Santa Catarina liderou o ranking de demissões voluntárias no Brasil em 2023. Dos 1,43 milhão de desligamentos registrados no Estado no ano passado, 646,6 mil foram feitos a pedido, ou seja, quando o trabalhador decide sair por conta própria. Sem considerar números absolutos, a proporção chega a 45,2%, o maior índice entre as unidades da federação.
O levantamento foi feito pela LCA Consultores a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os números (veja na tabela abaixo) indicam que, quanto menor a taxa de desocupação de um estado, maior o volume de desligamentos a pedido.
Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao terceiro trimestre de 2023, mostram Santa Catarina com uma taxa de desemprego de 3,6%. A menor do Brasil no período foi a do Mato Grosso (2,4%), que aparece na terceira posição (41,7%) do ranking de demissões voluntárias. A segunda colocação foi do Mato Grosso do Sul (43,8%), quarto na lista dos estados com menos desemprego (4%).
Na ponta de baixo, Bahia e Pernambuco são os estados onde o trabalhador menos pediu para sair – isso aconteceu só em 20,7% dos desligamentos registrados em 2023. Não por acaso, a dupla nordestina teve as piores taxa de desocupação no terceiro trimestre do último ano, com 13,3% e 13,2%, respectivamente.
Os números revelam que, via de regra, quanto mais aquecido o mercado de trabalho, mais o trabalhador se sente confortável em pedir demissão para buscar uma nova oportunidade profissional.
Perfil por idade
O levantamento da LCA também revela que as demissões a pedido diminuem conforme a idade do trabalhador avança. Entre as faixas etárias, o maior índice de desligamentos voluntários é entre profissionais entre 18 e 24 anos (39,5%). A partir dos 50 anos, a proporção já cai para 24,7%.
Estes dados também falam muito da atual dinâmica do mercado de trabalho. Com mais oportunidades, jovens se contentam menos com um único emprego e preferem a liberdade de explorar novas alternativas.
Grau de instrução
Outro indicador relevante do estudo é o nível de formação dos profissionais que pedem demissão voluntariamente. O desligamento solicitado é mais comum conforme o grau de instrução vai aumentando. O menor índice (24,2%) ocorre entre trabalhadores que não completaram sequer o quinto ano do ensino básico. Nos casos de quem já tem diploma (ensino superior para cima), o indicador sobe para 42%.