DEBATE - 23/10/2017 15:36

Audiência vai debater sobre uso de celular nas salas de aulas

A psicopedagoga e secretária de Educação de São Miguel do Oeste, Rosane Pelissari, considerou a situação polêmica. Ela diz que na rede municipal de ensino alguns professores apoiam a ideia e outros ainda estão inseguros
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Foto – Camila Pompeo/O Líder - Um projeto em tramitação pretende liberar a utilização para fins pedagógicos

Em tramitação na Alesc pode liberar a utilização de celular em sala de aula, desde que para fins pedagógicos. O PL de autoria do deputado estadual, Antônio Aguiar (PMDB), está parado na Alesc desde abril, quando foi recebido pelo relator, o deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT). Uma audiência pública deve ser realizada para discutir o assunto. Hoje, o uso do celular nas escolas catarinenses é proibido por lei estadual. 

Em março deste ano, o Jornal O Líder debateu o tema. A psicopedagoga e secretária de Educação de São Miguel do Oeste, Rosane Pelissari, considerou a situação polêmica. Ela diz que na rede municipal de ensino alguns professores apoiam a ideia e outros ainda estão inseguros. “Deve ser uma ferramenta usada de forma moderada, equilibrada e consciente, tanto para o profissional que vai usar a ferramenta, como para o aluno que também vai ter a disposição a ferramenta. É preciso analisar com calma e propor ajuda para os profissionais de como fazer esse uso adequadamente”, opina. 

Inseguros também ficaram os professores da rede estadual. “Com certeza toda a mudança gera desconforto. Desde quando recebemos as novas tecnologias, implantadas ao longo dos anos nas escolas, sempre tivemos algumas resistências pela falta de habilidade de algumas equipes de lidar com essas tecnologias. Não pode haver um descontrole, daqui a pouco os professores poderão ter problemas de limites que vão afetar toda a comunidade”, avalia o supervisor de gestão escolar da Gerência Regional de Educação, Paulo Kochen.

O supervisor de gestão destaca ainda que é autonomia de cada escola definir seu projeto político-pedagógico. “Temos que dar autonomia para as escolas. Dentro da Rede Estadual de Ensino temos 19 escolas e cada um tem uma forma de trabalho. Cada escola tem as suas especificidades e neste momento cabe à esquipe pedagógica de cada escola, junto com os profissionais, definirem as melhores formas de trabalho. Como o celular pode ser usado, em que momento, qual a turma a iniciar esse trabalho?”, argumenta.

Com tecnologias cada vez mais inovadoras é quase óbvio que somente a lousa, giz e os cadernos não sejam mais suficientes para manter a geração motivada e interessada em aprender. Para a secretária, no entanto, o método tradicional de ensino ainda é uma das melhores e mais eficazes formas de aprendizagem. “A nossa preocupação é em relação a fazer o aluno pesquisar pelo livro. A aprendizagem acontece pelo palpável. A leitura do livro é feita cognitivamente de uma forma diferente que o celular. As informações que o aluno tem na internet podem ser verdadeiras ou equivocadas, de sites que não são reais. Há várias possibilidades de uso do celular fora da escola”, observa.

O supervisor de gestão escolar da Gerência Regional de Educação, Paulo Kochen, acrescenta que uma das maiores preocupações é quanto aos limites do uso do aparelho se este for liberado. “Pense em uma turma de 30 alunos, o professor encaminha uma atividade de pesquisa, mas como vai ter controle se o aluno está pesquisando ou acessando uma rede social? Em algumas escolas, o aluno só utiliza o celular no momento que o professor autoriza. Vejo como uma ferramenta pedagógica importante mais dentro de uma ampla discussão entre a comunidade escolar e os pais. Os professores precisam estar preparados e conscientes do uso dessa ferramenta”, finaliza.

Fonte: O Líder/Camila Pompeo
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