
Estar com o kimono é carregar um símbolo de identificação, é se reconhecer lutadora. O tatame é um espaço de legado, mas também de recomeço. A faixa verde carrega uma trajetória e direciona para o trabalho da evolução. O judô, ah, o judô, é uma paixão, o esporte que ensinou Karolaini Tatiane de Campos Lamera a nunca desistir. Hoje, aos 27 anos, vivencia essa experiência a partir de novas perspectivas, sem deixar de se orgulhar da persistência mantida desde a infância.
Karolaini é natural de Porto Alegre, mas, aos 6 anos, sua família se mudou e chegou à Maravilha. Ela recorda que seus pais trabalhavam muito e sempre incentivaram os quatro filhos a conhecerem o esporte. Assim, junto das duas irmãs e do irmão, Karolaini se propôs a conhecer as modalidades esportivas proporcionadas pelo Poder Público no município. Após ingressar em diversos esportes, um despertou sua atenção: os golpes do judô, os quais até hoje descreve como uma obra de arte.
Da curiosidade ao encantamento, iniciou os treinos aos 7 anos, mas até hoje não esquece do primeiro golpe que aprendeu: o Seoi Nage, conhecido como um dos golpes mais bonitos do judô, mas sua execução exige muita habilidade. Nele, o judoca gira o corpo, encaixa o adversário nas costas ou no ombro e usa o equilíbrio, a técnica e a força das pernas para fazer a projeção. Karolaini se dedicou a treiná-lo a ponto de ele se tornar um dos seus pontos mais fortes. “Com o Seoi Nage, venci muitas lutas por Ippon, que é a pontuação máxima no judô”.
Dos 7 aos 14 anos, a judoca aproveitou ao máximo a modalidade em Maravilha e, até hoje, se recorda dos ensinamentos do professor de judô, o Sensei Juliano Siebel. Participou de várias competições e conquistou mais de 60 medalhas nesse período. Além disso, acumulou vivências marcantes: conheceu muitos lugares, construiu amizades e viu o mar pela primeira vez.

Nem só de vitórias vem seu aprendizado. Aos 12 anos, em um Meeting em Florianópolis, com possibilidade de vaga para a Seleção Catarinense, vivenciou um grande desafio no esporte. A jornada para se classificar para o Meeting já havia sido muito disputada e, portanto, Karolaini queria muito o ouro. Diante de um ginásio lotado e com o incentivo do Sensei Juliano, chegou à final. A decisão foi marcada por uma luta muito acirrada. Contudo, um segundo de desvio de foco, ao olhar para o lado, foi suficiente para a adversária encaixar um golpe e ficar com o título da competição. Apesar da tristeza do momento, nunca pensou em desistir.

Quando não teve mais acesso ao judô em Maravilha, tentou treinar em SMOeste, mas a logística não permitiu a continuidade dos treinos. Depois dos 14 anos, o esporte ficou marcado como lembrança. Ao longo de mais de 10 anos, muitas mudanças aconteceram em sua vida. Karolaini é muito ligada à família e vive ao lado do marido, Rodrigo Lamera, com quem tem três filhos: Marcos, de 9 anos; Mateus, de 6 anos; e Maria Helena, de 2 anos. Mas, profissionalmente, sentia um vazio ainda a ser preenchido.
“Eu orava para Deus me direcionar”, determinação que fez com que não deixasse de lutar, mesmo que fora do tatame. No ano passado, quando teve a oportunidade de contribuir com os treinos de judô ofertados por meio da Secretaria de Esporte, Juventude e Lazer de Maravilha, não pensou duas vezes. Iniciou auxiliando o Sensei Juliano Siebel, professor que foi seu treinador na infância e por quem carrega muita admiração.
A inspiração a levou a mais um passo significativo: iniciou a graduação em Educação Física, cursando bacharelado e licenciatura. Agora, atua como estagiária nos treinos. “Quero devolver tudo o que recebi”, agradece. Dentre as atividades, participa dos treinos para alunos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos de Maravilha. Ela, que também foi aluna no local durante a infância, afirma ser impossível não se identificar com as histórias. Por isso, segue dando o seu melhor em cada aula, destacando as oportunidades e as mudanças que o esporte pode provocar.
Destaca que a maternidade lhe dá ainda mais força para batalhar pelos seus sonhos. Além disso, vive um momento muito especial. Os filhos mais velhos nunca esconderam o orgulho da mãe judoca, assim, surgiu o interesse dos pequenos em acompanhar um treino, ainda no ano passado.
“Quando eles chegaram no tatame, eu vi no olhar deles o mesmo olhar que eu tive ao conhecer o esporte”. Ela conta que não pressionou, que foi algo genuíno, e hoje os dois treinam e se dedicam, inclusive já conquistaram muitas medalhas em pouco mais de um ano.

“É lindo quando teu filho te olha e diz: ‘Sinto muito orgulho de você, mãe’. Saber que eu estou fazendo algo que orgulha eles”, conta emocionada. Karolaini tem a oportunidade de treiná-los e conta que já ensina seu golpe preferido para eles. Destaca também o importante apoio da família para viver este momento, especialmente do marido.

Sonhos
A judoca não foge da luta: “Meus filhos ainda não me viram competir. Acho que o meu primeiro campeonato será em Maravilha”, revela. Outro objetivo é conquistar a faixa preta no judô, uma jornada que exige muita dedicação e disciplina. Hoje está na faixa verde e, neste ano, avançará para a roxa. Também deseja se formar na graduação de Educação Física, visando atuar no judô.
“Quero continuar competindo, mas também ensinar e devolver para o esporte. É muito mais do que dar aula, é a formação de atletas para a vida. O judô carrega valores importantes, como disciplina, resiliência, foco e respeito”.
Além disso, destaca a importância de ações que valorizem o judô. Como inspiração, cita a judoca campeã mundial e olímpica Rafaela Silva. Agradece a todos que apoiam e contribuem para o esporte e convida a comunidade a conhecer o judô.