A chegada de um novo ano costuma vir acompanhada de listas de metas: iniciar academia, mudar de emprego, abrir um negócio, começar uma dieta. Mas, para muitas pessoas, os planos acabam não saindo do papel. Para entender por que isso acontece e como lidar com as frustrações, a psicóloga Gabriela Marim falou sobre o tema em entrevista ao programa Atualidades, na manhã desta segunda-feira (5), na Rádio 103 FM.
Logo no início da conversa, a profissional destacou que criar expectativas é algo natural e necessário.
“A expectativa é o nosso desejo, a nossa vontade de que algo aconteça no futuro. Ela é importante porque coloca a gente para se mover”, explicou.
Gabriela chamou atenção, no entanto, para a diferença entre expectativa e idealização.
“Na idealização, eu crio algo na minha cabeça que tem que ser perfeito, exatamente como eu pensei. Ele é rígido, fechadinho. E a perfeição não existe”, afirmou.
Segundo a psicóloga, quando o plano idealizado não se cumpre exatamente como foi imaginado, surge a frustração — e aprender a lidar com ela é fundamental.
“Não tem como estar vivo e não se frustrar. A vida não vai acontecer exatamente como eu planejei ou desejei. A questão é: o que eu vou fazer quando isso não acontecer?”, destacou.
Gabriela também alertou para comportamentos comuns diante da frustração, como a autocrítica excessiva e a tendência de culpar os outros.
“Muitas vezes a gente pega o chicotinho e se culpa: ‘eu não presto para nada, errei de novo’. Em outros casos, a pessoa tira toda responsabilidade de si e terceiriza a culpa. Nenhum dos dois caminhos ajuda”, disse.
Para ela, o caminho saudável é o da reorganização: “Resiliência é reconhecer, sentir e se reorganizar para dar continuidade”.
A profissional reforçou ainda que pessoas têm diferentes níveis de sensibilidade emocional.
“Há pessoas mais sensíveis, que se desorganizam com mais facilidade e demoram mais para retomar. Essas podem precisar de mais apoio psicológico ou psiquiátrico, e está tudo bem”, observou.
Ao encerrar, Gabriela lembrou que metas e planejamentos são importantes, mas precisam ser flexíveis.
“Temos que planejar e ter expectativas, mas precisamos de abertura para entender que nem sempre vai acontecer do jeito que imaginamos — e tudo bem. O essencial é não parar a vida por causa disso”, concluiu.