
As campanhas do Outubro Rosa reforçam a importância do cuidado com a saúde da mulher, principalmente na prevenção, busca do diagnóstico precoce e tratamentos do câncer. São todas informações de grande importância, mas ainda pouco se fala dos desafios e do cuidado no pós-tratamento.

A psicóloga paliativista e psico-oncologista, Makeli Orso, enfatiza que uma necessidade pouco compreendida é que, mesmo após o término do tratamento, a pessoa pode continuar precisando de apoio. “Após a remissão, percebo que uma das principais demandas emocionais está relacionada ao medo da recidiva, à ansiedade diante dos exames e à insegurança em relação ao futuro. Também existem dificuldades na retomada da rotina, na reconstrução da autoestima e na adaptação às mudanças físicas, emocionais e sociais vivenciadas durante o tratamento”, analisa.
Eliz Wagner compartilha que, durante o tratamento, existia uma rotina de consultas, medicamentos e procedimentos. “Quando tudo isso diminui, as pessoas imaginam que a vida simplesmente volta ao normal. Mas nem sempre existe aquele normal para o qual gostaríamos de voltar. Meu corpo passou por muitas transformações. Existem limitações físicas, efeitos dos tratamentos e mudanças que ainda preciso aprender a administrar. Também precisei repensar minha vida profissional e encontrar outras formas de trabalhar.”
Neste aspecto, Makeli defende que, mesmo após o tratamento do câncer, é essencial oferecer um cuidado integral, que contemple a saúde física, emocional e social. “O acompanhamento psicológico, o suporte familiar e o fortalecimento da rede de apoio contribuem para o enfrentamento das inseguranças, a adaptação às mudanças e a retomada da autonomia. É importante respeitar o tempo de cada pessoa, reconhecendo que o término do tratamento não significa, necessariamente, o fim das necessidades de cuidado. A recuperação precisa ser compreendida como um processo contínuo, que busca não apenas a saúde, mas também a qualidade de vida e o bem-estar em todas as suas dimensões”.

A psicóloga também deixa uma mensagem para quem recebeu a notícia da remissão, mas ainda enfrenta medos e inseguranças. “Minha orientação é que essa pessoa respeite o próprio tempo e compreenda que não precisa estar bem o tempo todo, nem retomar imediatamente a vida que tinha antes do diagnóstico. É importante buscar apoio, conversar sobre o que sente e, quando necessário, procurar acompanhamento psicológico. Entender que o câncer faz parte da sua história, mas não define tudo o que você ainda pode viver.” Makeli é fundadora da AAPOR em Maravilha, associação que realiza uma série de ações acolhendo pacientes oncológicos e seus familiares em uma fase da vida marcada por desafios físicos, emocionais e sociais. “Esse acolhimento também é fundamental após a remissão, quando podem surgir inseguranças e dificuldades que nem sempre são percebidas pela sociedade”, destaca Makeli.