O crescimento vertical de São Miguel do Oeste tem chamado a atenção da comunidade. Novas torres surgem em diferentes pontos da cidade e reforçam a sensação de expansão urbana acelerada. Mas, diante do volume de lançamentos, surge a pergunta: há mercado para tudo isso?
Para o empresário da construção civil Cleonor Mahl, a resposta é direta: sim.
Durante entrevista ao programa Atualidades, da 103 FM, Cleonor — que já presidiu o Sinduscom — afirmou que, apesar do cenário econômico desafiador, os empreendimentos locais seguem com forte desempenho comercial.
“Não está um mar de brigadeiro, mas está muito bom. O que se constrói em São Miguel do Oeste se vende. Nosso estoque é praticamente zero”, destacou.
Empreendimentos 100% vendidos
Segundo o empresário, a realidade local difere de grandes centros, onde construtoras costumam manter unidades disponíveis mesmo após a entrega das obras.
Ele citou como exemplo um edifício da própria construtora, entregue este ano, que já está 100% comercializado. A situação, afirma, não é exclusividade da empresa.
“Talvez uma ou outra unidade fique, mas muitas vezes é estratégia da incorporadora. Aqui, normalmente, o estoque é zero.”
Valorização supera poupança e Selic
Mesmo com a taxa Selic em patamar elevado — atualmente na casa dos 15% ao ano — Cleonor defende que o imóvel segue sendo o investimento mais seguro e rentável no médio e longo prazo.
Ele apresentou um comparativo prático:
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Apartamento vendido na planta em 2019 por R$ 224 mil
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Valor atual estimado: R$ 495 mil
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Valorização aproximada: 125%
No mesmo período:
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Poupança teria rendido cerca de 45%
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Selic acumulada, aproximadamente 75%
Além da valorização, ele lembra que o proprietário ainda poderia ter obtido renda com aluguel após a entrega do imóvel.
“Em todas as situações, o imóvel foi muito superior.”
Estratégias para quem tem e para quem não tem capital
Para investidores com recursos aplicados, Cleonor explica que é possível utilizar apenas parte do capital como entrada e manter o restante aplicado, usando os rendimentos para ajudar no pagamento das parcelas durante a obra.
Já para quem não dispõe de recursos próprios, ele orienta buscar financiamento na planta junto à Caixa Econômica Federal, atualmente o único banco autorizado a financiar imóveis ainda em construção.
No entanto, ele observa que empreendimentos enquadrados no Minha Casa Minha Vida estão escassos no município neste momento, principalmente devido ao cenário de juros elevados.
Perfil das famílias mudou
Outro fator que impulsiona o mercado é a mudança no perfil das famílias. Apartamentos menores e funcionais ganharam espaço.
Segundo o empresário, há forte demanda por:
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Estúdios de 40 m²
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Unidades de 55 m² com dois quartos
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Apartamentos entre 70 e 80 m²
Mas o mercado local oferece desde unidades compactas até imóveis com mais de 200 m².
Desafio: falta de mão de obra
Se as vendas seguem aquecidas, o principal gargalo da construção civil hoje é a escassez de mão de obra qualificada.
Para enfrentar o problema, o setor aposta na industrialização da construção, com uso crescente de tecnologias como drywall e sistemas em light steel frame, que reduzem peso estrutural, aceleram prazos e aumentam o conforto térmico e acústico.
Mercado local mais seguro que o litoral?
Cleonor também observou um movimento de investidores que aplicaram recursos no litoral e agora retornam ao mercado local após dificuldades para revender imóveis pelo valor esperado.
“Dinheiro parado não gera economia. Investir aqui faz o recurso girar na comunidade.”
Perspectiva
Com expectativa de queda gradual da Selic nos próximos meses, o setor projeta ainda mais aquecimento nas vendas.
Para o empresário, a conclusão é simples:
“Imóvel sempre será o melhor investimento no médio e longo prazo.”
A paisagem urbana de São Miguel do Oeste segue mudando — e, ao que tudo indica, acompanhada por um mercado que continua absorvendo o crescimento.