saúde - 02/03/2026 10:38

Lideranças e parlamentares destacam pedido por hemodiálise em Maravilha

Em posicionamento, a Secretaria de Estado da Saúde informou que debates sobre a expansão vão acontecer ao longo de 2026
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Foto: Arquivo pessoal

Nas terças, quintas e sábados, a moradora de Maravilha, Nelci Greff, 59 anos, sai de casa por volta das 9h para ir até São Miguel do Oeste, onde faz hemodiálise pelo SUS. Ela realiza o procedimento, que é essencial para a sua qualidade de vida, e se desloca com o transporte oferecido pela Prefeitura de Maravilha, o qual também leva outros pacientes renais do município. Por volta das 16h, ela volta para casa. Essa é a sua realidade há mais de 14 anos, sempre organizando sua rotina em prol do tratamento essencial para a sua saúde. Nesta vivência relata que, geralmente, o retorno para casa, após a realização da hemodiálise, é mais cansativo.

Nelci se tornou paciente renal crônica devido ao Lúpus, uma doença inflamatória autoimune que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos. A doença foi descoberta tardiamente e, em seu caso, afetou os rins. Diante do quadro de saúde, o médico a informou que, provavelmente, um dia teria que fazer hemodiálise. Posteriormente, ela ainda descobriu o câncer e, em meio ao tratamento oncológico, iniciou um curso técnico em enfermagem, pois queria se dedicar à área da saúde.

Contudo, ainda lembra do dia em que recebeu a notícia de que deveria ser internada em alguns dias para iniciar o tratamento com hemodiálise. Devido à logística e a frequência necessária para o tratamento, não conseguiu dar continuidade ao curso. Por também ser paciente oncológica, não pode entrar para a fila do transplante neste momento, contando essencialmente com a hemodiálise em sua rotina. Para ela, contar com o tratamento mais próximo de casa - caso a hemodiálise fosse ofertada pelo SUS em Maravilha - faria toda a diferença: seriam muitas horas semanais disponíveis para se dedicar aos seus projetos, com mais comodidade por não despender tanto tempo com deslocamento. Assim como para ela, para os demais pacientes, seja de Maravilha ou de municípios próximos, quanto mais perto estiver o tratamento, maior será o impacto positivo. Para Vilmar Greff, esposo de Nelci, é fundamental mobilizar lideranças e autoridades na luta pela oferta de hemodiálise em Maravilha. Ele se mantém ativo e proativo nesta causa há anos.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Maravilha, 16 pacientes do município se deslocam à São Miguel do Oeste, cerca de três vezes por semana, para realizar a hemodiálise através do SUS.

Em janeiro deste ano, o deputado estadual Mauro De Nadal (MDB), coordenador da Bancada do Oeste, reforçou que o referido colegiado de deputados enviou, no ano passado, um pedido ao Governo do Estado para a instalação do serviço de hemodiálise em Maravilha. Nossa equipe de reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), questionando como a solicitação dos parlamentares está sendo avaliada. A pasta vinculada ao Governo do Estado informou que discute, junto com os municípios, a ampliação da rede em todas as linhas de cuidado, inclusive no serviço de Terapia Renal Substitutiva (TRS). “Quanto à expansão, toda e qualquer análise se dá por questões técnicas e é debatida com os secretários municipais de saúde na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), sendo necessário que anteriormente os gestores municipais discutam em sua região as propostas apresentadas”. Acrescentou ainda que, no decorrer de 2026 serão realizadas tratativas com o município, região e legislativo à respeito desta demanda - lembrando que para implantar um novo serviço é preciso obedecer os critérios estruturais definidos pela Portaria Nº 1.675, de 7 de junho de 2018, do Ministério da Saúde, Governo Federal.

De acordo com a SES, os critérios técnicos considerados para implantação deste serviço englobam: 

- quantidade de clínicas na região de saúde verificando a capacidade instalada da clínica em atendimento do SUS; 

- a produção da clínica habilitada em relação ao contrato da mesma, verificando se há capacidade de receber mais pacientes ou não, se cumpre o Termo de Compromisso de Garantia de Acesso; 

- demanda reprimida para a região de saúde; 

- e o cálculo da estimativa populacional conforme Estratificação para o Atendimento Ambulatorial para região de saúde. 

A pasta também contextualiza que estudos realizados têm como base os municípios da Macrorregião/Região de Saúde, não sendo efetuada análise individualizada por município.

Em contato com a Administração Municipal de Maravilha, esta destacou, por meio do prefeito Vinicius Ventura (PP), a importância da pauta. “É evidente que a Administração já manifestou interesse de ter esse serviço em Maravilha junto à Secretaria de Estado da Saúde”, afirma. Ele traz exemplos de mobilizações, como a manifestação local por parte da Secretaria Municipal de Saúde, um movimento em nível estadual por meio de deputados e também uma mobilização antiga por parte do Legislativo maravilhense. O prefeito observa a importância de um trabalho em nível regional, com o município de Maravilha fazendo essa ponte para se tornar referência e contribuir tanto com a comunidade local quanto com municípios próximos.

Atendimentos

A SES explica que, atualmente, SC conta com 31 clínicas em diversas regiões do estado, e que as clínicas ficam responsáveis, além do próprio município, pelos municípios de sua região, onde os pacientes são todos encaminhados via sistema de regulação. Na macrorregião do Grande Oeste, há três clínicas: Clínica Renal do Extremo Oeste (São Miguel do Oeste); Unidade de Terapia Renal de Xanxerê (Xanxerê); e Clínica Renal do Oeste (Chapecó). 

Dados compartilhados pela SES revelam que serviço de hemodiálise da Clínica Renal do Extremo Oeste, em São Miguel do Oeste, atendeu uma média mensal de 124 pacientes em hemodiálise e seis pacientes em diálise peritoneal entre janeiro e novembro de 2025. Neste período, também foram realizados 22.453 procedimentos de TRS.

O que é a hemodiálise

A hemodiálise é um tipo de Terapia Renal Substitutiva que bombeia o sangue por meio de uma máquina e de um dialisador, com o objetivo de remover as toxinas do organismo. Ou seja, é um procedimento que faz parte do trabalho que o rim doente não pode fazer.



Fonte: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
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