Libertadores 2020 - 16/09/2020 06:31

Busca pelo tetra: Grêmio enfrenta a Católica na volta da Libertadores

Equipe de Renato Portaluppi retoma competição continental nesta quarta-feira
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Em busca do tetra, o Grêmio retoma sua caminhada na Libertadores nesta quarta-feira à noite diante da Universidad Católica, no Chile, tentando reencontrar o futebol que lhe deu o tri, há três anos. O time terá seis desfalques de titulares ou potenciais, entre lesionados e suspensos, o que aumenta o trabalho que Renato Portaluppi tem pela frente. 

Apesar dos problemas, o jogo das 21h30min pode significar uma mudança no cenário da equipe, que vem sendo criticada por maus desempenhos em partidas do Brasileirão. Esse grupo de jogadores já deu mostras de que consegue dar a volta por cima em momentos turbulentos e criou casca para competições mais curtas. 

Do outro lado, um adversário necessitando de vitória, mas em boa fase no campeonato local tenta manter vivas suas chances na competição.  Por isso, GZH apresenta três motivos para ter otimismo no retorno ao torneio e três razões para redobrar a atenção.

Três motivos para otimismo 

1 — Grêmio de Renato já mostrou poder de reação 
Entre 2017 e 2018, boa parte do Brasil elogiou o Grêmio como o melhor futebol do país. A equipe de toques envolventes deixou analistas e torcedores encantados, principalmente por não perder o ofensivismo mesmo quando abria vantagem. 
O time dos dois últimos anos, se não tem repetido o desempenho, ao menos manteve uma característica: soube reagir nos piores momentos. Em 2018, a traumática eliminação para o River Plate na semifinal da Libertadores não abalou os jogadores, que buscaram forças para conquistar os pontos que precisavam para ficar entre os primeiros no Brasileirão. 
No ano passado, as quedas para o Athletico-PR na Copa do Brasil e a goleada sofrida para o Flamengo tiveram resposta imediata no campeonato nacional. Até mesmo em 2020, os melhores momentos do time foram os que se sucederam às críticas mais contundentes. 
— Renato dá casca para o time. É uma equipe experiente, que passou por momentos ruins, já retomou desempenhos melhores e está se reencontrando — opina o ex-meia Osvaldo, campeão da América com o Grêmio em 1983. 

2 — O time tem resultados melhores fora de casa
Se na Arena a equipe não vence desde o Fluminense, na primeira rodada do Brasileirão (e já se vai um mês e meio), fora de Porto Alegre o time tem obtido resultados melhores. Está invicto, inclusive, no Brasileirão e conseguiu sua vitória na Libertadores jogando em Cali, diante do América. 
Mesmo que as partidas ocorram sem torcida, o fato de jogar em casa dá ao mandante, até inconscientemente, um pouco mais de coragem para atacar, ao passo em que o visitante, naturalmente, se defende mais. É contra as equipes mais fechadas que os comandados de Renato Portaluppi têm passado mais dificuldade. 
— Isso é reflexo de um time que sabe o que quer, que tem personalidade e que há muito tempo mantém o mesmo treinador. Os jogadores acreditam no comando e acabam passando por cima do fator local — analisa o ex-volante Luís Carlos Goiano, campeão da Libertadores de 1995.

3 — Pressão na Universidad Católica 
A Universidad Católica entra na partida no modo desespero. Em dois jogos na Libertadores, perdeu ambos (para o Inter no Beira-Rio e para o América de Cali em casa). Um novo mau resultado pode significar a eliminação precoce de um time que acreditou em boa campanha, contratou um técnico experiente, Ariel Holán, e tem jogadores com rodagem, como Puch e Zampedri. Por isso, o importante é resistir a uma provável pressão inicial que os chilenos vão fazer e se aproveitar da ansiedade para golpear.

Três motivos para se preocupar 

1 — Time atravessa momento de resultados e atuações ruins
Dos quatro anos de Renato como treinador, a serem completados no final da semana, sem dúvida o 2020 é o de maior contestação. O treinador passa por turbulência e, sem a presença de público, as redes sociais se transformam no termômetro. São frequentes os comentários de torcedores irritados com o desempenho do time. Passadas 10 rodadas do Brasileirão (nove para o Grêmio), a equipe está na 12ª posição, atrás de rivais menos poderosos como Ceará, Fortaleza e Atlético-GO. Mesmo se vencer o jogo atrasado, não ingressa no G-6.
— Pelo que tenho observado, o Grêmio parece perder rendimento no segundo tempo. Isso pesa no futebol, a equipe que tem mais condição física pode levar vantagem se você não faz gol no início — acrescenta Osvaldo.
O desempenho também tem sofrido contestações. A equipe exagera nos cruzamentos buscando Diego Souza e não teve outras soluções ofensivas em partidas recentes. Para piorar, a defesa, pilar do time, tem vazado mais do que antes. Assuntos para Renato resolver com urgência. 

2 — Desfalques em todos os setores
Victor Ferraz, Kannemann, Maicon, Jean Pyerre, Everton e Pepê seriam, se não titulares, ao menos fortes candidatos para começar a partida diante da Universidad Católica. Mas todos estão fora do time, por razões médicas. Pepê, além de tudo, ainda está suspenso pela expulsão no Gre-Nal da segunda rodada. Sem meio time (Paulo Miranda, reserva, é o outro desfalque), o treinador terá de se desdobrar para montar uma equipe que enfrente os chilenos.
Sem Maicon e Jean Pyerre, a dupla mais criativa, capaz de passes que desmanchem defesas, o Grêmio tem passado trabalho. Os substitutos não têm as mesmas condições técnicas e acabam limitando o repertório ofensivo. O Grêmio fica previsível e acaba anulado pelos adversários.
— Maicon e Jean Pyerre oferecem um tipo de jogo com mais posse de bola, mais criatividade. Sem eles, Renato precisa usar outras peças. Os escolhidos, mesmo que não tenham essa qualidade técnica, podem oferecer outros mecanismos para fazer um jogo diferente, mais direto. Mesmo sem jogadas brilhantes, pode aparecer um time mais operário — diz Goiano. 

3 — Boa fase do adversário
O futebol, no Chile, retornou em 29 de agosto. Naquele dia, a Universidad voltou a jogar depois de cinco meses e meio (e até perdeu, para o Unión Española). Mas depois desta derrota, o time emendou três vitórias convincentes (goleadas por 4 a 1 no Coquimbo e por 3 a 0 no Audax Italiano, e 3 a 1 sobre o Huachipato). 
Verdade que são apenas quatro jogos desde a retomada, mas não é mais pré-temporada que vivem os chilenos, que lideram com folga o campeonato local (28 pontos de 33 possíveis). A equipe não perdeu jogadores na parada do futebol e conta com atletas experientes. Fará de tudo para se manter vivo na competição.

Fonte: Gaúcha ZH
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