A segurança digital deixou de ser uma preocupação exclusiva de grandes corporações e passou a fazer parte da rotina de empresas de todos os portes e também de pessoas comuns. O alerta foi feito por Solemar Böttcher, fundador da S-Next Cibersegurança, durante entrevista concedida ao programa Atualidades, da rádio 103FM.
Atuando na área de segurança da informação desde 2022, com foco em segurança empresarial e pessoal, Solemar destacou que a crescente digitalização da vida cotidiana ampliou significativamente as vulnerabilidades. “Hoje praticamente tudo depende da internet. Sem boas práticas, criamos brechas que podem ser exploradas por pessoas mal-intencionadas”, explicou.
Segundo o especialista, o principal risco atual é a perda da privacidade. Ele ressaltou que dados armazenados em nuvem — como fotos pessoais, informações bancárias e documentos corporativos — podem ser utilizados para treinamento de inteligências artificiais por grandes empresas de tecnologia. “Mesmo que essas informações não sejam expostas diretamente, elas passam a fazer parte de sistemas de IA, e isso levanta questionamentos importantes sobre privacidade e controle de dados”, afirmou.
Durante a entrevista, Solemar também comentou que alguns países da Europa já estão migrando de sistemas proprietários para soluções open source, buscando reduzir rastreamentos, dependência de grandes corporações e aumentar a proteção de informações sensíveis. Ele destacou ainda que sistemas amplamente utilizados, como o Windows, podem apresentar diversas vulnerabilidades se não forem corretamente configurados.
Outro ponto central da conversa foi o crescimento dos ataques do tipo ransomware, quando criminosos sequestram dados de empresas e exigem pagamento para liberá-los. De acordo com Solemar, cerca de 70% desses ataques têm origem em erro humano, como clicar em links maliciosos, baixar arquivos suspeitos ou acessar conteúdos falsos enviados por e-mail, mensagens ou QR Codes. “A tecnologia é importante, mas o elo mais fraco ainda são as pessoas”, enfatizou.
O especialista citou casos de grandes empresas internacionais, como Microsoft, Samsung e Uber, que já sofreram ataques cibernéticos, reforçando que nem mesmo organizações com alto investimento em tecnologia estão imunes. Para ele, o cenário brasileiro ainda é preocupante, já que muitas empresas investem pouco em prevenção e só buscam soluções após sofrerem prejuízos.
Como caminho para reduzir riscos, Solemar defendeu a conscientização e o treinamento contínuo dos colaboradores. “Não adianta investir milhares de reais em tecnologia se as pessoas não entendem o que estão usando. Segurança da informação é cultura”, afirmou.
Encerrando a entrevista, o especialista convidou a comunidade para um workshop gratuito sobre privacidade e segurança de dados, realizado em alusão à Semana da Privacidade de Dados. O encontro acontece às 19h, na CDL, e tem como objetivo oferecer dicas práticas, esclarecer direitos previstos em lei, como a LGPD, e orientar empresas e cidadãos sobre como se proteger melhor no ambiente digital.