UM MILAGRE CHAMADO MELINDA - 13/05/2019 16:49 (atualizado em 13/05/2019 17:12)

A história do bebê prematuro que contrariou a medicina e venceu a batalha pela vida: "Nunca perdi a esperança, eu não ia me despedir dela"

Com 29 semanas de gestação, Denize Lutz foi levada ao centro cirúrgico após entrar em trabalho de parto pela segunda vez. A filha, Melinda, nasceu prematura, enfrentou uma doença grave e deu novo significado à vida de todos à sua volta
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Fotos: Arquivo Pessoal
Aos oito meses de vida, Melinda distribui sorrisos. A fofura das bochechas e as dobrinhas encantadoras nas pernas e bracinhos escondem a história de luta da pequena guerreirinha que nasceu com 1.290 kg e 29 semanas de gestação. Hoje, a vida da mamãe Denize Lutz pulsa nova energia frente aos sorrisos da caçula e das outras duas filhas, Manuela, de 6 anos e Maria Luiza, de 12. Mas nem sempre foi assim. O início dessa história foi difícil e conta-la emociona até mesmo a quem transcreve.
A GRAVIDEZ
A pequena durante o período em que esteve na UTI Neonatal - Foto: Arquivo Pessoal
A descoberta da gravidez foi seguida de um grande susto, afinal, Denize não havia planejado engravidar. A gestação teve complicações sérias com perda de sangue e líquido amniótico e com 26 semanas, ela foi levada ao hospital de São Miguel do Oeste com uma hemorragia grave. De forma prematura, a futura mamãe entrava em trabalho de parto e, por isso, precisou ser encaminhada com urgência ao Hospital Regional do Oeste, em Chapecó.
“O trabalho de parto foi inibido com uma medicação que só podiam usar por 48 horas porque era muito forte e causaria problemas se usasse por mais tempo. Chegando lá, fiquei restrita ao leito sem poder levantar pra nada, nem mesmo pra ir ao banheiro ou tomar banho. A médica que me acompanhava no hospital me dizia que a cada um dia a mais na minha barriga, o bebê ficaria três a menos na UTI Neonatal. Assim eu consegui ficar por 15 dias”, recorda.
Denize depositou todas as forças e a fé na tentativa de manter o bebê seguro e confortável em seu ventre. Mas, no dia 1º de setembro, entrou em trabalho de parto mais uma vez, com 29 semanas de gestação. Denize foi levada ao centro cirúrgico sem nem saber o sexo do bebê, mas sabia: se fosse menina, se chamaria Melinda. 
“Eu não sabia o sexo do bebê porque como não tinha líquido, ela não se mexia então não tinha como ver. Antes de iniciarem a cesárea, me pediram que nomes eu gostaria de dar. Pra menina o primeiro nome que me veio a mente foi Melinda, dentro de mim eu sabia que era ela. Ela nasceu pesando 1290 kg, chorou e respirou sozinha, mas, já em seguida foi encaminhada à UTI Neonatal para os cuidados necessários porque nasceu muito cedo e ainda estava em formação”, conta.
Primeiro colo de Melinda após a cirurgia - Foto: Arquivo Pessoal
APÓS O NASCIMENTO
Logo após dar a luz, Denize ficou fraca e precisou passar por uma transfusão de sangue. Como acalento para o coração da mãe, os médicos disseram que Melinda seguia bem e que estava na UTI apenas para crescer e ir poder ir para casa. Infelizmente, no meio do caminho, a bebê foi diagnosticada com  “enterocolite necrosante”, uma infecção gravíssima que perfura e necrosa o intestino. Ali, iniciava a batalha da pequena Melinda pela vida e a mãe pôde segurá-la por mais tempo em seu colo, caso houvesse uma despedida. 
“O estado dela era muito grave tanto que me deixaram segurar ela pelo tempo que eu quisesse. Mas eu nunca perdi a esperança, eu não ia me despedir dela. Eu ia pra casa com ela no colo. Sabia que Deus e meus guias jamais iam me abandonar. Tive muito naquele dia, todos rezando por ela”, relembra a mãe.
Com a gravidade de seu quadro de saúde, Melinda necessitava passar por uma cirurgia de emergência. À mãe, foi apresentada a possibilidade de que o bebê não retornasse com vida. Mas Denize jamais deixou de acreditar na força da pequena guerreira que havia trazido ao mundo. 
“Nunca vou esquecer aquele domingo. Me chamaram e disseram que ela ia pra uma cirurgia de emergência da qual talvez ela não voltaria. Me agarrei a tudo naquele momento. Ela foi atendida por um médico maravilhoso que salvou a vida dela. Sempre digo que as mãos dele foram guiadas por Deus. Ela voltou da cirurgia bem estável. Um milagre, pois, só 20% dos bebês sobrevivem a essa infecção”, menciona.
A FORÇA DA FÉ
Melinda aos 8 meses de vida com a mamãe Denize - Foto: Arquivo Pessoal
Felizmente, Melinda voltou ao abraço quentinho e amoroso da mãe. Durante a cirurgia, foi realizado um procedimento para colocação de uma bolsa de colostomia e a partir de então, foram mais dois longos meses no hospital. No início do mês de novembro, com 2.380 kg Melinda e mamãe receberam alta e puderam voltar à São Miguel do Oeste. 
Oito meses após sua batalha pela vida, Melinda segue usando a bolsa de colostomia. O próximo desafio será uma cirurgia para remoção e religação do intestino. “Hoje seguimos em Chapecó para que ela tenha o tratamento adequado. Como minhas filhas estão em São Miguel com a minha mãe me divido aqui e lá. Meu coração se despedaça em mil de ficar longe, mas sei que é por um bem maior. Hoje Melinda está linda grande forte esperta e saudável, pesando 8,5 kg. Melinda nasceu lutando e luta sorrindo. Ela é o nosso milagre”, afirma.
No meio de toda a turbulência e da angústia do desconhecido, Denize contou com muito apoio e carinho. Pessoas de sua convivência e novos amigos formados dentro da UTI Neonatal foram fundamentais para que os momentos difíceis vivenciados ficassem apenas nas lembranças e muitos outros de alegria pudessem marcar a vida da forte família de mulheres.
“A equipe da UTI foi uma segunda família para nós. Tive muito apoio dos meus pais, dos avós paternos da Melinda, da minha prima Angélica que sempre que podia ia me cuidar no hospital e do Gustavo e da Susi, do Centro de Umbanda que eu frequento. Hoje sou outra pessoa, Melinda me ensinou muito. Me ensinou a não desistir, a não reclamar da vida, a ser menos egoísta, a ser uma mãe e um ser humano melhor”, finaliza.
Equipe da UTI Neonatal no dia da alta hospitalar - Foto: Arquivo Pessoal
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Fonte: Camila Pompeo / WH Comunicações
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