OUTUBRO ROSA - 30/10/2026 16:06 (atualizado em 30/10/2026 16:45)

Recomeçar depois do câncer: reportagem aborda desafios e descobertas após a remissão

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As campanhas do Outubro Rosa reforçam a importância do cuidado com a saúde da mulher, principalmente na prevenção, busca do diagnóstico precoce e tratamentos do câncer. São todas informações de grande importância, mas ainda pouco se fala dos desafios e do cuidado no pós-tratamento.

"Viver sem economizar a vida é entender que estar viva é uma oportunidade, e eu quero participar da minha própria vida, não apenas assistir ela passar", declara Eliz Wagner 
Há um ano e meio, Eliz Wagner, 44 anos, tocou o sino e encerrou uma etapa importante do tratamento do câncer de mama. “Tocar o sino foi uma conquista enorme, mas, naquele momento, eu ainda não sabia que uma nova etapa estava começando. Hoje entendo que sobreviver ao câncer e aprender a viver depois dele são experiências diferentes”. Diante de sua vivência, acredita na importância de ampliar conversas pós-câncer. “Precisamos discutir qualidade de vida, autoestima, saúde emocional, reabilitação e reinserção profissional”, afirma.

A psicóloga paliativista e psico-oncologista, Makeli Orso, enfatiza que uma necessidade pouco compreendida é que, mesmo após o término do tratamento, a pessoa pode continuar precisando de apoio. “Após a remissão, percebo que uma das principais demandas emocionais está relacionada ao medo da recidiva, à ansiedade diante dos exames e à insegurança em relação ao futuro. Também existem dificuldades na retomada da rotina, na reconstrução da autoestima e na adaptação às mudanças físicas, emocionais e sociais vivenciadas durante o tratamento”, analisa.

Eliz Wagner compartilha que, durante o tratamento, existia uma rotina de consultas, medicamentos e procedimentos. “Quando tudo isso diminui, as pessoas imaginam que a vida simplesmente volta ao normal. Mas nem sempre existe aquele normal para o qual gostaríamos de voltar. Meu corpo passou por muitas transformações. Existem limitações físicas, efeitos dos tratamentos e mudanças que ainda preciso aprender a administrar. Também precisei repensar minha vida profissional e encontrar outras formas de trabalhar.”

Neste aspecto, Makeli defende que, mesmo após o tratamento do câncer, é essencial oferecer um cuidado integral, que contemple a saúde física, emocional e social. “O acompanhamento psicológico, o suporte familiar e o fortalecimento da rede de apoio contribuem para o enfrentamento das inseguranças, a adaptação às mudanças e a retomada da autonomia. É importante respeitar o tempo de cada pessoa, reconhecendo que o término do tratamento não significa, necessariamente, o fim das necessidades de cuidado. A recuperação precisa ser compreendida como um processo contínuo, que busca não apenas a saúde, mas também a qualidade de vida e o bem-estar em todas as suas dimensões”. 

"Uma necessidade pouco compreendida é que, mesmo após o término do tratamento, a pessoa pode continuar precisando de apoio", destaca a psicóloga paliativista e psico-oncologista, Makeli Orso. Foto: Tamara Finardi

A psicóloga também deixa uma mensagem para quem recebeu a notícia da remissão, mas ainda enfrenta medos e inseguranças. “Minha orientação é que essa pessoa respeite o próprio tempo e compreenda que não precisa estar bem o tempo todo, nem retomar imediatamente a vida que tinha antes do diagnóstico. É importante buscar apoio, conversar sobre o que sente e, quando necessário, procurar acompanhamento psicológico. Entender que o câncer faz parte da sua história, mas não define tudo o que você ainda pode viver.” Makeli é fundadora da AAPOR em Maravilha, associação que realiza uma série de ações acolhendo pacientes oncológicos e seus familiares em uma fase da vida marcada por desafios físicos, emocionais e sociais. “Esse acolhimento também é fundamental após a remissão, quando podem surgir inseguranças e dificuldades que nem sempre são percebidas pela sociedade”, destaca Makeli.

Eliz Wagner também deixa uma mensagem potente: “Durante o tratamento, haverá dias em que será difícil encontrar forças, e tudo bem reconhecer isso. Não precisamos ser fortes o tempo inteiro. E, para quem acabou de entrar em remissão, quero dizer algo que gostaria que todas soubessem: você não precisa voltar a ser quem era antes. Permita-se viver esse recomeço no seu tempo. Procure ajuda quando precisar, aceite acolhimento e não compare sua recuperação com a de outras mulheres. Você não precisa transformar todos os dias em uma história de superação. Alguns dias, simplesmente viver já será suficiente. E isso também merece ser celebrado”.

Como funciona a solicitação de acompanhamento psicológico na rede municipal de Maravilha
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Maravilha, durante o tratamento oncológico o paciente que necessita de acompanhamento psicológico recebe atendimento psicoterapêutico individual conforme necessidade. A pessoa que necessitar de apoio no período de remissão continuará o acompanhamento de acordo com suas demandas, podendo sofrer alteração na frequência dos atendimentos. Para acessar o serviço é necessário encaminhamento médico.

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Fonte: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
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