Amigos da Deisy - 14/11/2017 09:51

O amor pelos animais que faz bem

“É muito difícil receber ajuda, a gente vai dando a volta, às vezes não sei nem como consigo pagar, acho que tem alguém me olhando lá de cima”, Daiana Deisy Bruckmann
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Fotos: Grupo WH Comunicações 
A única esperança para uma vida melhor para muitos cães e gatos abandonados ou que sofrem maus tratos está nas mãos de poucos voluntários apaixonados por animais. Daiana Deisy Bruckmann de São Miguel do Oeste é uma dessas pessoas que dedica amor e atenção aos animais de rua e muda o destino de muitos. Daiana que tem uma vida profissional e pessoal divide seu tempo entre o trabalho, a família, os amigos e, claro, os bichinhos de quatro patas que não são poucos.

"Faz uns 16 anos que eu comecei a tratar e resgatar animais de rua, eu era adolescente ainda e foi aos poucos. Na época nem veterinários existiam na minha cidade, muito menos acesso à internet, redes sociais e sua infinidade de informações. Ainda assim, tratava¬ os animais com medicação humana”, revela. Neste tempo todo foram mais de 70 animais acolhidos e doados. E o amor de Daia pelos animais só foi aumentando, tanto que atualmente conta com 15 cães em casa em um canil preparado para abrigar a todos com 2.500metros quadrados de grama para os animais e uma estrutura de abrigo. 

Quando ela começou a fazer esse trabalho voluntário morava ainda em apartamento e as doações de cães eram feitos de porta em porta. Seu grande sonho era morar em uma casa em local retirado para construir um canil, que começou com quatro cães e foi aumentando até chegar aos atuais 15 cães. E em todo o tempo que desempenhou esse trabalho de voluntariado pelos animais Daia colecionou histórias impressionantes, muitas tristes e outras engraçadas. Porém, a grande maioria são de momentos de muita gratidão. Cada cãozinho que Daia tem em sua casa tem um passado triste registrado em muitas fotografias que confirmam que ao mesmo tempo em que o ser humano é capaz de abandonar e maltratar, por outro lado é capaz de recuperar e trazer vida nova aos animais. 

Cada cãozinho que Daia tem em sua casa tem um passado triste registrado em muitas fotografias que confirmam que ao mesmo tempo em que o ser humano é capaz de abandonar e maltratar, por outro lado é capaz de recuperar e trazer vida nova aos animais- Fotos: Grupo WH Comunicações 
A felicidade nas adoções 
Para ela que busca recuperar animais abandonados ou que sofreram ou sofrem maus tratos e conseguir adaptá-lo em uma nova família é seu momento mais feliz. “Neste momento, toda sua dedicação é recompensada. É muito gratificante ter o poder de transformar para melhor a vida não só do animal, que já passou muito frio e fome, mas das pessoas. É incrível como um bichinho pode trazer tanto amor e felicidade para aqueles que souberem aproveitar esse carinho gratuito. Quando você descobre o que os animais podem fazer por você, só assim entende a mágica”, revela. 

Quando alguém tem interesse em adotar, Daia diz que estuda o perfil da pessoa (se é casado, se tem filhos e de qual idade, profissão, se gosta de passear, se viaja muito, condições financeiras...). “Não adianta querer um cão se o seu perfil é para ter um gato. E não me diga que não gosta de gatos! Só não gosta de gatos quem nunca teve um, sempre digo, porque eles são incríveis. A adaptação deles demora pelo menos 30 dias. Às vezes um pouquinho mais. Mas isso é a mesma coisa com o bichinho que você compra. Então faço acompanhamento do animal por muito tempo, e mantenho contato sempre que possível. Faço visitas, mas principalmente: jamais repasso algum animal sem estar castrado”, salienta. 

Amigos da Deisy
Apesar de Daia custear todos os custos com tratamento, castrações e ração, ela também tem contado com algumas doações. “É muito difícil receber ajuda, a gente vai dando a volta, às vezes não sei nem como consigo pagar, acho que tem alguém me olhando lá de cima”, revela. Com uso das redes sociais para divulgação Daia criou uma marca, com um perfil no Facebook, Amigos da Deisy. O objetivo é criar uma linha de produtos para colaborar com os custos de vários protetores de animais. 

“Deisy é meu segundo nome, e foi o nome que escolhi para minha cachorrinha que foi abandonada prenha perto da minha casa. Hoje ela é minha mascote”, conta. Daia além de ser uma voluntária auxilia a muitos voluntários, inclusive pessoas que nem mesmo conhece, e, quando recebe doações e não precisa, ela repassa para outros voluntários auxiliar mais animais. Na sua equipe conta com o apoio do esposo Peterson e da irmã Daniela, mas principalmente dos protetores amigos Giovane Haas e Sandra Fontana. E somos uma força um pro outro. 

Os pedidos de ajuda que chegam 
Daia recebe muitos pedidos de ajuda e chamados de pessoas para salvar ou ainda abrigar algum animalzinho. Alguns até já foram abandonados na porta de sua casa, outros encontrados na rua sem condições de caminhar e ainda se alimentando em lixeiras.  Mas ela como voluntária também ressalta que qualquer pessoa pode acolher provisoriamente, fazer o tratamento necessário e, se não quiser adotar pode providenciar um novo lar para aquele animalzinho. Ela observa que há muitas formas de ajudar os animais de rua, com um abrigo, acesso a comida e água e, principalmente, auxiliar com a castração.

“As ONGs e protetores estão esgotados. A situação delas é muito triste. São tantos animais resgatados, que eles acabam se tornando prisioneiros, já que a maior parte jamais sairá de lá, infelizmente. Recebo, também, muitas denúncias de maus tratos. A maioria das vezes falta apenas orientação: ofereço ajuda com casinha, coleira, ração. Qualquer pessoa pode fazer isso”, salienta. Daia diz que nunca se identifico como protetora, apenas chega oferecendo ajuda. Em alguns casos, naqueles em que a pessoa realmente não poderia ou não deveria ter um animal, devido à falta de entendimento, Daia revela que acaba comprando o animal por R$ 10, R$ 15 e até R$ 50. Ela revela que muitas vezes é preciso de ajuda policial. “Já conseguimos condenar dois proprietários por maus tratos. Uma das vítimas era uma matriz para reprodução de filhotes de ChowChow. Hoje ela é meu anjo da guarda”, diz.  

Perola
Fotos: Arquivo Pessoal 
A Perola que está com a Daia foi resgatada de um criador clandestino, uma matriz da raça ChowChow,  que posteriormente fora condenado por maus tratos. Ela estava doente, e ainda assim servia para procriação. Nem abrigo nem alimentação adequada a mesma possuía. Na seqüência das fotos: dia do resgate, 20 dias depois e em 2017. Ninguém teve interesse em adotar a Pérola, que ficou meses a disposição. 

Boris 
Fotos: Arquivo Pessoal 
Foi resgatado se arrastando no centro da cidade, não caminhava e aparentemente jamais havia sido tosado. Após tratado, voltou a caminhar. A expectativa de vida dele superou os 6 meses iniciais, e sobrevive até hoje, 3 anos depois. Estima-se que tenha mais de 17 anos de vida. Acredita-se que jamais foi adotado por ser velho, preto e fora dos padrões de beleza exigidos. 

Chico 
Fotos: Arquivo Pessoal 
“O Chico fora abandonado em frente a minha casa. No dia do meu aniversário”. Poodle velho e cego, voltou a enxergar após alimentação adequada. A transformação sempre acontece também com o comportamento, e tornou-se muito dócil após receber amor. 
Superando a expectativas, após meses ele conseguiu uma família muito especial da Solange Flach e hoje pode até dormir no sofá. 

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Fonte: Débora Ceccon/ O Líder
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