Mesmo com a bola lançada em velocidade, encaixa no trajeto do ar e, com firmeza e habilidade, arremessa em direção ao gol para marcar e comemorar com a equipe. Com potência, rapidez, explosão e força, Jaqueline Juliana Brutscher do Nascimento, 43 anos, não hesita em se dedicar ao handebol em Maravilha. A canhota, também conhecida como Jaque, joga como armação e ponta direita na equipe de Handebol Master do município. Uma paixão à primeira vista pelo esporte, que se mantém viva com muito empenho e, acima de tudo, amor.

Jaque iniciou no handebol por volta dos 12 anos, na época do colégio, quando o professor Edinar Zardo, que realizava os treinos no município, no Ginásio Municipal, a convidou para treinar. “Eu e uma amiga da escola começamos a treinar e me identifiquei muito com o esporte”, revela.


Recorda que em determinado período, os treinos ocorriam às 6 horas da manhã, e o professor precisava levar as atletas de Kombi para a escola. A partir dos treinos vieram as competições e, com elas, boas recordações das participações em campeonatos escolares estaduais e das viagens para outras cidades. Além das boas lembranças, o esporte coletivo deixou amizades que permanecem até hoje. Uma delas é Nívea, que também segue jogando ao seu lado.
O jogo de handebol exige um combo de concentração, força e agilidade. O ataque precisa ser decisivo, a defesa precisa se recompor rapidamente e com precisão, sempre estando preparada para armar um contra-ataque, pegar o adversário desprevenido e ampliar o marcador. Esse ritmo imposto pelo jogo é justamente a forma com que Jaque se identifica ao jogar. Mesmo no momento em que sua equipe está na defesa e uma companheira consegue roubar a bola, Jaque, com muita rapidez, já está próxima da área adversária, pronta para receber a bola em busca de mais um gol. “A bola tem que ser rápida, acredito que meu ponto forte é nos contra-ataques e na defesa”, compartilha. Um esporte de muito contato, mas isso não a afasta. Ela está sempre pronta para defender sua equipe com muita garra.
Outro ponto importante é a questão mental, pois o jogo de handebol é disputado ponto a ponto. Quando a equipe começa a ficar atrás no placar, Jaqueline também busca exercer uma liderança, dando apoio às jogadoras da equipe. Ela se recorda de um jogo no município de Itapiranga: “Nós estávamos perdendo e o professor nos chamou, enfatizando que éramos capazes de buscar o resultado, que precisávamos acreditar em nós mesmas e vencemos esse jogo. Foi um jogo difícil, mas o emocional chamou atenção”.
Atualmente, a jogadora segue muito dedicada aos treinos proporcionados pela Secretaria de Esporte do município, que acontecem duas vezes por semana e são realizados pelo professor Robson Grando. “Eu gosto muito de jogar handebol, os treinos envolvem resistência, técnicas e táticas”. Contudo, são poucas as competições realizadas em Maravilha e região que também ocorrem em horários acessíveis, possibilitando conciliar a participação das integrantes da equipe com suas atividades profissionais. O professor Robson pretende realizar, neste ano, amistosos com outros municípios.

No ano passado, a equipe de Maravilha disputou a Liga SC Master Feminino, onde conquistou o terceiro lugar. Uma das etapas ocorreu em Maravilha e a outra em Timbó, município do Vale do Itajaí. “Foi muito emocionante e desafiador, ao mesmo tempo. Relembrar os jogos, competições, o frio na barriga de competir novamente, foi incrível”. Para a jogadora, o diferencial é a equipe: “a união em quadra e o amor por esse esporte que transforma uma equipe. Na quadra não existem individualidades. Quem entra em quadra por amor nunca joga sozinha. Handebol é sobre isso”.
Para manter o ritmo, concilia os treinos com o trabalho e faz academia três vezes por semana. Também está praticando beach tennis.
Além disso, a Seleção Brasileira Feminina de Handebol também é uma inspiração. A equipe é uma das principais potências das Américas e compete regularmente entre as melhores equipes do mundo. Foi campeã mundial em 2013. Jaque tem como referência a central brasileira Bruna de Paula, que foi eleita, neste ano, a segunda melhor atleta de handebol do mundo pela Federação Internacional de Handebol, referente à temporada de 2025.
Para Jaqueline, o sentimento de amor pelo handebol é o principal combustível para continuar. “Meu objetivo é continuar jogando, por muito tempo. O esporte é vida”.
