
Em um período onde carroças, arados, capinadeiras puxadas por bois e máquinas de plantio manual eram parte essencial do cenário agrícola de Maravilha, Gerno Schneider, morador da Linha Sanga Silva, recorda do trabalho intenso da ferraria que dividia com o irmão gêmeo (em memória). Ele perdeu as contas de quantas carroças já consertou na vida, quantas pás de arado moldou no ferro, entre tantas outras situações onde precisava apresentar uma solução para o maquinário ou ferramenta que acabava quebrando em meio a labuta na roça ou no transporte da produção.

Hoje, aos 74 anos, sua sabedoria foi preservada além da memória. Embora não trabalhe mais com a ferraria há cerca de dois anos, junto dos amigos e parceiros de trabalho Antônio Gonçalves e Cleusa do Nascimento, os maquinários e trabalhos desenvolvidos pela ferraria foram levados junto ao espaço do Caldo de Cana do Zeca, na Linha Sanga Silva. Lá estão organizados em um espaço construído especialmente para esta finalidade, chamado Recanto do Schneider. Agora, a comunidade tem a oportunidade de revisitar e conhecer elementos que contribuíram para o desenvolvimento do município.

Cleusa e Antônio contam que seu Schneider já é parceiro do empreendimento do Caldo de Cana do Zeca há quatro anos, e como a ferraria tem um significado muito especial, eles se mobilizaram para que este conhecimento não ficasse esquecido. O local foi finalizado há pouco mais de um mês, depois de um período de longo trabalho para trazer, organizar, instalar e catalogar os materiais. Inclusive, em meio às máquinas e equipamentos, também se destaca um quadro que reúne fotos da história de Schneider, incluindo recordações da família, dos primeiros espaços da ferraria, e o registro da sua paixão pelo futebol: era goleiro, também apitou muitos jogos e é torcedor fanático do Grêmio.

Como chegar
SC-492 - Rodovia Juarez Domingos Vicari, Linha Sanga Silva (entre Maravilha e São Miguel da Boa Vista) - junto ao Caldo de Cana do Zeca
Agendamento de visitação: através do contato (49) 92002-6968

Quando tinha 14 anos, a família saiu de Carazinho (RS) com destino a Maravilha (SC). Com dois caminhões, carregados com ferramentas e animais, precisaram fazer uma parada em Iraí, para esperar o Rio Uruguai dar condição para atravessá-lo de balsa e assim chegar ao território catarinense.

