
Foto: Camilla Constantin/Líder
Prática comum em salões de beleza, as unhas em gel conquistaram espaço pela durabilidade, beleza e praticidade no dia a dia. Nos últimos meses, o procedimento passou a ser alvo de questionamentos após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciar a proibição de duas substâncias utilizadas em produtos de higiene e beleza, inclusive em itens empregados na aplicação das unhas em gel: o TPO e o DMPT.
Inicialmente, é importante compreender, de forma geral, como funciona o procedimento: ele exige preparo prévio da unha natural, com leve desgaste da superfície para melhorar a fixação. Em seguida, o produto é aplicado e passa por um processo de cura em cabine, responsável pela solidificação do material, tornando-o rígido e resistente.
Depois da proibição, posso continuar fazendo unhas em gel?
A resposta é: sim. A decisão da Anvisa não representa o fim do procedimento, mas uma atualização regulatória com o objetivo de tornar os produtos mais seguros tanto para as profissionais quanto para as clientes. Em resumo, a medida não proíbe a aplicação das unhas em gel, mas restringe a fabricação, a importação e a comercialização de itens que incluam as substâncias vetadas (TPO e DMPT).
DURABILIDADE E ECONOMIA DE TEMPO
Para a manicure e empresária Juliana Renata Breda, que atua no ramo há mais de 15 anos, a técnica representa um avanço para quem busca praticidade no dia a dia. “A unha em gel foi a melhor coisa que já inventaram. Você fica com ela bonita por cerca de um mês. Intacta”, afirma.

Empreendedora atua no ramo há mais de 15 anos (Foto: Arquivo pessoal)
Segundo ela, a principal vantagem está na durabilidade aliada à economia de tempo. “A esmaltação comum não tem a mesma resistência. Em meio à correria, ter que refazer toda semana, sem contar o tempo de deslocamento até o salão, é algo que acaba pesando.”
Apesar da popularidade, Juliana reconhece que ainda há receio por parte de algumas pessoas, muitas vezes relacionado à atuação de profissionais sem qualificação. “Muita gente tem medo por conta de pessoas incapacitadas que fazem. A profissão de manicure é muito banalizada, mas há estudo, há técnica. Como qualquer outra profissão, exige capacitação e responsabilidade”, diz.
Sobre a exposição à luz ultravioleta, a profissional pondera que o tempo de contato é curto. “A cliente fica, no máximo, cinco minutos com cada mão na cabine. E isso acontece uma vez a cada 20 ou 30 dias. Não é uma exposição diária. É um tempo considerado irrelevante dentro do procedimento”, reforça.
Para ela, o ponto central é a responsabilidade profissional. “A técnica é ótima, desde que sejam observados os cuidados. A estética é importante, mas a saúde vem em primeiro lugar.”
O OLHAR DA DERMATOLOGIA
A equipe de reportagem do Líder conversou com o Dr. Gustavo Poletto, dermatologista, que esclareceu pontos importantes sobre o assunto. Embora a técnica seja considerada segura, ele alerta que é preciso tomar alguns cuidados. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a orientação é evitar o uso contínuo, sem intervalos. “É importante dar pausas para que a unha natural se recupere”, destaca.

Dr. Gustavo Poletto, dermatologista (Foto: Divulgação)
O dermatologista ressalta ainda que todos os instrumentos devem ser devidamente esterilizados, já que podem entrar em contato com sangue e atuar como vetores de transmissão de doenças. Quanto aos produtos, devem ser regularizados pela Anvisa. Ele lembra, no entanto, que o registro sanitário não elimina totalmente o risco de alergias, já que reações individuais podem ocorrer. No consultório, as dermatites estão entre as queixas mais recorrentes.
Para reduzir riscos, Dr. Poletto destaca a importância de escolher profissionais qualificados e não ignorar qualquer sinal de reação adversa, buscando atendimento médico quando necessário.
Alguns sintomas indicam que algo não vai bem e exigem a suspensão do uso. Entre eles estão coceira persistente, inchaço, bolhas e rachaduras na pele ao redor das unhas. Lesões em áreas como pálpebras, pescoço e rosto podem estar relacionadas a alergias aos produtos.
Dor ao toque, sensação de queimação após o procedimento e alterações na própria unha, como manchas esverdeadas ou amarronzadas, odor forte, presença de pus, afinamento excessivo ou unhas que dobram e quebram com facilidade, também são sinais de alerta.
A orientação médica, portanto, não é de proibição, mas de cautela. Assim como ressalta a Sociedade Brasileira de Dermatologia, com informação, cuidados adequados e profissionais qualificados, é possível manter a estética sem abrir mão da segurança.