
Do campo ao prato! A reportagem acompanhou uma das trajetórias que o alimento percorre até chegar à merenda da rede municipal de ensino de Maravilha, onde são servidas 11 mil refeições por dia. Cada etapa é ilustrada com imagens e explicações, que apresentam exemplos do trabalho realizado por muitas mãos até chegar ao prato dos mais de 3 mil estudantes da rede municipal da Cidade das Crianças.


Jaime Defant é um dos produtores rurais de Maravilha que fornece alimentos para a rede municipal de ensino (confira a reportagem realizada em sua propriedade no Dia do Colono). Ele entrega frutas, feijão, suco de uva, pipoca, amendoim, açúcar mascavo e melado. O trabalho de plantio e colheita envolve o cuidado e preocupação com a alimentação voltada a quem fará o futuro da região. As frutas, por exemplo, são colhidas uma a uma, com técnicas que visam sua maior durabilidade.
No local, os produtos recebidos são armazenados de acordo com suas características, respeitando as condições adequadas de temperatura, umidade, ventilação e organização, seguindo rigorosamente as Boas Práticas de Manipulação.

O Centro de Alimentos vai muito além de um local de armazenamento. Além de receber e armazenar alimentos, possui uma grande cozinha. Também é neste espaço que são elaborados os cardápios para as escolas.
Da cozinha, é comum sentir o cheirinho de feijão sendo preparado. Ele é cozido em uma grande panela, e depois dividido em vários potes, que são acondicionados em câmara fria.

Os temperos entregues pelos agricultores são lavados e picados. Os legumes também, e muitas vezes é montado um kit sopa com diversos deles, o que facilita o preparo do prato.
Pão de queijo, waffles e biscoitos também são feitos no local. Frutas destinadas aos sucos tem suas polpas armazenadas.
Esses são alguns exemplos de ações realizadas, as quais sempre são aprimoradas pela equipe que trabalho no local, composta pela nutricionista, duas merendeiras, um motorista, uma pessoa auxiliar de serviços gerais e uma chefe de departamento.

No espaço, são desenvolvidas iniciativas voltadas ao aproveitamento integral dos alimentos e à redução do desperdício. São elaboradas preparações que utilizam partes normalmente descartadas, como cascas, talos e sementes, aproveitando ao máximo o valor nutricional dos alimentos e promovendo o consumo consciente.
Todo este trabalho foi reconhecido durante o encontro Nacional da Alimentação Escolar Brasileira, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em parceria com o Ministério da Educação (MEC). A inciativa recebeu o Prêmio CAE de Participação Social.

A distribuição é realizada nas escolas, de forma planejada e semanal, conforme os cardápios elaborados pela nutricionista responsável, garantindo que cada escola receba a quantidade adequada de alimentos para o atendimento dos estudantes. Com um veículo com isolamento térmico, Luiz Carvalho entrega o que é destinado a cada escola.

Cleide Ines Bugs e Zanete Alves da Silva trabalham no preparo dos alimentos no CEI Patrícia Roman, que atende turmas do Maternal e da Pré-Escola. No local, algumas turmas são de período integral e recebem até seis refeições por dia. Elas contam como o trabalho realizado pelo Centro de Alimentação torna as tarefas na escola mais ágeis.

“Facilitou muito o trabalho. Os temperos vêm picados, o feijão vem cozido, é só temperar. Recebemos biscoito caseiro pronto e waffles. Antes levava muito tempo para deixar tudo pronto, pois as crianças vão para o refeitório em vários horários, então ficava tudo muito corrido”.
Além disso, há uma constante troca de informações e suporte com a nutricionista responsável, que elabora o cardápio com antecedência. A criatividade e o cuidado também fazem parte da rotina. Elas contam que os alunos não tinham muita aceitação da couve em folhas, então passaram a incluí-la no preparo de bolos e até misturada à salada de alface. “Fazemos a merenda com muito amor. Não tem nada mais gratificante do que ouvir das crianças que elas gostaram da comida”, compartilham.


Suzana Francieli Ferrari é mãe da Luiza, de 2 anos e 6 meses, que estuda na escola, e de Lucas, 7 anos, que estudou no local até a pré-escola. “É lindo de ver os pratos coloridos e como as crianças vão pegando gosto pelo que lhes é oferecido, além de ser momentos de autonomia e aprendizado com os colegas”, conta. Ela compartilha a admiração pelo cuidado e a dedicação tanto no fornecimento dos ingredientes quanto no preparo das refeições. “Saber que nossos filhos recebem uma alimentação saudável, equilibrada e feita com tanto zelo nos traz tranquilidade e confiança”.
"De onde vem o açúcar?"
Um questionamento durante o lanche se tornou um projeto de uma das turmas do CEI Patrícia Roman. E assim, os pequenos foram até a propriedade do agricultor Jaime, onde conheceram a plantação de cana e presenciaram a colheita. Também tiveram a oportunidade de provar a cana, a garapa, o açúcar mascavo, algo que muitos ainda não conheciam.
Um momento de saboroso conhecimento, pois acompanhando a origem do alimento, a escola busca ampliar a conscientização acerca de temas como alimentação saudável e o combate ao desperdício, conta a diretora Sinilda Dreyer. A educadora pontua que na escola a criança é a protagonista, e a partir da curiosidade dos alunos se abre um leque de possibilidades de projetos para serem trabalhados, de acordo com a faixa etária de cada turma. Muitos desses projetos, teóricos, práticos e lúdicos, envolvem a alimentação.