Maravilha registrou 179 atendimentos de psiquiatria infantojuvenil na rede pública de saúde em 2026, considerando pacientes de até 14 anos. Os dados chamam atenção para a necessidade de cuidado com a saúde mental desde a infância.
Os atendimentos são realizados pela médica psiquiatra Dra. Nadhyne Somacal Remonti Radaelli, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
Ela explica que essas fases são marcadas por intensas transformações e que determinados comportamentos fazem parte do próprio processo de desenvolvimento. “É esperado que crianças apresentem dificuldades para lidar com frustrações, que adolescentes busquem maior independência e que ocorram mudanças de humor e conflitos familiares ao longo do desenvolvimento.”
Segundo Nadhyne, o que é preciso observar é a intensidade, a frequência e a persistência dessas manifestações e, principalmente, o quanto elas interferem na vida da criança ou do adolescente. Alguns sinais merecem atenção, como mudanças importantes de comportamento, isolamento social, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, irritabilidade persistente, entre outros.
Entre os motivos frequentes de encaminhamento estão dificuldades de atenção, hiperatividade, impulsividade, problemas de aprendizagem, dificuldades de interação social, alterações de comportamento, ansiedade e sintomas depressivos. A psiquiatra também acompanha crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, entre eles o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).
Como acessar o serviço
O acesso ocorre mediante encaminhamento, após avaliação inicial das necessidades de cada paciente. É importante destacar que nem toda dificuldade emocional, escolar ou comportamental exige acompanhamento psiquiátrico. Muitas situações podem ser acompanhadas inicialmente pela equipe de atenção básica, com orientações familiares, intervenções escolares ou acompanhamento psicológico.
O encaminhamento para a avaliação psiquiátrica é indicado quando há necessidade de investigação diagnóstica especializada, considerando a gravidade dos sintomas, os prejuízos apresentados e as necessidades individuais de cada criança ou adolescente.

O primeiro passo é buscar a Unidade Básica de Saúde. Após avaliação, se necessário, o paciente é encaminhado para atendimento especializado (Foto: Arquivo/Líder)