
Depois de passar muito tempo chutando a bola contra o portão de casa (o que rendia algumas broncas), Lucas Cauã Laufer começou no futebol aos 6 anos, quando foi levado pelo pai, Sadi José Laufer, para treinar. A motivação poderia ser apenas essa insistência diante do portão, mas também havia uma forte influência familiar: acompanhando o pai e a mãe, Graziela Baumgratz Laufer, que sempre jogaram, o menino cresceu presente em diversas competições de futsal e futebol, mesmo antes de aprender a chutar. Inclusive, a mãe, antes de saber da gravidez, jogou grávida de Lucas. Os primeiros presentes, como ele recorda, eram bolas. Hoje, aos 19 anos, Laufer volta a defender a camisa do Maravilha Futsal na categoria adulta (sua primeira oportunidade havia sido em 2024).
Quando criança, lembra que não era o melhor, mas gostava muito de jogar, portanto, era isso que realmente importava. A dedicação vinha de forma natural, como sinônimo de diversão e de pertencimento.
Mas foi aos 9 anos que viveu um momento decisivo. Em um mesmo dia, encarou dois grandes desafios para uma criança: as finais da Taça Iguatemi e também de uma competição de base de futsal em Maravilha. Após conquistar o título no campo com a equipe maravilhense, vencendo a Chapecoense, saiu correndo para um ginásio da cidade. Na quadra, disputou a final do futsal, onde também ficou campeão e ainda conquistou a artilharia da competição. Ele recorda que o treinador de futsal, Rogerinho, o escalou como pivô, uma posição que ele sequer conhecia. Curioso, perguntou: “é aquele que faz gol?”. A resposta positiva o deixou feliz, com a sinceridade típica de criança.

Foi assim que teve seu primeiro contato com o futsal e nasceu mais uma paixão. Dez anos se passaram, e ele segue entrando em campo e em quadra sempre com o mesmo objetivo: balançar as redes.
O primeiro gol do Maravilha Futsal adulto em uma partida oficial neste ano saiu dos seus pés, em um amistoso de apresentação contra o Marreco Futsal, equipe da Liga Nacional. Esse é um dos gols mais marcantes da sua trajetória, diante da torcida e da família. Após uma cobrança rápida de falta ainda no campo defensivo, Bebê cruzou, Laufer dominou, aplicou um chapéu no marcador, ficou cara a cara com o goleiro e finalizou com um chute potente, resultando em um golaço! Conhecido como uma das pratas da casa, marcou presença logo na apresentação. Falando em gols, no ano passado, jogando no campo pelo CRM Sub-18 no Regional de Amadores, Lucas Laufer chegou à final com 10 gols e precisava de mais três para garantir a artilharia. Ele alcançou o feito na decisão e, além do título, levou também o reconhecimento como goleador do campeonato.
Mais do que fazer gols, ele valoriza os gols diferentes, aqueles que surpreendem a defesa e são fruto de técnica e criatividade. Sempre que possível, tenta uma bicicleta. Ele relembra um momento marcante: aos 12 anos, em uma partida de futsal, sua equipe perdia por 3 a 2 para Pinhalzinho quando marcou um gol de bicicleta para empatar. Depois, venceram nos pênaltis.
No Maravilha Futsal, divide a quadra com jogadores que admira e reconhece o quanto aprende com a experiência deles. Além da busca constante pelo gol, demonstra maturidade ao priorizar o passe quando um companheiro está melhor posicionado. Nesta temporada, já soma quatro gols: dois em amistosos, um pela Série Prata da Liga Catarinense e um pela Copa Santa Catarina.
Neste ano, vive mais um momento importante na trajetória: iniciou a graduação em Educação Física. Estuda à noite em outra cidade, trabalha durante o dia como estagiário na Secretaria de Esporte de Maravilha e ainda mantém uma rotina diária de treinos com o Maravilha Futsal.
Nos fins de semana, participa das competições. A rotina é exigente, mas ele entende que a vida de atleta envolve cobrança e pressão. É preciso ter preparo mental e, no fim, tudo vale a pena. “Meu sonho continua sendo o mesmo de quando eu era criança: viver do esporte, e um dia jogar a Liga Nacional de Futsal ou atuar profissionalmente no campo”.
Para esta temporada, o objetivo é claro: ser campeão. “Quero trazer orgulho para a cidade. Maravilha respira futsal, e a torci- da sempre lota o ginásio. Nosso objetivo é conquistar esse título estadual para o município”.
A mensagem que carrega é simples e direta: nunca desistir. Quando começou, não era o melhor, mas com esforço, dedicação e vontade, foi construindo seu caminho. Suas inspirações no futsal são os pivôs Ferrão e Pito; no futebol de campo, Cristiano Ronaldo. E, acima de tudo, no esporte e na vida, seus maiores exemplos são os pais, Sadi e Graziela.
