COLISÕES EM POSTES - 07/08/2017 09:09

COLISÕES EM POSTES: Quem paga a conta?

No último final de semana, dois acidentes envolvendo colisão em postes deixaram a cidade sem energia elétrica e internet. Mas e aí, quem será que paga o prejuízo?
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Foto: Mauro Eskudlark / WhatsApp Wh3

No último final de semana, um acidente com colisão em poste trouxe grandes prejuízos a empresas e moradores das proximidades da Rua Willy Barth, em São Miguel do Oeste. Alguns serviços só foram reestabelecidos mais de 30 horas após o registro do acidente. Estas ocorrências têm sido registradas com frequência na via que ainda não recebeu os equipamentos de controle de velocidade, prometidos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Para entender quem paga a conta das trocas de postes e reestabelecimento dos serviços, a reportagem conversou com o representante da Celesc, Silas De Bona e da Mkanet, empresa de fornecimento de internet, Magnos Franzen de Souza. 

A cidade no escuro

PRF – Colisão em postes foram registradas nos últimos sábado e domingo, na Willy Barth

De acordo com Silas De Bona, essa foi a terceira vez no ano que o mesmo poste foi destruído em colisões. O transtorno e prejuízo são tantos que a companhia já estuda retirar a rede de alta tensão do poste. “Pensamos em retirar a rede daquele poste, porque é a terceira vez esse ano que acontece isso. Neste mês, por incrível que pareça, foram duas vezes. Estamos pensando em retirar esse poste, com isso, temos modificações a fazer na rede de alta tensão, porque justamente neste local a rede de alta tensão é um alimentador que fornece energia ao centro e proximidades da rodoviária. Quando há um sinistro, a gente transfere a rede para outros locais”, explica. 

De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), posto de Guaraciaba, apenas neste ano foram registrados 54 acidentes no trecho que compreende os quilômetros 65 a 71, na Willy Barth. Para o representante da Celesc, o agente causador é a alta velocidade somada à bebida alcoólica. Nessa equação, o resultado poderia ser fatal já que pelo local a rede energizada é de 24 mil volts.

“Final de semana as nossas equipes tem que ficar de sobreaviso, envolve bastante pessoas e o perigo de muitas vezes a rede de alta tensão ficar energizada e aí poderia ser um dano muito maior. O equipamento tem uma resposta de 0,3 segundos para cortar a energia, mas dependendo, a batida pode ocasionar que o poste não caia inteiro, podendo cair ligado, isso o equipamento não vê”, justifica. 

No final de semana, o trabalho da Celesc foi intenso para restabelecer a energia elétrica. Para isso a companhia precisou movimentar uma equipe empreiteira, além de pelo menos 10 pessoas da Celesc, incluindo técnicos. “Temos que movimentar uma equipe de empreiteiras que ficam de sobreaviso. Antes disso vem uma equipe de plantão, um técnico que vai definir qual o tipo de conserto e equipamento a ser substituído. Acaba envolvendo 10 pessoas da Celesc. À noite, o cuidado tem que ser redobrado porque a energia elétrica é um produto perigoso”, comenta.

Se colocado na ponta do lápis, de acordo com De Bona, a estimativa é de o prejuízo possa chegar a R$ 7 mil. Quando o envolve os transformadores, a conta pode quase que dobrar. Quem paga a conta é a pessoa envolvida no acidente. “A Celesc procura ser ressarcida dos danos. Se não for por via amigável, acionamos o setor jurídico. A cobrança não é imediata porque primeiro temos os danos materiais e o conserto. Nós recebemos reclamações. Muitas vezes, as pessoas têm danos nas suas casas recorrentes dos sinistros. Depois de vir todas as reclamações, somamos os danos do equipamento, mais as indenizações, aí enviamos a conta ao causador”, explica. 

E ao contrário do que a gente imagina, a área rural também representa um número grande de atendimentos à Celesc. Silas De Bona explica que os atendimentos geralmente envolvem queda de árvores sobre a rede de energia elétrica. “Na área rural isso acontece muito também. Na nossa região, existe uma ‘briga’ da Celesc com o eucalipto. Muitos agricultores derrubam essas árvores e acaba caindo encima da rede elétrica. O causador geralmente não avisa a Celesc, ele some, porque não quer ter prejuízo. Num sinistro desses, até encontrar o local onde aconteceu, leva até três horas. Até mobilizar a equipe, pode levar até seis horas. Isso acaba prejudicando toda a comunidade. O meu produto é a energia elétrica e a falta de energia causa muitos problemas”, conta.

Parte da cidade desconectada

Jucinei da Chaga / WH Comunicações – Silas De Bona e Magnus Souza falaram sobre o prejuízo no restabelecimento de energia e internet

A Mkanet, empresa de fornecimento de internet em São Miguel do Oeste, também fez hora extra no final de semana para solucionar os problemas decorrentes da queda do poste, após colisão na Willy Barth. Até que a internet fosse restabelecida, na segunda-feira (31), parte da cidade precisou ficar desconectada da rede mundial de computadores. De acordo com o proprietário da empresa, Magnos Franzen de Souza, o acidente destruiu cabos de fibra ótica e de transmissão de internet entre municípios.

“Para nós foi um estresse tremendo. Aconteceu que o cabo que atende o bairro Andreatta ficou completamente fora de operação. Tem outras operadores que também passam por ali. Tiramos o cabeamento daquele poste porque é a terceira vez que mexemos ali esse ano e dessa vez arrebentou muito. O pessoal comentou que ele não foi quebrado, foi arrancado, arrebentou muito o cabeamento. Fizemos cerca de 150 emendas em cabos no domingo”, relata. 

Apenas de material, o prejuízo da empresa chega a R$ 10 mil, valor que deve ser ressarcido pelo agente causador do acidente. Para restabelecer a conexão à internet, a Mkanet trabalhou com três equipes com hora extra. “O pior é o estresse. Boa parte do pessoal entendeu que a empresa estava trabalhando, mas tivemos uma enxurrada de ligações porque muita gente não sabia do acidente. Muitas pessoas precisavam trabalhar, estudar. Fizemos o possível para restabelecer, mas o transtorno aconteceu”, diz.

Equipamentos de controle de velocidade

O Líder – Arquivo - Os controladores de velocidade existiam nos dois sentidos da via quando a Willy Barth era de competência do município 

Em audiência em São Miguel do Oeste no início do mês de julho, o Diretor Nacional do Dnit, Valter Casemiro Silveira, se comprometeu a agilizar o processo de melhorias nas rodovias da região, sem deixar de enfatizar o entrave burocrático relativo tanto à BR-163 quanto à BR-282. Na Willy Barth, a série de acidentes envolvendo colisões em postes, sinaliza para a importância da instalação de equipamentos de controle de velocidade. 

A instalação deve ser providenciada pelo Dnit, já que a Willy Barth foi federalizada, passando à competência da União. Em entrevista nesta semana, o superintendente do Dnit de Chapecó, Diego da Silva, disse que os entraves burocráticos atrasaram também a licitação dos novos equipamentos. Apesar disso, a expectativa do órgão é que até o final do ano os controladores de velocidade voltem a ser instalados não só na Willy Barth, mas também em outros trechos da BR-163 e 282.

“Recebemos os registros sobre os acidentes nesse trecho. Temos medidas em relação a controle de velocidade, mas houve entraves de licitação, tivemos revogação de edital por conta de recurso de empresas, até uma última por intervenção do Tribunal de Contas da União e foi suspenso. Nos últimos dias, no entanto, recebemos a informação da conclusão desse procedimento. Esperamos que ainda nesse semestre finalizemos a contratação e a instalação de controladores. Já temos alguns previstos na BR-163 como um todo, além disso, medidas de sinalização, e também na BR-282”, justifica. 

Sobre as demais demandas relativas às BR’s da região, Silva disse que o Dnit está buscando “resolver as coisas em um curto prazo”. Enquanto os entraves burocráticos continuam atrasando o início das obras efetivas em ambas as rodovias, o superintendente explica que existem os serviços de manutenção, com o intuito de manter os trechos trafegáveis. “São contratos distintos. Temos o contrato de adequação de capacidade e restauração, e por outro lado, para manter a trafegabilidade, contratamos o serviço de manutenção. O contrato de manutenção hoje que envolve a BR-282 gira na ordem de R$ 8 milhões, num trecho de 92 quilômetros. O contrato da Sul Catarinense na BR-163 gira em torno de R$ 124 milhões, para 62 km”, finaliza.

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Fonte: O Líder/Camila Pompeo
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