SAÚDE - 28/03/2020 18:50

'Se a gente sair andando todo mundo de uma vez, vai faltar pro rico, pro pobre', diz ministro da Saúde

Em entrevista que confirmou 114 mortes e 3.904 casos no país neste sábado (28), Mandetta reforçou necessidade de isolamento social em declarações que vão contra as de Jair Bolsonaro
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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta,atualiza dados em coletiva de imprensa sobre à infecção pelo novo coronavírus no Brasil Foto: Marcello Casal/ Agência Brasil
O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou neste sábado (28) a necessidade de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus no Brasil. "Se a gente sair andando todo mundo de uma vez vai faltar pro rico, pro pobre", ele disse.

A declaração foi feita durante entrevista para divulgar os novos dados do coronavírus no Brasil. São 114 mortes e 3.904 casos confirmados no país. A taxa de letalidade é 2,8% e São Paulo concentra 1.406 casos.

O balanço deste sábado acrescentou 22 mortes e 487 casos confirmados ao total. Este é o segundo maior aumento diário de casos no Brasil até agora. Na sexta-feira, foram 503 novas confirmações.

Necessidade de isolamento

Mandetta ressaltou a orientação de "a gente ficar em casa, parado", até que o poder público "consiga colocar os equipamentos na mão dos profissionais que precisam".

"Porque se a gente sair andando todo mundo de uma vez vai faltar pro rico, pro pobre, para o dono da empresa, para o dono do botequim, para o dono de todo mundo", disse Mandetta.

"Nós precisamos ter racionalidade e não nos mover por impulso neste momento. Vamos nos mover, como eu disse desde o princípio, pela ciência e pela parte técnica, com planejamento. Pensando em todos os cenários quando a gente fala de colapso, de sobrecarga, ou de sobreuso no sistema.", disse Mandetta.

"Agora vai ter que poupar o sistema de saúde. Agora não é hora de sobrecarregar o sistema de saúde, seja em nome do que for. Agora é hora de aguardar, vamos ver como essa semana vai se comportar, e nós vamos ter nessa semana a discussão dentro da Saúde para achar os parâmetros", ele disse.

A fala do ministro segue orientação da Organização Mundial da Saúde, que nesta quarta-feira (25) reforçou a importância de medidas de quarentena e de isolamento social para conter a tranmissão do vírus.

As declarações sobre o isolamento vão contra as do presidente Jair Bolsonaro. Na terça-feira (24), em pronunciamento em rede nacional de televisão, Bolsonaro criticou o pedido para que todos fiquem em casa.

"Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércios e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Por que fechar escolas?", Bolsonaro declarou.

Logística

O ministro ressaltou a necessidade de garantir a logística e o funcionamento dos serviços essenciais. "Se a gente não tiver uma logística, como é que a gente vai chegar com alimento no supermercado? As vezes, a pessoa pode ter o recurso, mas não tem a mercadoria, a mercadoria não chegou porque parou tudo.”

“Isso é uma medida que tem ser muito bem elaborada, tem que garantir alimentos nessas comunidades, a pessoa não consegue ficar na casa dela, geladeira fica vazia, o estômago fica vazio, ele pode sair dali pra entrar na casa de alguém, para forçar um supermercado", disse o ministro.

Isolamento articulado

O ministro ressaltou a necessidade de articular o isolamento e as ações com os governos estaduais e municipais. "Não existe quarentena vertical, horizontal. Existe a necessidade de arbitrar em determinado tempo qual o grau de retenção que uma sociedadade deve fazer", disse o ministro.
"O lockdown - parada absoluta ou total -, pode vir a ser necessário, em algum momento, em alguma cidade. O que não existe é um lockdown ao mesmo tempo, desarticulado. Isso é um desastre que vai causar muito problema pra nós da saúde", ele afirmou.

Liberar hospitais
O ministro defendeu o isolamento social para evitar o avanço da doença e também para evitar sobrecarregar os hospitais com outros tipos de atendimento.

"Quando a gente manda parar diminuem acidentes, traumas e aumentam leitos de UTI quando precisamos", disse o ministro. "Ou seja, mais um benefício quando manda parar, além de diminuir a transmissão".

Mandetta ressaltou o alto número de acidentes automobilísticos no Brasil, que leva a internações em hospitais por traumatismos.

"Há informações que nós estamos tendo de queda de até 30%, 40% até 50% do nível de taxa de ocupação dos leitos que antes estavam sendo utilizados para pessoas politraumatizadas. Mais uma razão pra gente gente diminuir bastante a circulação de pessoas", ele afirmou.

"É um efeito secundário benéfico, além do efeito de diminuir a transmissão", ele explicou.

Durante seu pronunciamento, Luiz Henrique Mandetta também disse que não tem covid-19. Ele afirmou que faz o teste com frequência e até agora todos deram negativo. 

Fonte: G1
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