ENTRELINHAS DO ESPORTE - 29/05/2026 11:29 (atualizado em 29/05/2026 12:12)

Karolaini Tatiane de Campos Lamera: No tatame da vida, sonhos seguem vivos e se transformam em exemplo no judô

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Foto: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder

Estar com o kimono é carregar um símbolo de identificação, é se reconhecer lutadora. O tatame é um espaço de legado, mas também de recomeço. A faixa verde carrega uma trajetória e direciona para o trabalho da evolução. O judô, ah, o judô, é uma paixão, o esporte que ensinou Karolaini Tatiane de Campos Lamera a nunca desistir. Hoje, aos 27 anos, vivencia essa experiência a partir de novas perspectivas, sem deixar de se orgulhar da persistência mantida desde a infância.

Karolaini é natural de Porto Alegre, mas, aos 6 anos, sua família se mudou e chegou à Maravilha. Ela recorda que seus pais trabalhavam muito e sempre incentivaram os quatro filhos a conhecerem o esporte. Assim, junto das duas irmãs e do irmão, Karolaini se propôs a conhecer as modalidades esportivas proporcionadas pelo Poder Público no município. Após ingressar em diversos esportes, um despertou sua atenção: os golpes do judô, os quais até hoje descreve como uma obra de arte. 

Da curiosidade ao encantamento, iniciou os treinos aos 7 anos, mas até hoje não esquece do primeiro golpe que aprendeu: o Seoi Nage, conhecido como um dos golpes mais bonitos do judô, mas sua execução exige muita habilidade. Nele, o judoca gira o corpo, encaixa o adversário nas costas ou no ombro e usa o equilíbrio, a técnica e a força das pernas para fazer a projeção. Karolaini se dedicou a treiná-lo a ponto de ele se tornar um dos seus pontos mais fortes. “Com o Seoi Nage, venci muitas lutas por Ippon, que é a pontuação máxima no judô”.

Dos 7 aos 14 anos, a judoca aproveitou ao máximo a modalidade em Maravilha e, até hoje, se recorda dos ensinamentos do professor de judô, o Sensei Juliano Siebel. Participou de várias competições e conquistou mais de 60 medalhas nesse período. Além disso, acumulou vivências marcantes: conheceu muitos lugares, construiu amizades e viu o mar pela primeira vez. 

Para além dos pódios, os aprendizados no judô marcaram sua infância e seguem refletindo na trajetória de Karolaini. Foto: Arquivo pessoal

Nem só de vitórias vem seu aprendizado. Aos 12 anos, em um Meeting em Florianópolis, com possibilidade de vaga para a Seleção Catarinense, vivenciou um grande desafio no esporte. A jornada para se classificar para o Meeting já havia sido muito disputada e, portanto, Karolaini queria muito o ouro. Diante de um ginásio lotado e com o incentivo do Sensei Juliano, chegou à final. A decisão foi marcada por uma luta muito acirrada. Contudo, um segundo de desvio de foco, ao olhar para o lado, foi suficiente para a adversária encaixar um golpe e ficar com o título da competição. Apesar da tristeza do momento, nunca pensou em desistir.

Troca de faixa ao lado da irmã e do Sensei Juliano Siebel. Foto: Arquivo pessoal

Quando não teve mais acesso ao judô em Maravilha, tentou treinar em SMOeste, mas a logística não permitiu a continuidade dos treinos. Depois dos 14 anos, o esporte ficou marcado como lembrança. Ao longo de mais de 10 anos, muitas mudanças aconteceram em sua vida. Karolaini é muito ligada à família e vive ao lado do marido, Rodrigo Lamera, com quem tem três filhos: Marcos, de 9 anos; Mateus, de 6 anos; e Maria Helena, de 2 anos. Mas, profissionalmente, sentia um vazio ainda a ser preenchido. 

“Eu orava para Deus me direcionar”, determinação que fez com que não deixasse de lutar, mesmo que fora do tatame. No ano passado, quando teve a oportunidade de contribuir com os treinos de judô ofertados por meio da Secretaria de Esporte, Juventude e Lazer de Maravilha, não pensou duas vezes. Iniciou auxiliando o Sensei Juliano Siebel, professor que foi seu treinador na infância e por quem carrega muita admiração. 

A inspiração a levou a mais um passo significativo: iniciou a graduação em Educação Física, cursando bacharelado e licenciatura. Agora, atua como estagiária nos treinos. “Quero devolver tudo o que recebi”, agradece. Dentre as atividades, participa dos treinos para alunos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos de Maravilha. Ela, que também foi aluna no local durante a infância, afirma ser impossível não se identificar com as histórias. Por isso, segue dando o seu melhor em cada aula, destacando as oportunidades e as mudanças que o esporte pode provocar.

Maternidade

Destaca que a maternidade lhe dá ainda mais força para batalhar pelos seus sonhos. Além disso, vive um momento muito especial. Os filhos mais velhos nunca esconderam o orgulho da mãe judoca, assim, surgiu o interesse dos pequenos em acompanhar um treino, ainda no ano passado.

“Quando eles chegaram no tatame, eu vi no olhar deles o mesmo olhar que eu tive ao conhecer o esporte”. Ela conta que não pressionou, que foi algo genuíno, e hoje os dois treinam e se dedicam, inclusive já conquistaram muitas medalhas em pouco mais de um ano.

Foto: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder

“É lindo quando teu filho te olha e diz: ‘Sinto muito orgulho de você, mãe’. Saber que eu estou fazendo algo que orgulha eles”, conta emocionada. Karolaini tem a oportunidade de treiná-los e conta que já ensina seu golpe preferido para eles. Destaca também o importante apoio da família para viver este momento, especialmente do marido. 

“É um sentimento de muita alegria ver o Sensei Juliano Siebel, que foi meu professor na infância, treinando os meus filhos. E agora eu, como auxiliar, acompanhando a evolução deles, é minha maior medalha de ouro”, conta a judoca Karolaini. Foto: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder

Sonhos

Karolaini que não cultiva mais o sonho de ser campeã mundial ou olímpica como atleta, mas isso não significa que desistiu de competir. Pretende participar de competições na categoria Sênior e, quem sabe, reencontrar as adversárias da infância, com quem dividia o pódio e que hoje são Senseis no judô: Brenda Alpini e Viviane Silvério. 

A judoca não foge da luta: “Meus filhos ainda não me viram competir. Acho que o meu primeiro campeonato será em Maravilha”, revela. Outro objetivo é conquistar a faixa preta no judô, uma jornada que exige muita dedicação e disciplina. Hoje está na faixa verde e, neste ano, avançará para a roxa. Também deseja se formar na graduação de Educação Física, visando atuar no judô. 

“Quero continuar competindo, mas também ensinar e devolver para o esporte. É muito mais do que dar aula, é a formação de atletas para a vida. O judô carrega valores importantes, como disciplina, resiliência, foco e respeito”.

Além disso, destaca a importância de ações que valorizem o judô. Como inspiração, cita a judoca campeã mundial e olímpica Rafaela Silva. Agradece a todos que apoiam e contribuem para o esporte e convida a comunidade a conhecer o judô. 

Neste final de semana, se prepara para ir com a delegação de judocas de Maravilha para o Campeonato Estadual Sub-13 e a Copa Concórdia, compartilhando não apenas técnicas e golpes, mas também paixão e dedicação em prol do esporte.

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Fonte: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
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