
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julga nesta segunda-feira (21) o dissídio coletivo relacionado à greve dos trabalhadores dos Correios, iniciada em 10 de setembro. A sessão está prevista para começar às 13h30.
Entre os principais pontos que deverão ser analisados estão a legalidade da paralisação, as reivindicações apresentadas pela categoria e as condições relacionadas ao plano de saúde dos empregados.
Enquanto o julgamento não ocorre, uma determinação judicial estabelece a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a greve.
Plano de saúde é principal ponto de divergência
A discussão sobre o plano de saúde está no centro das negociações. Atualmente, segundo as informações divulgadas, os Correios atuam como mantenedores do benefício, assumindo a principal responsabilidade pelo custeio e pelos riscos da operação.
A proposta apresentada pela estatal prevê mudança nesse modelo, com os Correios passando à condição de patrocinadores. Representantes dos trabalhadores afirmam que a alteração poderia aumentar os valores descontados dos salários dos empregados.
Segundo Douglas Melo, diretor do Sintect-SP e da Findect, a principal reivindicação é a manutenção do atual modelo do plano de saúde.
Os Correios recorreram à Justiça após o início da paralisação, solicitando que a greve fosse considerada abusiva e que fosse garantida a continuidade dos serviços.
Paralisação provoca relatos de atrasos
Mesmo com a determinação de manutenção de 80% do efetivo, consumidores e vendedores têm relatado atrasos em encomendas, falta de atualização no rastreamento e dificuldades relacionadas ao reembolso de fretes.
Os Correios afirmam que as agências permanecem abertas e que adotaram medidas para minimizar os impactos da greve, incluindo a mobilização de empregados de áreas administrativas para atividades operacionais e a realização de mutirões de entrega.
Greve ocorre em meio à crise financeira da estatal
A paralisação acontece enquanto os Correios passam por um processo de reestruturação financeira. Conforme os dados apresentados pela empresa, a estatal registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre.
Os Correios também formalizaram pedido de garantia do Tesouro Nacional para buscar um novo financiamento de R$ 7 bilhões junto a bancos privados. Em dezembro de 2025, a empresa já havia contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões.
Outro ponto da reestruturação é um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV), aberto no fim de agosto para trabalhadores de unidades incluídas no programa.
Além do julgamento desta segunda-feira no TST, questões envolvendo o plano de saúde também estão sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). O processo trata de cláusulas de um acordo firmado após a greve do fim de 2025, com previsão de conclusão do julgamento até 25 de setembro.

