SAÚDE MENTAL - 05/01/2026 14:01

Psicóloga orienta sobre expectativas e frustrações no início do ano: “A perfeição não existe”

Gabriela Marim explicou diferença entre expectativa e idealização e destacou importância de aprender a lidar com frustrações
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A chegada de um novo ano costuma vir acompanhada de listas de metas: iniciar academia, mudar de emprego, abrir um negócio, começar uma dieta. Mas, para muitas pessoas, os planos acabam não saindo do papel. Para entender por que isso acontece e como lidar com as frustrações, a psicóloga Gabriela Marim falou sobre o tema em entrevista ao programa Atualidades, na manhã desta segunda-feira (5), na Rádio 103 FM.

Logo no início da conversa, a profissional destacou que criar expectativas é algo natural e necessário.

“A expectativa é o nosso desejo, a nossa vontade de que algo aconteça no futuro. Ela é importante porque coloca a gente para se mover”, explicou.

Gabriela chamou atenção, no entanto, para a diferença entre expectativa e idealização.

“Na idealização, eu crio algo na minha cabeça que tem que ser perfeito, exatamente como eu pensei. Ele é rígido, fechadinho. E a perfeição não existe”, afirmou.

Segundo a psicóloga, quando o plano idealizado não se cumpre exatamente como foi imaginado, surge a frustração — e aprender a lidar com ela é fundamental.

“Não tem como estar vivo e não se frustrar. A vida não vai acontecer exatamente como eu planejei ou desejei. A questão é: o que eu vou fazer quando isso não acontecer?”, destacou.

Gabriela também alertou para comportamentos comuns diante da frustração, como a autocrítica excessiva e a tendência de culpar os outros.

“Muitas vezes a gente pega o chicotinho e se culpa: ‘eu não presto para nada, errei de novo’. Em outros casos, a pessoa tira toda responsabilidade de si e terceiriza a culpa. Nenhum dos dois caminhos ajuda”, disse.
Para ela, o caminho saudável é o da reorganização: “Resiliência é reconhecer, sentir e se reorganizar para dar continuidade”.

A profissional reforçou ainda que pessoas têm diferentes níveis de sensibilidade emocional.

“Há pessoas mais sensíveis, que se desorganizam com mais facilidade e demoram mais para retomar. Essas podem precisar de mais apoio psicológico ou psiquiátrico, e está tudo bem”, observou.

Ao encerrar, Gabriela lembrou que metas e planejamentos são importantes, mas precisam ser flexíveis.

“Temos que planejar e ter expectativas, mas precisamos de abertura para entender que nem sempre vai acontecer do jeito que imaginamos — e tudo bem. O essencial é não parar a vida por causa disso”, concluiu.
Fonte: Marcos de Lima / Rádio 103 FM
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