OUTUBRO ROSA - 07/10/2017 09:09

OUTUBRO ROSA: “Aprendi a me amar mais, a dar mais tempo pra mim”, revela jovem sobre luta contra o câncer

Diagnosticada com câncer de mama aos 28 anos, Cleusa Regner enfrentou a batalha contra a doença e saiu ainda mais fortalecida
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Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

Aos 28 anos de idade, Cleusa Regner descobriu um câncer de mama. Ela não tinha sintomas e também não costumava fazer o autoexame, mas tinha a sensação de que alguma coisa ruim estava para acontecer. Em julho de 2016, veio o diagnóstico. Antes disso, um sonho sinalizou para os cuidados com a própria saúde e foi depois disso que a jovem resolveu fazer o toque. “Eu nunca fazia o toque, mas, sabe aquela intuição forte que temos de que algo está para acontecer? Sentia isso, e tive vários sonhos onde alguém me falava para fazer o toque na mama direita e ir ao médico. Depois de duas semanas que comecei a fazer o toque, senti um nódulo no quadrante superior da mama. Fui ao médico e depois de vários exames e biópsia se comprovou o câncer”, recorda.

Com um tipo de câncer mais agressivo e raro, o Triplo Negativo, Cleusa precisou passar por uma mastectomia radical. No procedimento, além da retirada de toda a mama, também são removidos os músculos e os gânglios da região da axila. Na região, o cirurgião implantou um expansor para que depois seja possível a colocação de próteses mamárias. Depois do impacto da descoberta, a jovem passou a enfrentar o câncer com mais leveza e força. Ela diz acreditar que a doença veio para lhe ensinar mais sobre si mesma e sobre a forma a qual levava a vida. A partir de então ela decidiu desacelerar. 

Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

“Acredito que o câncer vem para limparmos as sujeiras do nosso interior, e, eu estava precisando disso. Então, não importa se é agressivo ou não, se é raro ou não. O que importa é como que você lida com a situação. Eu acredito que minha vida tenha dado um giro de 360 graus em duas áreas: na profissional e na espiritual. Na profissional porque eu sempre fui muito elétrica com a minha profissão, tinha dois empregos e vários freelances”, conta.

Quando o tratamento começou, Cleusa se afastou do trabalho e passou a dedicar seu tempo para o que lhe fazia sentir bem. Ela relata que já era praticante do Reiki - técnica japonesa para redução do estresse e relaxamento – mas, acabou buscando mais terapeutas holísticos para ajudar na luta contra a doença. “Aprendi a me amar mais, a dar mais tempo pra mim e para as coisas que eu gosto, aprendi a falar mais o que eu penso. Quando você começa o tratamento, acaba tendo várias restrições, como não sair muito, não ficar muito perto de cães e gatos, não comer isso ou aquilo. Enfim, eu peguei e rasguei o papel das contraindicações. Se você pensar que vai te fazer mal, você vai ficar mal mesmo. Eu não ia passar seis meses me escondendo. Então eu saía muito, viajava muito, beijava muito os meus cães e faço isso até hoje, e acredite se quiser, estou viva ainda (brinca)”, menciona.

Na família de Cleusa, essa não foi a primeira vez que a doença grave foi diagnosticada. A mãe teve câncer no ovário e acabou falecendo. A filha sempre teve medo de passar pela mesma situação. Hoje, após o susto do diagnóstico, Cleusa reconhece a importância de reservar um tempinho para cuidar de si mesma. O tratamento pesado já terminou, o que continuam por algum tempo são os acompanhamentos para garantir que a doença não volte a aparecer. 

Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

“Eu fazia preventivo apenas, nunca fiz ultrassom de mama ou mamografia. Mas agora, sempre que as pessoas vêm falar comigo eu indico elas a fazerem, porque eu tive um anjo da guarda muito forte que me ajudou a descobrir, porém, caso o nódulo não estivesse tão aparente como estava, talvez ainda não tivesse descoberto. Passei por 17 quimioterapias em um período de 180 dias. Não precisei fazer radioterapia ou tomar medicamento. 

À princípio, meu tratamento terminou, só tenho acompanhamento a cada três meses”, diz. A queda do cabelo, para Cleusa, representou um desapego. Ela diz que nunca se importou com rótulos, por isso, essa fase do tratamento foi ainda mais significativa. “Posso dizer que sempre tive uma maneira diferente de ver a vida. Perdi o cabelo, mas eu ainda estava lá, entende? Eu era a mesma. Foi aí que percebi que a maioria das pessoas passa a vida toda tentando mudar o exterior, com plásticas, maquiagem, vivem a vida toda trabalhando para guardar dinheiro, enquanto que seu interior, sua essência, não recebe a mesma importância”, justifica. 

Para este final de ano, Cleusa já faz planos. Quer voltar ao trabalho e investir no aprendizado do Reiki. Como recado, ela reitera a importância do tempo e do cuidado com o espírito. “Usem pelo menos cinco minutos do seu dia para fechar os olhos e olhar para dentro de si, agradecer pelo dia e pelos ensinamentos. Na vida, tudo é aprendizado. Você não sabe o dia de amanhã, então trate a todos com muito respeito, isso inclui os animais e a natureza como um todo”, finaliza. 

A história de Cleusa, que descobriu a doença de forma prematura, não é mais uma exceção. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é de 60 mil novos casos por ano em mulheres cada vez mais jovens. No entanto, quanto mais cedo o diagnóstico, mais chances de cura. O movimento mundial "Outubro Rosa" chama atenção para essa realidade.

Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

PREVENÇÃO

Em São Miguel do Oeste, a Rede Feminina de Combate ao Câncer realiza gratuitamente atendimento às mulheres, com exames preventivos contra o câncer do cólo do útero. O atendimento é feito das 13h às 16h30. No sábado (14), a realização de exames ocorre das 8h às 12h. A ação acontece em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e Saúde da Mulher e faz parte da Campanha Outubro Rosa. No caso do câncer do colo de útero, a vacinação, em conjunto com o exame preventivo (Papanicolau), se complementam como ações de prevenção. Mesmo as mulheres vacinadas, quando alcançarem a idade preconizada, deverão fazer o exame preventivo periodicamente, pois a vacina não protege contra todos os subtipos oncogênicos do HPV. Para o câncer de mama, a orientação é que a mulher faça a autopalpação das mamas sempre que se sentir confortável. A detecção precoce do câncer de mama pode também ser feita pela mamografia.


Fonte: O Líder/Camila Pompeo
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