AGRICULTURA - 16/10/2017 13:44

Colheita do trigo começa com queda na produtividade e na qualidade do grão

Colheita da primeira cultura da safra 2017/2018 não apresenta bons resultados para os produtores rurais, com a menor produtividade dos últimos 10 anos
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Foto: Carine Arenhardt/WH Comunicações
A família Honaiser possui lavoura de trigo com 140 hectares de área plantada na Linha Nova Brasília, interior de Maravilha, e deve iniciar a colheita nos próximos dias. Conforme Rudimar Honaiser, que plantou a lavoura junto ao pai, Albano, e o irmão Delmar, mesmo que a colheita ainda não tenha iniciado, a queda na produtividade já pode ser confirmada para esta safra em comparação ao ano 2016. 

O plantio foi de 15 a 20 de junho e logo no início a cultura já sofreu com a estiagem. Rudimar destaca que as últimas áreas plantadas precisaram germinar sem chuva, o que prejudicou a uniformidade da planta. O registro de uma forte geada no mês de julho castigou mais um pouco a cultura, mas não chegou a gerar prejuízos consideráveis. Nos meses de julho e agosto, e até mesmo no fim de setembro, os índices de chuva também não foram suficientes para garantir uma boa safra de trigo. 

“A gente sabe que vai ter redução de produtividade, mas não consigo avaliar bem antes de colher. Visualmente dá para ver que perdeu, mas a real situação vamos ver quando colher”, relata Rudimar. Para ele, além de ser uma cultura de risco, o preço pago para o trigo nos últimos anos também não ajuda o produtor. Rudimar afirma seria preciso uma garantia mínima de preço aos produtores, que atualmente só ficam sabendo quanto vão ganhar pelo grão no momento da venda. 

A colheita do grão, que começou na semana passada, deve se intensificar nos próximos dias. A preocupação agora é com o excesso de chuva, o que pode tardar a colheita e comprometer a qualidade do grão nas lavouras. O trigo é considerado uma cultura de risco e as condições climáticas neste ano não colaboraram durante todo o ciclo de produção. Conforme o engenheiro agrônomo e técnico agrícola Jian Marlon Sachett, da Cooperativa Auriverde, a queda em produtividade neste ano afeta todas as lavouras de trigo da região. 

Sachett afirma que a média de produtividade por hectare deve ser de 45 a 50 sacas. As “melhores lavouras” devem alcançar um índice de 60 sacas por hectare, número que ainda é muito abaixo do registrado na safra anterior, que foi de 95 sacas. Conforme levantamento feito pela Emater, a safra 2017 de trigo apresenta o menor índice de produtividade dos últimos 10 anos. A qualidade dos grãos, numa média geral, também deve ficar abaixo dos números de 2016.

Já as projeções da Epagri para Santa Catarina apontam que a safra deste ano apresenta queda de 30% em relação a 2016. A produção catarinense de trigo deve ser de 163,4 mil toneladas, contra 229 mil toneladas colhidas em 2016. A queda na produção de trigo também pode ser explicada pela redução na área plantada, que passou de 69 mil hectares para 50,9 mil hectares este ano, queda de 26%. Enquanto produtores brasileiros diminuem a área, o país segue com importações do grão para suprir a demanda interna. 


Fonte: Carine Arenhardt/WH Comunicações
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