Em geral, de uma a duas vezes por semana Renato combina com outros ciclistas algumas pedaladas rápidas, passeios curtos para contemplar a paisagem e se exercitar. A quilometragem varia e depende do tamanho grupo e a experiência dos ciclistas. “Em geral fazemos 40 km a cada passeio. Minha maior quilometragem em um passeio foi 80 km. Já pedalamos no Paraná, em São Pedro na Argentina, município com o qual o  Clube do Pedal tem estreita relação de companheirismo e realização de passeios conjuntos”, revela.

Normalmente, os integrantes do Clube do Pedal se reúnem em local público, geralmente a Praça Walnir Bottaro Daniel, onde aguardam uns pelos outros para o início do passeio. Tudo é combinado via aplicativos de troca de mensagens e a cada saída, é um roteiro diferente e um passeio único. 

“Minha esposa e filho apoiam muito, mas sempre recomendam atenção e cuidado, pois já fui vítima de duas quedas por descuido, mas felizmente nada de grave aconteceu. Todos preferem evitar as rodovias, pedalando por todo o interior. O ciclismo é um excelente hobby, convivência com os mais jovens, conhecer lugares, novas amizades, mas acima de tudo a sensação agradável que sentimos quando pedalamos, mesmo que com esforço maior em alguns trechos de subida ou estradas ruins”, justifica.

E se você nunca experimentou montar em uma bicicleta e pedalar a sério, Renato lembra que há muitos motivos sobrando para você tentar. “Jovens ou adultos, todos devem praticar alguma atividade física. O ciclismo tem a vantagem de ser ao ar livre e movimentar todo o corpo. Ao retornar, nos deixa com a sensação de tranquilidade, belas lembranças e diminuição do stress. No mundo inteiro o ciclismo tem crescido muito, e com ele o surgimento de ciclovias que facilitam a locomoção urbana. Deixo uma sugestão para o nosso prefeito: que tal São Miguel do Oeste também ter sua ciclovia?”, finaliza.

Juventude sobre Duas Rodas
“É uma família enorme, com muito amor”

Foto: Arquivo Pessoal

Ele tem 13 anos e é o mais jovem ciclista do grupo. Nem por isso fica para trás. Está sempre junto do grupo, mesmo nos passeios que iniciam ainda durante a madrugada. Embora seja criança, o papo já é de gente grande. Luís Claudio Dill Tonet está pedalando com o Clube do Pedal há aproximadamente três meses. Como todo o garoto na sua idade, andar de bicicleta já era uma de suas principais atividades de lazer. Mas agora, se tornou ainda mais especial.  

Aos 13 anos, Luís Claudio é o mais novo ciclista do Clube - Foto: Arquivo Pessoal

“Andar de bicicleta dá uma liberdade, é muito legal. O namorado da minha irmã que já andava de bicicleta foi quem me incentivou e eu achei muito legal. Pedalo sempre que posso, quando tenho tempo e não tenho compromisso, principalmente no final de semana. É uma coisa para se fazer e ajuda a ter uma vida mais saudável”, relata. 

Além do cunhado, o incentivo a mais de Luís Claudio veio porque o pai, o agricultor Claudio José Tonet, também entrou no desafio. Os dois começaram juntos, mas precisaram renovar as bicicletas. Mesmo em poucos meses, pai e filho vêm se destacando junto à equipe já experiente. “Começamos juntos, eu nem bicicleta tinha. Comprei e comecei a andar. Meu filho tinha uma bicicleta normal, então compramos uma melhor para ele. Ainda estamos aprendendo. Fizemos um percurso até a Fazenda Volta Grande, de 60 km e domingo fomos até Mondaí”, relata o pai.

Luís Claudio sempre andou de bicicleta, mas quando entrou para o Clube do Pedal, o percurso mais longo percorrido foi de 30 km. Em seguida, apareceu a oportunidade de pedalar 70 km, mais que o dobro do já experimentado. O nervosismo, é claro, bateu. “Fiquei nervoso, achei que iria cansar, mas foi bem legal, tiramos várias fotos. Eu ainda não conheço todo mundo do grupo. Gostaria de pedalar com todos eles, para conhece-los mais. Seria muito bonito se todo mundo que está no grupo fosse pedalar, para que tivessem noção do quanto grande é essa família”, enfatiza.

E falando em família, Luís reitera a importância e o significado de “equipe”. Para ele, hoje o pedal se tornou mais que um percurso de “bike” com a companhia de outros apaixonados por ciclismo. “Pretendo continuar, é muito legal, você se sente livre, é uma emoção que não tem o que falar. É incrível nesse grupo como todo mundo se ajuda, é uma família. Se você esta andando e fura um pneu, todo mundo para pra ajudar. É uma família enorme, com muito amor”, finaliza. 
Claudio e o filho Luís iniciaram o pedal juntos - Foto: Arquivo Pessoal
Fonte: O Líder/Camila Pompeo
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