SAÚDE - 05/02/2018 09:18 (atualizado em 05/02/2018 15:41)

Pai segura filho no colo pela primeira vez após um ano do diagnóstico de Guillain-Barré

Infectologista explica quais são as causas, os sintomas e o tratamento da doença
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Esposa gravou momento em que o filho Henrique ganhou colo do pai após um ano de tratamento - Foto: Arquivo Pessoal

Aos 39 anos, o caminhoneiro Adilson Borba precisou reaprender tarefas simples, como ir ao banheiro e trocar de roupa sozinho. Acostumado à viajar pelo país, ele precisou estacionar o caminhão e focar no tratamento depois que uma paralisia severa do corpo levou ao diagnóstico de Síndrome Guillain-Barré. Os sintomas começaram com formigamento pelo braço, depois nas mãos e por último, nas pernas. “Não dá dor nenhuma, só depois que você não se mexe mais”, recorda.

Em abril do ano passado, a reportagem do Jornal O Líder contou a história do caminhoneiro em uma batalha para recuperar os movimentos, por meio de sessões quase diárias de fisioterapia. Menos de um ano depois, as notícias são as melhores. A esposa, Caciane, conta que o marido já fica em pé sozinho e que se locomove com a ajuda de muletas. Apesar disso, em algumas tarefas simples, Adilson ainda necessita da ajuda da família.

“Estamos ensinando ele a tomar banho em pé. Ele já tem mais força nos braços e pernas, está fazendo musculação e fisioterapia na Unoesc, fornecido pela Secretaria da Saúde de São Miguel do Oeste, três vezes na semana. Ele melhorou muito, sabemos que tem muito ainda pela frente até ganhar força pra ficar em pé e caminhar sem ajuda, voltar ao trabalho. Não sabemos ainda o que poderá fazer. Já estou ensinando até a lavar a louça e varrer”, brinca.

Desde que a paralisia afetou seus movimentos, o momento mais emocionante da recuperação do marido foi assistido e gravado pela esposa como recordação. Adilson, enfim, conseguiu segurar o filho Henrique no colo pela primeira vez após a doença. “Pegar o Henrique no colo e caminhar com ele foi muito emocionante. Tenho certeza que vai conseguir se recuperar, ele tem muita força de vontade pra tudo”, menciona.

Adilson ainda toma medicamentos para restabelecer os músculos. Por conta dos gastos com o tratamento, a esposa precisou encontrar fontes de renda e passou a produzir massas e bolachas pra ajudar nas despesas da casa.

“Estamos falando de uma síndrome rara”, diz infectologista 

Morte de jovem de 17 anos em São Miguel do Oeste após diagnóstico comoveu a comunidade e gerou dúvidas sobre as causas da doença 

A médica infectologista, Priscila Garrido - Débora Ceccon / O Líder

A chamada Síndrome de Guillain-Barré está cada vez mais em evidência no país. O número de casos da doença vem crescendo, e muita gente ainda não conhece as causas, sintomas e o tratamento da doença. Na última semana, a morte de uma jovem de 17 anos em São Miguel do Oeste após o diagnóstico de Guillain-Barré comoveu a comunidade. 

Conforme a médica infectologista, Priscila Garrido, a doença é geralmente desencadeada por um processo infeccioso ou por situações de estresse fisiológico. “O mais comum são infecções virais como a mononucleose, citomegalovírus, influenza e o Zika também. Uma situação de estresse do organismo, fisiológico que acaba desencadeando”, explica.

A médica salienta que os sintomas iniciam com a perda de sensibilidade, formigamento nos membros inferiores e, em sequência, perda de força. A sensação vai ocorrendo dos membros inferiores para o tronco, o que vai progredindo até surgirem outros sintomas neurológicos. Em casos mais graves, a doença pode causar paralisia total do corpo. 

“A tendência, nos casos mais graves, é que a paralisia vá subindo dos membros inferiores para o tronco e aí acaba paralisando a musculatura respiratória, que é quando o paciente necessita de ventilação mecânica. Além disso, outros tipos de sistemas do organismo são afetados, o organismo não consegue mais corresponder ao que está ocorrendo”, esclarece. 

Priscila lembra que os sintomas da infecção podem estar associados, mas também podem ocorrer vários dias antes do diagnóstico da Síndrome Guillain-Barré. A doença tem tratamento, mas pode levar à morte nos casos mais severos.  

“Existe um tipo de tratamento com o uso de imunoglobulina. É um anticorpo que vai combater essa reação exacerbada do organismo. A mortalidade não é tão elevada, muito menos a incidência. Estamos falando de uma síndrome rara. Não é o vírus, nem a bactéria em si que provoca. Ela é desencadeada pelo próprio sistema imunológico, que acaba gerando uma resposta inflamatória tão exacerbada que acaba desencadeando esse tipo de sintomas. É uma doença que pode ser fatal, principalmente em alguns casos ou se não tratada precocemente”, explica. 

O diagnóstico é clínico, com exames, avaliação do médico, análise da história e dos sintomas. Apesar da agressividade da doença, a infectologista explica que é possível a recuperação total do paciente. Em alguns casos, a recuperação pode levar meses. “A maior parte dos pacientes recupera. A tendência é que seja diagnosticado em breve, seja feito o tratamento e essa recuperação ocorre em dias, semanas ou meses. Pode deixar sequelas, mas a tendência é sempre de recuperação por um tempo mais prolongado, mas sim de recuperação”, finaliza.  


Fonte: O Líder/Camila Pompeo
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