VÍRUS MAIS FRÁGIL - 28/07/2020 10:15 (atualizado em 28/07/2020 10:22)

Pesquisa detecta mutação que deixa coronavírus mais frágil

Pesquisadores avaliam que a mutação chamada de D614G foi responsável por aumentar o número de estruturas que o vírus usa para invadir as células. Mas essas mesmas estruturas se tornaram alvos fáceis para os "anticorpos neutralizantes".
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Pesquisadores de Taiwan e da Austrália informaram ter detectado a primeira mutação significativa do novo coronavírus SARS-CoV-2. Mutação deixa o vírus mais frágil e é uma vitória para a humanidade.

Especialistas estudaram a estrutura genética do novo coronavírus pesquisando 106 variações registradas na base de dados em que estão compiladas leituras do seu código genético: 54 realizadas nos EUA, 35 na China, três na Espanha, duas no Brasil e uma na Austrália, Índia, Itália e demais países.

Uma mutação significativa foi encontrada na estrutura genética do vírus que infectou um paciente na Índia, em 27 de janeiro. A mutação limita a capacidade do patógeno se conectar com receptores ACE2 nas células do paciente. Portanto, a mutação deixa o vírus mais frágil e menos perigoso para o ser humano.

Especialistas também compararam a estrutura genética do novo coronavírus e do SARS, vírus que também gera complicações respiratórias e que se difundiu principalmente entre os anos de 2002 e 2003.

A estrutura genética do novo coronavírus é muito mais consistente, estável e menos susceptível a mutações do que a do SARS, demonstrou o estudo publicado no site bioRxiv.

De acordo com os pesquisadores, isso seria uma boa notícia, uma vez que a vacina contra a COVID-19, uma vez desenvolvida, poderá ser bastante eficaz.

"A relativa estabilidade do genoma do SARS-CoV-2 é um bom indicador para a luta contra a epidemia, uma vez que quanto menos mutações, maior a possibilidade de desenvolvermos rapidamente uma vacina", escreveram os pesquisadores.

Eles notaram que a mutação detectada no novo coronavírus é menos perigosa e os genes que codificam a proteína da espiga do vírus, que permitem sua ligação a células saudáveis do corpo do paciente, permaneceram os mesmos. Essas são justamente as proteínas nas quais a vacina deverá agir.

O novo coronavírus está incluído na categoria de patógenos que sofrem mutações de forma acelerada durante sua propagação. Isso seria um fator que agravaria a capacidade da ciência desenvolver rapidamente vacinas contra o vírus. A gripe sazonal, que sofre mutações praticamente a cada ano, é um exemplo desta categoria de vírus.

"Como o [novo coronavírus] ainda está se propagando mundialmente e, portanto, se acumulam cada vez mais informações genéticas, ainda precisamos acompanhar com atenção a dinâmica de sua evolução e mutação", notaram os autores.

"Nós descobrimos que o SARS-CoV-2 tem relativamente baixo ritmo de mutações, mas também detectamos que ele é capaz de mutar", pondera o texto.

Metodologia: 'falso vírus’

Para entender como uma possível vacina responderia a esta mutação, os cientistas usaram ratos, macacos e humanos. Primeiro aplicaram em alguns dos indivíduos um soro com anticorpos. Depois, colocaram no corpo deles um vírus modificado para conter apenas a proteína S do Sars-Cov-2, o que não expôs nem as cobaias nem os voluntários a riscos da Covid.

Eles perceberam que, nos indivíduos que receberam o soro, a mutação D614G teve mais dificuldade de acoplar o vírus na célula que seria invadida. Isso indica, segundo o estudo, que a linhagem do novo coronavírus que se tornou dominante deve ser mais suscetível a bloqueio dos anticorpos induzido pelas vacinas atualmente em desenvolvimento.

Fonte: G1, com informações do Leia já
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