ENTRELINHAS DO ESPORTE - 30/03/2026 07:49 (atualizado em 30/03/2026 15:52)

Solange De Paula: atleta de Maravilha vive o jiu-jitsu com coragem, disciplina e propósito

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Mais do que uma medalha, o título de campeã em sua primeira competição representa um incentivo para evoluir constantemente. Foto: Arquivo pessoal

Um momento único. A primeira vez em um tatame para competir no jiu--jitsu. Suor do combate ou do nervosismo? Apesar da adrenalina, um roteiro já estava desenhado na mente da atleta de Maravilha, Solange De Paula, antes da luta: “vou quedar - derrubar a adversária, montar e finalizar com o golpe chamado armlock (onde o braço da pessoa adversária é atacado)”

Contudo, logo no início da primeira luta, Solange sofreu uma queda, mas aproveitou a oportunidade para aplicar um golpe na oponente e finalizá-la em triângulo (técnica em que Solange utilizou as pernas para prender o braço e a cabeça da oponente). O primeiro desafio foi vencido, mas ainda havia mais uma luta pela frente. Atenta às orientações do técnico Diego Garcia, ainda no tatame, entrou decidida a finalizar e conseguiu aplicar o armlock. Assim, saiu vencedora da luta e da sua categoria durante a Copa Desterro de Jiu-Jitsu, em abril de 2025. 

Foto: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder

Hoje, aos 35 anos, conta que não imaginava ter ligação com o jiu-jitsu. Os enteados iniciaram na arte marcial por influência do tio Henrique Winckler, praticante do esporte. Ao acompanhá-los, a modalidade chamou sua atenção e ela decidiu se desafiar: queria descobrir se seria capaz. Nunca havia tido uma oportunidade semelhante antes. Com apoio da família, iniciou em março de 2024 na WS Team em Maravilha, a partir de uma aula de defesa pessoal. 

Foto: Arquivo pessoal

No início, tudo era muito novo e desafiador. Mas persistiu e se dedicou aos treinos, inclusive realizando a preparação necessária para o exame de faixa. Conquistou a faixa azul, e agora trabalha para alcançar a próxima etapa, a faixa roxa. Concilia a rotina de treinos com a família, a atuação como empresária e também como chefe de escoteiros do grupo Escoteiros Raízes, em Maravilha. 

Ainda assim, destaca a importância de manter a constância. “Eu nunca imaginei que participaria de uma competição, mas, assistindo meus enteados, sentia aquela energia e queria me permitir vivê-la”. Ao todo, já disputou três competições, duas como faixa branca e uma como faixa azul. Sua intenção é voltar aos tatames para encarar novos desafios neste ano.

APRENDER ENSINANDO

Mais do que competir, Solange também recebeu o convite para atuar como instrutora. Hoje, dá treinos para turmas kids na WS Team de Maravilha, escola dos lutadores e professores Diego Garcia e Tiago Sartori. 

Com as crianças, reforça que os ensinamentos vão além dos golpes. “Não é só vir para a aula aprender técnicas. Existe um propósito: transformar vidas, e isso é muito real”. Segundo ela, são trabalhados valores como a importância dos estudos, respeito, boas ações e o desenvolvimento emocional, além de dinâmicas que ensinam a ganhar e a perder. Cumprimentar o adversário, agradecer pela luta e cultivar o lado humano fazem parte do processo. 

Para encarar este desafio, a instrutora realizou diversas capacitações direcionadas a este público.

Foto: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder

Além disso, o estudo aprofundado das posições e golpes para ensinar às crianças contribuiu diretamente para sua própria evolução. “Sou muito sistemática, gosto do processo”, destaca. “Estou vivendo esse propósito, ganhando muita experiência e quero continuar nesse caminho”.

VESTIR O KIMONO É TRANSFORMADOR

Mais do que uma medalha ou um pódio, colocar a faixa e vestir o kimono é assumir um compromisso: o de ensinar pelo exemplo. Ela se recorda da reação dos alunos ao saberem que a professora finalizou uma oponente com um armlock: todos comemoraram com entusiasmo.

Como lutadora, busca evoluir constantemente nos treinos e ampliar seu repertório de golpes. Define seu estilo como o de ir para cima, sempre propondo a luta e buscando a finalização.

Foto: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
Solange também ressalta que procura dedicar seu tempo a atividades com propósito, e encontrou no jiu-jitsu esse sentido. A arte marcial trouxe uma grande superação pessoal. “Foi tudo muito intenso. Mudou minha mentalidade”. É um esporte que contribui com a sua vida de forma geral, para não cair mais na ‘guarda’ do medo ou de achar que eu não poderia fazer algo. Com a prática, ganhou mais confiança e autoestima. Para ela, é uma transformação real, com um retorno profundamente gratificante.
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Fonte: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
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