UMA NOVA CHANCE - 30/09/2026 10:20

“Eu faria tudo novamente”, diz moradora de Maravilha que doou rim ao irmão

Em homenagem ao Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, Clair Padilha e a irmã, Claudia, relembram a decisão que transformou suas vidas
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Foto: Camilla Constantin/Líder
Em maio de 1993, Claudia Padilha doou um rim ao irmão, Clair. Mas a história do transplante começou muito antes, com uma sequência de consultas e exames que culminaram no diagnóstico de insuficiência renal crônica. Apesar do susto, finalmente entender o que estava acontecendo também trouxe certo alívio à família. 
De repente, uma doença que até então parecia distante passou a fazer parte do cotidiano. Clair foi levado a conhecer de perto a realidade da hemodiálise. O que viu, segundo ele, despertou preocupação. Entre as opções de tratamento, a diálise peritoneal, que poderia ser realizada em casa, trouxe uma sensação maior de segurança e conforto.
Naquele período, Clair já havia entrado para a lista de espera por um transplante. Foi então que Claudia decidiu iniciar o processo para descobrir se poderia ser doadora. Depois de realizar todos os exames necessários, veio a confirmação. E ela não pensou duas vezes. “A gente teve muita fé ao longo do processo. Desde criança, ele já tinha passado por muitas coisas, muitas infecções. Quando surgiu a oportunidade de ajudar, foi o que fiz”, afirma.
A escolha de Claudia, no entanto, encontrou resistência. Enquanto ela estava certa do que queria fazer, pessoas próximas demonstravam insegurança. Ela até compreende o receio, mas conta que, por falta de informação, muitos não apoiaram sua escolha. Achavam que ela não sobreviveria.
Foram cerca de nove meses nessa rotina, entre exames, preparativos e a espera pela cirurgia. O procedimento correu bem. Claudia seguiu a vida normalmente, sem dores ou intercorrências, e, seis meses depois, inclusive engravidou. Para ela, a experiência só reforça como o desconhecimento pode alimentar o medo. “O que posso dizer é: a vida é tão incerta, se puder doar, doe.”

RECOMEÇO
Em 27 de setembro, foi celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos. Para Clair, a data representa a segunda chance que recebeu. O transplante não significou apenas deixar para trás a diálise, mas sim a possibilidade de retomar uma rotina que a doença havia interrompido. “Na TV parece mais fácil, porque é algo distante. Mas quando você vive aquilo, é tudo muito diferente. Receber o diagnóstico é um choque.”
Hoje, aos 58 anos, Clair faz uso contínuo de medicamentos, mantém acompanhamento médico regular e realiza exames periódicos. “A vida volta ao ‘normal’, digamos assim, mas há cuidados para a vida toda.”
Clair faz parte da Associação dos Pacientes Renais de Chapecó (Aparc), que presta apoio a pacientes renais e suas famílias na região. A experiência fez com que ele passasse a olhar para a própria história com orgulho e, principalmente, como uma possibilidade de ajudar outras pessoas.
Para quem está passando por situação semelhante, Clair recomenda buscar orientação médica e conversar com quem já enfrentou tudo isso. Ele e Claudia, inclusive, se colocam à disposição para compartilhar o que viveram. Para ele, a doação passa principalmente pela empatia. “Tem tantas pessoas precisando de ajuda. Só quem já passou sabe como é.”
Claudia concorda. Trinta e três anos depois, ela diz que faria tudo novamente. “A minha parte foi só doar. A força é toda dele, do que ele viveu, da sua história. A maior força quem tem é quem passa.”

DADOS 
Ao longo de 2026, 241 doações foram efetivadas em Santa Catarina. Segundo dados oficiais da SC Transplantes, somente no último mês foram registradas 30 doações.
Por trás dos números, estão histórias como a de Clair, que mostram o impacto que um transplante pode ter na vida de quem espera por uma nova chance. Em agosto, último mês de atualização dos dados, 1.894 pessoas estavam na fila por um órgão ou tecido no estado. Desse total, cerca de 900 aguardavam por um rim.
Irmãos destacam: “Doação é uma via de mão dupla: transforma a vida de quem recebe e preenche a alma de quem doa” (Foto: Camilla Constantin/Líder)
Fonte: Camilla Constantin/ WH Comunicações
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