
Foto: Camilla Constantin/WH Comunicações
Uma música que continua inspirando, mesmo depois que quem tanto a cantou já não está mais por perto. Um hábito que se repete quase sem perceber, uma receita de família preparada com o mesmo cuidado, um conselho que volta à memória diante de uma decisão importante. A ausência de alguém não significa que tudo o que essa pessoa representou desapareceu. São lembranças que ultrapassam a presença física e continuam encontrando espaço na vida de quem fica.

Foto: Arquivo pessoal
Para Matheus Henrique Schlemer, essa permanência tem som, história e significado. Ao pensar no pai, o músico Marcelo Schlemer, falecido em 2019, ele recorda as aulas que Marcelo ministrava, inicialmente no porão da casa da família. Foi nesse ambiente, em meio a melodias e aprendizados, que a música se tornou um elo importante entre os dois.
Integrante da banda Sagytaryus e posteriormente de outros grupos, Marcelo fez da música uma profissão e uma paixão que compartilhou com os alunos. Por volta dos quatro anos, Matheus já gostava de cantar ao lado do pai. Mais tarde, ganhou um violão da avó e se apaixonou ainda mais por esse universo. Hoje, também toca guitarra, teclado e acordeom, já trabalhou como professor e, embora tenha deixado as aulas sob a responsabilidade de outro profissional, continua ligado à atividade por meio de trabalhos como músico freelancer. É, ainda, quem administra a Schlemer Instrumentos Musicais, loja criada pelo pai em 2007.
LEMBRANÇAS
A trajetória de Marcelo também esteve ligada à comunicação. Trabalhou como locutor durante muitos anos, atividade que exerceu até 2015, quando descobriu um melanoma em estágio avançado. Ele morreu em 2019, aos 44 anos.
Entre tantas lembranças, uma canção ocupa um lugar especial na vida do filho. Marcelo costumava cantar O Escudo – Voz da Verdade, principalmente durante o período em que enfrentava a doença. Desde então, faz Matheus recordar os momentos compartilhados. Além disso, ele destaca a bondade, a gentileza e o carisma do patriarca. “Era alguém que sempre fazia o bem”, diz.
Ao falar sobre a principal herança que recebeu do pai, Matheus resume em uma palavra: honra. Para ele, honrar Marcelo significa dar continuidade àquilo em que acreditava, mantendo vivos os valores que aprendeu ao longo da convivência.
LEGADO QUE ATRAVESSA GERAÇÕES
A história da família também é marcada pela trajetória de Rodolfo Schlemer, pai de Marcelo e avô de Matheus, que trabalhou durante muitos anos como locutor e permanece na memória das pessoas que o conheceram, mesmo mais de três décadas após a sua morte. Matheus conta que ainda hoje são frequentes as lembranças e referências ao avô. Para ele, esse reconhecimento ajuda a compreender como os exemplos atravessam gerações.
No Dia de Finados, celebrado na segunda-feira, 2 de novembro, a saudade daqueles que partiram ganha espaço nas lembranças, nas homenagens e nos encontros familiares. Histórias como a de Matheus, porém, mostram que recordar também é reconhecer aquilo que permanece: os ensinamentos compartilhados, as relações construídas, o bem praticado e os valores transmitidos.
“Eu acredito que, quando a gente deixa bons exemplos e procura fazer o bem, isso não se perde. As pessoas levam esses ensinamentos adiante, e as próximas gerações também podem aprender com eles. É uma forma de continuar presente, mesmo depois de partir”, afirma.

Pai e filho, em uma das apresentações que fizeram juntos (Foto: Central Fotografias)