Ganhando os céus - 07/08/2017 08:18

Apaixonado por aviões constrói seu próprio modelo

“Eu tinha falado com várias pessoas, teve quem disse que se eu decolasse com esse avião eu iria me matar ou quebrar o avião. Me falaram pra eu não tentar, e eu estava lá em cima, eu tinha decolado!”, Tino
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Atualmente é formado como instrutor de vôo e curte seus vôos com o avião que ele mesmo construiu finalizado em 2011, modelo CB 10 Triátlon - Foto: Débora Ceccon/ O Líder 
Em 1891 o brasileiro Alberto Santos Dumont conseguiu voar em Paris no que ninguém acreditava que saísse do chão, o 14 Bis, aquele foi um importante passo para a história aeronáutica. O fato é que o entusiasmo daquele brasileiro que mudou a história da aviação no mundo se repete com outro brasileiro, da região do Extremo Oeste em Saudades. Com pouca estrutura e experiência, algumas tentativas frustradas e alguns conselhos desacreditados, Altino Gerhardt, o Tino como é conhecido, insistiu em seu sonho e hoje voa no avião que ele mesmo construiu. 
Foto: Débora Ceccon/ O Líder 

A história de paixão por aviões de Tino é antiga, começou em 1986 quando fez seu primeiro avião sem nunca ter voado, sem nunca ter se quer visto um ultraleve de perto e baseado em uma revista e com um motor de moto, ele conseguiu fazer seu primeiro ultraleve voar, mas não por muito tempo. “Sempre gostei de avião, desde menino. Primeiro ultraleve que fiz eu nunca tinha visto um na minha frente, vi em uma revista fui lá e fiz o primeiro. Usei o motor de uma moto, ele voou, mas ainda bem que eu caí com ele, eu não tinha curso e conhecimento de nada em vôo”, revela. 

Depois de arrancar uma roda do primeiro ultraleve e cair com ele, Tino procurou o Aeroclube de São Miguel do Oeste em 2000 onde fez curso e aprendeu a voar. “Aqui é meu ninho, é aqui que eu aprendi a voar”, diz. E a paixão por aviões de Tino só cresceu, e no decorrer do tempo teve avião com motor de fusca e com motor de um Fiat Idea. Ao total foram quatro aviões e 11 panes que Tino enfrentou nas alturas. Ele brinca que se salvou em muitas lavouras com os ultraleves e pouco se feriu. “Um dia eu estava por cima de Pinhalzinho, no trevo da cidade se foi o motor, daí consegui planar e chegar até a pista”, recorda. 

Tino precisou de cinco anos para finalizar o avião inspirado em um projeto de um professor - Foto: Divulgação 

Momento de testar a máquina
“Aí vem a pior parte, quando você está indo para os finais, aí você sabe que tem que voar com ele” brinca ele. Na época Tino contratou um piloto de teste que ao iniciar o teste quebrou a bequilha (elemento do trem de aterrissagem que suporta o peso da traseira da fuselagem quando o avião está pousado no solo) e riscou a hélice cancelando o vôo teste. “Três meses eu ligando pra ele e ele não tinha tempo, eu já estava taxiando na pista e falei pra ele que se ele não viesse eu iria decolar, foi quando percebi que ele não iria vir, acho que ele amarelou”, brinca Tino. 

A partir de então, Tino começou a testar seu próprio avião, ele decolava e abaixava em frente por várias vezes. E em um dos dias convidou seus irmãos para acompanhá-lo até o aeroclube e assistir o vôo inaugural. “Eu não tinha coragem para decolar, quando vi eu subi muito e acabou a pista, daí tive que ir e fui. Eu tinha falado com várias pessoas, teve quem disse que se eu decolasse com esse avião eu iria me matar ou quebrar o avião. Me falaram pra eu não tentar, e eu estava lá em cima, eu tinha decolado! Dei uma volta grande e fui indo pra a pista, olhei para o velocímetro e ele estava em 200 quilômetros por hora, encostei no freio e ele ‘envidrou’, fiquei sem freio, faltou uns 5 metros para descer o barranco e no fim conseguir parar. Depois disso fiquei só voando”, recorda. 

Foto: Débora Ceccon/ O Líder 
Atualmente é formado como instrutor de vôo e curte seus vôos com o avião que ele mesmo construiu finalizado em 2011, modelo CB 10 Triátlon. O projeto do avião Tino comprou pronto de um professor em projetos, Claudio Barros de Minas Gerais e depois de pronto o avião passou por uma avaliação de um engenheiro aeronáutico. “Levei cinco anos para fazer ele. Construía ele fora de hora, depois do trabalho e pouco consultava o projeto que tinha várias páginas. Esse é feito em madeira, isopor e fibra. Não é um kit, ele foi feito desde a asa, todo modelado”, explica. Desta vez utilizou material aeronáutico bem como o motor que é aeronáutico, no caso de 180 CV, um dos poucos modelos com essa potencia de motor. 

Apaixonado por aviação Tino que é empresário e reside em Saudades utiliza o avião para lazer, passeios em aeroclubes, principalmente em São Miguel do Oeste, que foi onde aprendeu a voar com instrutores. Em Pinhalzinho cidade vizinha de onde mora ele foi um dos idealizadores do Aeroclube que ainda tem pista de chão batido.  

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Fonte: Débora Ceccon/ O Líder
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