
Durante os 15 anos de circulação do Jornal Líder em Maravilha, todas as edições carregam palavras do colunista Oneide Behling, 53 anos, também conhecido como Oneide Maravilha. Seja no microfone ou com a caneta na mão, quando o assunto é esporte, o comunicador carrega uma ampla bagagem e repertório, com experiência em coberturas esportivas marcantes que conectam a comunidade maravilhense ao cenário esportivo. Essa produção também reflete sua experiência na Rádio Líder FM, onde trabalha há um período superior ao dobro da existência do jornal.
Em 2011, quando surgiu o convite para trazer uma coluna esportiva para as páginas do jornal, Oneide viu a oportunidade como uma missão desafiadora, a qual encarou com responsabilidade, pois até então seu foco era comunicar por meio dos microfones. Mas sua bagagem e empenho de muitos anos no meio esportivo, por si só, já preencheriam muitas e muitas páginas. Assim, em cada texto, os temas e as palavras são escalados com a experiência de quem conhece o ambiente esportivo com propriedade.
Nos primeiros anos, a coluna dedicava-se à cobertura da dupla Gre-Nal e era compartilhada com Celso Antônio Ledur, também repórter e narrador das transmissões esportivas. Entre notícias, bastidores e análises sobre Grêmio e Internacional, não faltava a famosa "corneta" trocada entre os dois comunicadores. Atualmente, Oneide destaca na coluna esportiva informações do cenário local, resgatando fatos importantes com tópicos objetivos, informações relevantes e opiniões sustentadas pela visão e conhecimento de quem já peleou por muitos campos da região.
O trabalho com a reportagem esportiva teve início na Rádio Líder FM. Entrou para o grupo em 1992, inicialmente como operador, mas logo conquistou espaço nos microfones. No meio esportivo, recorda que iniciou na equipe responsável pela cobertura de competições municipais - trabalho marcado por empenho diante do aprendizado e do significado de valorizar a cena local.
Sua principal atuação se dava como repórter à beira do gramado, atento às informações necessárias para as entradas ao vivo durante os jogos, a busca pelas escalações das equipes e a realização de entrevistas, enquanto a narração ficava por conta de Ledur. Era uma vivência do esporte na comunidade local, com suas características próprias, destacando o pertencimento dos ouvintes. Faça chuva ou faça sol, Oneide sempre realizou seu trabalho com maestria na beira do gramado
Um momento histórico vivenciado com a transmissão pela Rádio Líder FM, foi o acompanhamento do Clube Recreativo Maravilha (CRM) na conquista do título estadual do futebol amador. Oneide, inclusive, é o repórter que aparece ao lado da equipe na foto oficial, pois registrou todo o momento da conquista em 1994, transmitindo as emoções dos personagens do campo por meio das ondas da Líder FM. Ele se recorda até hoje dos gols: “O Ademir Padilha (em memória) lança antes do meio de campo. Ele tinha uma precisão impressionante no lançamento. Colocou a bola em diagonal e o Borjão fez o gol de cabeça. No outro lance, ele cobra escanteio e coloca na cabeça do Elton. Aí foi festa e carreata com caminhão dos bombeiros em Maravilha”. No momento dos gols, enquanto os jogadores corriam para agradecer à torcida, o repórter não perdia a oportunidade de registrar o momento com o microfone ao lado do campo e transmitir todo este sentimento.

A missão de captar informações para os ouvintes da Líder FM também exigia qualidade na cobertura. “O trabalho contava com entrevista dos jogadores e técnicos, repercussão da partida, comentários sobre a escalação, enfim, gerava debate. Sempre passando as informações com responsabilidade”, detalha Oneide.
Outra vivência que destaca a bagagem do colunista esportivo do Jornal Líder é que, na década de 90, pela Líder FM, realizava a transmissão dos jogos da dupla Gre-Nal. Foram muitas viagens de Maravilha à capital gaúcha, carregando os equipamentos necessários e enfrentando os desafios técnicos das transmissões da época: “A nossa preocupação era conseguir uma linha de transmissão, para enviar o sinal. Eram dois sistemas: o som tinha que sair de Porto Alegre e nós precisávamos receber daqui o retorno da rádio. Não tinha internet naquela época, era uma linha física. Esse era o maior desafio”, relembra.

Uma nova experiência surgiu para a equipe de transmissão quando a Líder FM decidiu, com visão de vanguarda, tornar-se a primeira rádio da região a transmitir os jogos da Chapecoense na Série A do Campeonato Brasileiro, em 2014.
Recorda que o primeiro jogo da Série A em que atuou como repórter foi Chapecoense e Corinthians.
Também relembra os deslocamentos frequentes, com jogos duas vezes por semana, indo para Chapecó, enfrentando muitas vezes neblina e chuva, além de trechos perigosos da rodovia. Ainda assim, a equipe sempre chegava cedo para o credenciamento e organização da transmissão.
“Uma das coisas mais bonitas é ver o estádio lotado”, conta.
A Arena Condá passou a ser uma segunda casa, frequentada constantemente para levar o melhor conteúdo aos ouvintes da rádio. Além da Série A, vieram as transmissões dos jogos da Chapecoense na Copa Sul-Americana e, claro, na Libertadores.
Oneide teve a oportunidade de entrevistar referências do futebol e ver de perto grandes nomes, como Milton Leite e o campeão mundial de 2002, Belletti. “Uma coisa é você assistir aos jogos e outra é estar frente a frente com o jogador que está acostumado a ver na televisão, ou com o treinador cujo trabalho você admira”, observa. Ele destacou a experiência de entrevistar técnicos como Tite e Muricy Ramalho.


