A relação entre educação, patrimônio, memória e permanência das famílias no meio rural é o tema de uma pesquisa desenvolvida pelo historiador Alex Kucmaski, de Pinhalzinho. O trabalho integra o livro Territórios, Memórias e Resistências no Sul do Brasil, obra coletiva que reúne pesquisas relacionadas à história regional.

Kucmaski participou do programa Atualidades, da 103 FM, onde apresentou o artigo intitulado “A escola como rugosidade: primeira Casa Familiar Rural de Santa Catarina em Quilombo”.
Formado em História pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Chapecó, e com duas pós-graduações na área de patrimônio, o pesquisador explicou que o conceito de “rugosidade” utilizado no artigo vem da Geografia e está relacionado às marcas deixadas pelas transformações sociais e históricas na paisagem.
O que são as “rugosidades”?
Segundo Kukmaski, basta observar algumas comunidades do interior para encontrar antigas escolas rurais, muitas delas atualmente desativadas ou abandonadas.
Essas estruturas permanecem como marcas físicas de um período em que as comunidades rurais tinham outra configuração social e demográfica.
O pesquisador utiliza essas construções para analisar as transformações ocorridas no Oeste de Santa Catarina, especialmente a partir do êxodo rural e das mudanças na organização das comunidades.
“As escolas dos anos 1970 e 1980 tinham uma característica específica de manter a sucessão familiar, não tão diferente das Casas Familiares Rurais, mas com uma metodologia pedagógica diferente”, explicou.
As antigas escolas rurais funcionavam, em muitos casos, no sistema multisseriado, reunindo diferentes séries em uma mesma sala de aula.
Já as Casas Familiares Rurais adotaram a chamada pedagogia da alternância, modelo em que o estudante passa um período na escola e outro junto à família, aplicando na propriedade rural os conhecimentos adquiridos.
Primeira Casa Familiar Rural de Santa Catarina
Um dos principais pontos da pesquisa é a Casa Familiar Rural de Quilombo, considerada a primeira do estado de Santa Catarina.
Para Kucmaski, a instituição possui uma importância histórica particular para compreender a educação do campo e as estratégias de fortalecimento da permanência dos jovens nas propriedades rurais.
O historiador conta que teve a oportunidade de lecionar na instituição em 2024, quando conheceu pessoas que participaram dos primeiros momentos da Casa Familiar Rural, incluindo um dos pioneiros da experiência educacional.
A pesquisa também relaciona a instituição à questão do patrimônio cultural, considerando que a preservação de determinados espaços depende do reconhecimento coletivo de sua importância histórica.
Educação como ferramenta contra o êxodo rural
Outro aspecto abordado no artigo é a necessidade de aproximar a educação da realidade dos jovens que vivem no campo.
Kucmaski explica que manter uma propriedade rural atualmente envolve desafios econômicos e tecnológicos cada vez maiores. Ao mesmo tempo, a agricultura passou por uma profunda transformação nas últimas décadas.
Se no passado grande parte das atividades era realizada de forma manual, atualmente máquinas e tecnologias passaram a ocupar papel fundamental na produção.
Nesse contexto, a educação do campo também precisa acompanhar as transformações do setor e apresentar aos jovens novas possibilidades dentro da própria atividade rural.
“Hoje existem arados tecnológicos, ceifas e um conjunto de tecnologias que auxiliam a produção rural”, destacou.
Para o pesquisador, conhecer essas mudanças e compreender o potencial tecnológico do agronegócio pode contribuir para que os jovens enxerguem novas possibilidades de permanência no campo.
Livro está disponível gratuitamente
O livro “Territórios, Memórias e Resistências no Sul do Brasil” está disponível gratuitamente em formato digital.
Segundo Kucmaski, a obra foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores e historiadores que se organizou para reunir diferentes estudos sobre a história e as transformações territoriais da região Sul.
A publicação está disponível em formato e-book, por meio da editora Servus, de Passo Fundo.
A expectativa dos autores é que futuramente seja possível produzir uma versão impressa.
Lançamento em evento estadual de História
A obra também será apresentada durante um evento estadual de História realizado em Chapecó, com atividades previstas para o período de 18 a 21 de agosto.
O lançamento dos livros está previsto para ocorrer entre os dias 17 e 19 de agosto.
O evento reúne pesquisadores e historiadores e ocorre na mesma semana em que é celebrado, em 19 de agosto, o Dia do Historiador.
Divulgação científica nas redes sociais
Além da pesquisa acadêmica, Alex Kucmaski mantém um trabalho de divulgação de conteúdos relacionados à História e ao patrimônio nas redes sociais.
Ele também possui um canal no YouTube, onde publica vídeos sobre museus, lugares históricos e patrimônio cultural.
Entre os conteúdos já publicados está um vídeo sobre o Museu Municipal de São Miguel do Oeste, produzido após uma visita realizada pelo historiador.
Kucmaski reforçou a importância de acompanhar e compartilhar esse tipo de conteúdo como forma de ampliar o acesso à divulgação científica na área de História.
O pesquisador pode ser acompanhado pelo Instagram @alex__Kucmasky__historiador.
A pesquisa apresentada no livro mostra como antigas escolas, comunidades e instituições de ensino podem funcionar como verdadeiros registros vivos das transformações ocorridas no território e ajudam a compreender a história e os desafios enfrentados pelo meio rural no Oeste de Santa Catarina.