
Uma luta decisiva. Um adversário de peso: integrante da Seleção Catarinense. A vaga na final dependia daquele combate. Foi assim que o maravilhense Fernando Brutscher Piccinini, de apenas 14 anos, viveu um dos momentos mais marcantes de sua trajetória no taekwondo, durante a Seletiva Estadual de Faixas Pretas realizada em março deste ano, em São Bento do Sul (SC). A luta foi equilibrada do início ao fim. Cada round de dois minutos exigia intensidade e foco total — cada segundo poderia mudar o resultado. Fernando venceu o primeiro round, mas perdeu o segundo. No terceiro e último round, o adversário cometeu uma infração: aplicou um golpe ilegal e foi desclassificado. Fernando venceu a luta, já com olhar voltado para a final. Assim, encarou o último combate com coragem e saiu campeão. A vitória lhe garantiu o título da competição e, mais que isso, uma vaga no Super Campeonato Brasileiro de Taekwondo, que acontecerá entre os dias 10 e 14 de setembro, em Aracaju (SE). Ele representará Maravilha como atleta da Secretaria de Esportes, Juventude e Lazer — e esta será sua segunda participação em um campeonato brasileiro.
O taekwondo é uma arte marcial milenar originária da Coreia. Seu nome é a junção de três palavras:
Mais do que dominar chutes e socos, o taekwondo exige disciplina, concentração e equilíbrio emocional. Fernando, atualmente faixa preta 1º Dan, compete na categoria Cadete até 53 kg. Atualmente ocupa o 2º lugar no ranking estadual da sua categoria. Esta evolução vem de uma dedicação ao esporte que já ocupa mais da metade da sua vida. Por volta dos 6 anos de idade, seus pais o colocaram nas aulas de taekwondo em Maravilha – até então, nunca tinha ouvido falar sobre a modalidade. No início, enfrentou dificuldades com os movimentos e técnicas. Mas a vontade de aprender e o gosto pela luta falaram mais alto. Persistente, foi se aprimorando com muito esforço nos treinos e, em dezembro de 2022, se tornou faixa preta.
No taekwondo, os atletas competem usando um traje chamado dobok e faixa com a cor que indica sua graduação. Além disso, os competidores utilizam equipamentos específicos durante a luta, como protetores para região bucal, cabeça, tórax, antebraço, genital, caneleira e meia. O colete do tórax e o capacete usado na cabeça, bem como a meia do atleta, possuem sensores integrados a um sistema, que auxiliam a marcar pontos da luta automaticamente, quando o atleta realiza golpes permitidos e atinge o adversário em locais que valem pontuação.
Fernando explica como cada luta tem sua emoção. Dois minutos podem parecer um tempo breve para quem está do lado de fora do tatame. Contudo, lá dentro, ao encarar o adversário e lutar com intensidade e estratégia, cada segundo parece se arrastar. Se recorda de um combate onde o placar estava empatado e, no último segundo, conseguiu aplicar o golpe da vitória.
Falando em golpe, o seu preferido é o gancho — um chute que inclui um giro de 360º e atinge o adversário com a sola do pé. Quando bem executado, pode render a pontuação máxima, sendo decisivo em uma luta. Se dedicar ao esporte também exige responsabilidade em relação aos estudos. Em sua rotina, pela manhã frequenta a escola; nas tardes, divide-se entre academia e estudos; e os treinos ocorrem ao menos quatro noites na semana.

O professor Leonardo Faria destaca a disciplina e o comprometimento de Fernando, que busca evoluir constantemente no esporte.