APOIO NA MATERNIDADE - 30/10/2017 10:21

Presença das Doulas em hospitais e maternidades é assegurado por lei

Hospitais que impedirem a presença das profissionais, serão multados
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Na foto, a Doula Tailine Lima auxilia uma gestante em trabalho de parte no ambiente domiciliar - Foto: Arquivo Pessoal

O momento do parto traz para as mamães diferentes sensações. Algumas sentem mais dor, outras menos. E tem aquelas ainda que optam por trazer os filhos ao mundo por meio de uma cesariana. Seja da forma que for, a maternidade é uma experiência enriquecedora e cada vez mais discutida. Nos últimos anos, o parto humanizado também tem conquistado espaço entre as gestantes, levando para dentro de casa um ambiente preparado especialmente para aquele nascimento. É aí que entra o trabalho das profissionais conhecidas como Doulas. Você nunca ouviu falar? Calma aí, nós vamos explicar. 

Tailine Lima tem 26 anos de idade e trabalha como Doula. O trabalho dela começa bem antes da mamãe por os pés na maternidade ou decidir entrar em trabalho de parto no ambiente domiciliar. Durante toda a gestação, Tailine auxilia a gestante com informações que servem para que o casal possa fazer suas escolhas em relação ao momento do parto. Além disso, a profissional também presta apoio físico durante a gestação, ajudando com técnicas de relaxamento para que a gestante tenha uma melhor experiência nesta fase. Para realizar este trabalho, as Doulas realizam uma série de cursos e capacitações para estarem aptas a interagir e dar apoio físico e emocional à futura mamãe. 

“Sabemos que na gestação a mulher passa por muitas mudanças, tanto físicas como emocionais, então também trabalho a parte emocional com a gestante, prestando-lhe suporte 24h por dia, escutando-a e aconselhando-a com seus medos, expectativas e frustrações referente a gestação, o parto e o puerpério. Durante o acompanhamento do trabalho de parto, ajudo a parturiente a encontrar posições confortáveis durante as contrações, auxiliando com massagens, mostrando formas eficientes de respiração e propondo medidas naturais que podem auxiliar no alívio da dor, como banhos, massagens e técnicas de relaxamento”, explica.

Na foto, a Doula Tailine Lima auxilia uma gestante em trabalho de parte no ambiente domiciliar - Foto: Arquivo Pessoal

A melhor parte vem agora. Até então, as presença das Doulas dentro dos hospitais era confundida com a presença do acompanhante da gestante, geralmente o pai da criança. Ou seja, a mamãe teria que escolher entre o acompanhante ou a Doula. Atualmente, o trabalho das profissionais é regulamentado por lei. Com atraso de mais de um ano, a lei 16.869/2016, sancionada em janeiro, autoriza a presença das profissionais mediante solicitação das gestantes em maternidades e hospitais catarinenses. O detalhe, é que a partir de agora a presença das Doulas não se confunde com a presença do acompanhante.

A Lei das Doulas obriga maternidades, casas de parto e hospitais da rede pública e privada a permitir a presença dessas profissionais durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, sempre que solicitadas pela parturiente. “Acredito que com a Lei, o conhecimento e o entendimento sobre a atuação das Doulas seja melhor compreendido tanto pela sociedade, quanto pelos profissionais envolvidos com a assistência ao parto. Para as Doulas, esta lei é mais uma vitória, de tantas que temos ainda pela frente, para que nossa profissão seja melhor vista. Quem mais se beneficiará com esta lei, são as gestantes, que terão ao seu lado, além de seu acompanhante, uma Doula para acompanhá-la neste momento único em sua vida, e ajudá-la a passar por esta experiência da melhor maneira possível”, menciona Tailine.

Para os hospitais que descumprirem a legislação e barrarem a presença das profissionais, um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina altera o artigo sobre as sanções previstas. O texto, que ainda aguarda sanção, prevê o pagamento de multas a partir de R$ 2 mil para estabelecimentos que impedirem o acesso das profissionais na hora do parto. Para Tailine, ainda existe desconhecimento sobre exatamente em que consiste o trabalho de uma Doula por parte dos profissionais da obstetrícia.

Ela salienta que sua atuação, em específico, é realizada em sua maioria no ambiente domiciliar, por isso, sua experiência com equipes médicas hospitalares ainda é vaga. No entanto, justifica que a Doula, muitas vezes, é confundida com uma Enfermeira-Obstetra (Parteira), comparação que é equivocada. “A Doula não faz, de maneira alguma, procedimentos técnicos como aferição de pressão arterial, exame de toque, ausculta de batimentos cardíacos fetais, entre outros que são de responsabilidade da equipe médica ou de enfermagem. Durante o pós-parto imediato, permaneço com a gestante e seu acompanhante e auxilio com os primeiros cuidados com o recém-nascido, favorecendo o vínculo mãe-filho e a amamentação na primeira hora de vida”, argumenta.

Fonte: O Líder/Camila Pompeo
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