A violência contra a pessoa idosa vai muito além das agressões físicas e pode ocorrer de diferentes formas, muitas vezes de maneira silenciosa e dentro do próprio ambiente familiar. O assunto foi tema da entrevista desta quinta-feira (20), no programa Atualidades, que recebeu a psicóloga Aliciana Branger e a advogada Sulani Serpa para falar sobre o projeto “Quebrando o Silêncio”, desenvolvido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Criado em 2002, o projeto chega a mais de duas décadas de atuação com o objetivo de abordar, a cada ano, diferentes situações de vulnerabilidade. Em 2026, a campanha tem como foco a proteção da pessoa idosa, buscando levar informação e conscientização para toda a sociedade.
Durante a entrevista, as convidadas destacaram que um dos principais desafios está justamente na identificação das situações de violência. Segundo elas, muitas vezes o próprio idoso não percebe que determinados comportamentos representam uma violação de seus direitos, enquanto familiares e pessoas próximas também podem não reconhecer determinadas atitudes como formas de violência.
Violência não é apenas física
Entre os principais tipos de violência contra idosos estão a violência psicológica, negligência, abandono, abuso financeiro e patrimonial, violência sexual e discriminação em razão da idade, além da agressão física.
Um dos pontos destacados durante a entrevista foi a violência financeira e patrimonial. A apropriação do dinheiro, dos benefícios ou dos bens do idoso, bem como a exclusão da pessoa das decisões relacionadas à própria vida e ao próprio patrimônio, podem representar graves violações de direitos.
As entrevistadas também chamaram atenção para situações em que o idoso passa a ser tratado como incapaz de tomar decisões simplesmente por causa da idade. A legislação assegura que a pessoa idosa tenha sua voz respeitada, seja ouvida e participe das decisões que dizem respeito à sua própria vida.
No Brasil, o Estatuto da Pessoa Idosa, instituído pela Lei nº 10.741/2003, estabelece direitos e garantias para essa população, incluindo prioridade no atendimento e proteção contra negligência, violência, crueldade e opressão.
Envelhecimento exige atenção de toda a sociedade
Durante o bate-papo, Sulani Serpa ressaltou que o envelhecimento da população torna o tema cada vez mais importante. A perspectiva é de que uma parcela significativa da população mundial seja composta por pessoas com 65 anos ou mais nas próximas décadas.
A discussão, portanto, não deve ficar restrita aos idosos ou às famílias que atualmente convivem com essa realidade. A mensagem defendida pelas participantes é de que toda a sociedade precisa se preparar para lidar com o envelhecimento com respeito, paciência e dignidade.
A psicóloga Aliciana Branger também destacou a importância de olhar para quem exerce o papel de cuidador. Segundo ela, o material da campanha apresenta orientações relacionadas à saúde mental e emocional de quem cuida de pessoas idosas, lembrando que o cuidador também precisa receber atenção e cuidados.
Materiais serão distribuídos gratuitamente em São Miguel do Oeste
Como parte da campanha, materiais informativos serão distribuídos gratuitamente em São Miguel do Oeste. A ação local está programada para o sábado, 12 de setembro, durante a tarde, aproveitando o período de comércio aberto.
De acordo com Aliciana, equipes formadas por jovens, crianças e adultos estarão em pontos estratégicos da cidade para entregar os materiais à população.
A campanha contará com publicações voltadas para diferentes públicos, incluindo adultos, adolescentes e crianças, com o objetivo de estimular a participação de toda a sociedade na proteção e no cuidado com as pessoas idosas.
A proposta é mostrar que combater a violência contra o idoso não depende apenas de órgãos públicos ou de familiares. A comunidade também pode contribuir identificando situações de risco, respeitando os direitos da pessoa idosa e ajudando a romper o silêncio diante de possíveis casos de violência.
Respeito e paciência também fazem parte do cuidado
Ao final da entrevista, as participantes reforçaram que o cuidado com a pessoa idosa exige compreensão e paciência. Mudanças naturais relacionadas ao envelhecimento, como a redução da velocidade dos movimentos e a necessidade de mais tempo para realizar determinadas atividades, precisam ser respeitadas.
A principal mensagem deixada pela campanha é que envelhecer faz parte da vida e todos, em algum momento, poderão estar nessa condição de maior vulnerabilidade.
Por isso, reconhecer os sinais de violência, conhecer os direitos da pessoa idosa e promover uma cultura de respeito são atitudes fundamentais para ajudar a combater situações de abuso, negligência e abandono.
O projeto Quebrando o Silêncio busca justamente ampliar esse debate e incentivar a sociedade a não permanecer indiferente diante de situações que possam colocar idosos em risco.