As constantes chuvas registradas nas últimas semanas têm dificultado o trabalho da Secretaria de Obras de São Miguel do Oeste, principalmente na recuperação e manutenção das estradas do interior. Em entrevista à Rádio 103 FM, o secretário de Obras e diretor da Defesa Civil, Wuillian Lanza, explicou que as condições climáticas têm impedido o avanço de diversas frentes de trabalho.

Segundo Lanza, o município enfrenta há cerca de um mês e meio dificuldades para manter o cronograma previsto. O problema ocorre porque os serviços dependem de condições adequadas de umidade do solo para a aplicação de cascalho, britagem, execução de drenagens e demais intervenções.
“Não pode ser nem muito seco, nem muito úmido”, explicou o secretário, destacando que o excesso de chuva também impede o acesso às cascalheiras e dificulta o transporte de máquinas e materiais.
Município pede paciência aos moradores
Com o volume de chuvas, o número de solicitações acumuladas também aumentou. Atualmente, a Secretaria de Obras e a Defesa Civil possuem entre 100 e 150 protocolos aguardando atendimento, incluindo pedidos de manutenção, alterações, laudos e intervenções nas estradas.
Lanza ressaltou que os serviços seguem um cronograma de prioridades, começando pelos pontos que apresentam maior deterioração.
“Um vai ser o primeiro e um vai ser o último”, explicou, reforçando que a equipe procura atender primeiro as situações mais críticas.
O secretário também destacou que o município possui uma estrutura de estradas considerada positiva, mas que as condições climáticas acabam elevando a demanda. Ele pediu compreensão aos produtores rurais e moradores enquanto as equipes aguardam períodos de tempo firme para avançar com os trabalhos.
Projetos avançam no interior
Apesar das dificuldades provocadas pelas chuvas, a Secretaria de Obras mantém diferentes projetos em andamento. Entre eles está o Estrada Boa e Qualidade de Vida, que prevê o alargamento das vias rurais, implantação de drenagens, tubulações, cascalhamento e colocação de britagem.
A proposta é preparar as estradas para uma futura pavimentação, reduzindo os custos e o impacto das obras quando o asfalto for implantado.
Atualmente, há frentes de trabalho em comunidades como Pinheirinho e Jacutinho do Guarim, além de outras localidades do interior.
O município também vem solicitando a colaboração dos proprietários rurais para a remoção e adequação de cercas nas margens das estradas, além da realização de roçadas e limpeza das áreas próximas às vias. A medida facilita a atuação das máquinas e ajuda a preservar o patrimônio público.
Município trabalha para eliminar pontes de madeira
Outro projeto destacado pelo secretário é o Ponto Seguro, Concreto para a Vida, que prevê a substituição das pontes de madeira existentes no interior.
Quando a atual administração assumiu, em janeiro de 2025, São Miguel do Oeste possuía 54 pontes de madeira. Conforme Lanza, 36 já foram substituídas, restando 16, enquanto outras sete estruturas estão incluídas em projetos mais complexos que deverão contar com recursos da Defesa Civil do Estado.
Algumas dessas estruturas possuem até 14 metros e demandam projetos específicos.
A expectativa da Secretaria de Obras é que até o final de 2027 todas as pontes de madeira do interior sejam substituídas por estruturas de concreto ou sistemas com galerias e tubulações.
A medida deve ampliar a segurança, a trafegabilidade e a durabilidade das travessias utilizadas diariamente por moradores, produtores rurais e pelo transporte escolar.
Projeto promove limpeza das rodovias municipais
Outro trabalho citado durante a entrevista é o Estrada Limpa, Segurança que se Vê, desenvolvido para melhorar as condições das rodovias municipais asfaltadas.
O projeto conta com uma equipe própria e também com um convênio entre a administração municipal e o sistema prisional para a realização de serviços de limpeza das vias.
O objetivo é desobstruir sarjetas e retirar materiais que possam comprometer a segurança dos motoristas. Segundo Lanza, em algumas estradas havia pontos onde a água chegava a correr sobre o asfalto devido à obstrução das estruturas de drenagem, aumentando o risco de aquaplanagem.
Atualmente, a Secretaria de Obras trabalha com mais de seis frentes de serviço, buscando conciliar a recuperação das estradas, os projetos estruturais e as demandas emergenciais.
Tempo firme é fundamental para normalizar os serviços
O secretário reforçou que, para que o município consiga reduzir o número de solicitações acumuladas, são necessários vários dias consecutivos de condições climáticas favoráveis.
De acordo com Lanza, não basta apenas um ou dois dias de sol. Para iniciar e concluir determinadas intervenções, são necessários períodos mais longos de tempo firme, especialmente em obras que envolvem drenagem, tubulações e movimentação de grandes volumes de terra e cascalho.
A Secretaria de Obras afirma que continuará seguindo o cronograma de prioridades e orienta a população a ter paciência diante das dificuldades provocadas pelo excesso de chuva.
“A gente depende do tempo”, resumiu o secretário, destacando que as equipes estão preparadas para intensificar os trabalhos assim que as condições permitirem.