SABORES DA INFÂNCIA - 02/03/2026 10:55 (atualizado em 02/03/2026 13:57)

Projeto mobiliza comunidade de Maravilha a resgatar receitas para compor um livro especial

A iniciativa tem registrado momentos marcantes junto a diversos grupos, que compartilham coletivamente sabores, saberes e memórias especiais
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Mão na massa, farinha no rosto, olhares atentos, empolgação e sorrisos. Enquanto a vó faz pão, deixa pequenas porções de massa para as crianças montarem pãezinhos no formato de passarinho, fazendo uma espécie de nó na massa - conhecidos também como “Colombitas”, “Colombinas” ou pombinhas de pão. Este cenário pode desbloquear memórias afetivas de quem já viveu momentos parecidos, recheados de significado e afeto. Mas para Maria Luara, 10 anos, Helena, 7 anos, e Anissa, 6 anos, esta é uma realidade constante ao lado da avó Sônia Teresinha Zardo, em Maravilha. 

"Colombitas" preparadas por Sônia Teresinha Zardo e suas netas. Fotos: Lucas Daga

Diante do resgate que esta receita provoca, Sônia a escolheu no momento de participar do projeto “Sabores da Infância – Receitas que Maravilham Gerações na Cidade das Crianças”. A iniciativa está sendo desenvolvida em Maravilha com o objetivo de resgatar, preservar e valorizar saberes culinários, que marcam não apenas pelo sabor, mas pelo significado cultural e pelas histórias e conexões que cada prato carrega.

O projeto está sendo realizado por iniciativa da Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, em parceria com a Secretaria de Assistência Social, Departamento de Cultura, Associação Municipal de Turismo e Cultura de Maravilha (AMATUR) e Conselho de Turismo (COMTUR), com apoio de entidades e empresas.

A diretora de Turismo, Tânia Zanella, explica que o projeto é dividido em fases. Nas etapas iniciais, grupos comunitários foram convidados para apresentar suas receitas em momentos de degustação coletiva. Até o momento, a ação já conta com a participação de mais de 20 Clubes de Mães, da OASE (Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas), do Grupo de Imigrantes do Município e de famílias que participam de oficinas no CAMU (Centro de Atendimento de Múltiplo Uso), mobilizando aproximadamente 700 pessoas entre participantes dos encontros, lideranças comunitárias e colaboradores do projeto.

“É preservar não apenas o ‘modo de fazer’, mas também o ‘modo de viver’. O Sabores da Infância já se tornou um patrimônio afetivo de Maravilha”, define a diretora de turismo, Tânia Zanella. Foto: Tamara Finardi.
Eternizando o "modo de viver"

As receitas estão sendo apresentadas com o objetivo de serem reunidas para compor um livro especial. O objetivo é que parte do conteúdo tenha trechos da grafia das pessoas que realizaram a receita, valorizando ainda mais as mãos que carregam esse conhecimento.

Também se projeta a realização de uma Feira Gastronômica de Encerramento, e futuramente um Master Chef da Cidade das Crianças. 

Tânia conta que a iniciativa nasceu do sonho de fortalecer o turismo e impulsionar o desenvolvimento econômico, através do resgate de tradições culinárias. “Cada receita guarda lembranças, histórias de família, cheiros que remetem à infância e momentos que aquecem o coração. Ao valorizar esses sabores, não estamos apenas organizando ingredientes: estamos preservando memórias, fortalecendo nossas raízes e dando voz às gerações que construíram nossa história”.

Para a secretária de Indústria, Comércio e Turismo, Layana Miotto, esta iniciativa foi abraçada a partir da percepção de
que cultura e desenvolvimento caminham juntos. “Não falamos apenas de receitas, mas de memória, cultura e pertencimento. Preservar nossas raízes é investir no futuro de Maravilha”.

Ingredientes principais: integração, valorização e protagonismo

Os encontros gastronômicos ainda estão sendo realizados, com a captação e registros das receitas, onde participantes também têm a oportunidade de contar a história do prato. São momentos que inspiram, onde saberes e sabores que muitas vezes estavam guardados por anos em uma gaveta, chegam à mesa e são compartilhados coletivamente.

Sônia Zardo faz parte do Clube de Mães Primavera e aceitou apresentar uma receita, escolhendo as “Colombitas”, por ser um prato que dá pra fazer com as crianças e pelo seu significado afetivo. As demais integrantes do clube se reuniram na casa de Sônia para preparar e apresentar os pratos, em um momento de troca de conhecimentos e reencontro com diversas memórias. “É uma iniciativa ímpar que preserva a memória. Me sinto muito feliz e valorizada em fazer parte desta história”, celebra Sônia.

Tem sabor de infância

Na casa de Sônia a cozinha é um espaço repleto de significado. Ela foi professora por muitos anos em Maravilha, e agora reside na casa que sua família construiu em 1954, onde seus pais viveram por muitos anos, o Recanto Casarão Schmidt, na Linha Chinelo Queimado. Mais que uma estrutura física, cada parede reflete memórias e Sônia busca resgatar e preservar conhecimentos junto das netas, que agitam a casa, mas estão ao seu lado em atividades culinárias. 

As pequenas já guardam práticas como fazer agnoline, bolacha, pintar casquinha de ovo com papel crepom. Mas as “Colombitas” possuem um sabor e um sentimento especial, como descreve Maria Laura: “Colombita não é só um pãozinho, é um símbolo da nossa família, que adultos e crianças fazem para se divertir. Tem o sabor de infância”. As netas contam que aprimoraram o modo de fazer, com atenção especial aos detalhes, como arrumar o bico, usar chia com água para colocar o olhinho. “É divertido, aprendemos muito e ainda podemos fazer um pouco de bagunça. Também é legal e ainda ficamos mais perto da vó”, completam as netas Helena e Anissa.

“O pão é mais gostoso quando é em formato de Colombita e quando a gente quem faz”, destacam as netas de dona Sônia. Foto: Lucas Daga


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Fonte: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
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