Alerta que vem das águas - 17/02/2024 11:08

Em 42 dias, SC registrou 37 mortes por afogamento

Nos ambientes de água doce, os índices de afogamento são maiores que no mar. Especialistas dão dicas de prevenção e destacam o respeito à sinalização
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Nos primeiros 42 dias da Operação Veraneio em Santa Catarina, 37 pessoas morreram afogadas. Na temporada passada (de 15 de outubro de 2022 a 26 de fevereiro de 2023), 89 pessoas perderam a vida por afogamento. Comparado o mesmo período desta temporada com a anterior, são apenas duas mortes a menos. Oficialmente, a operação encerra-se neste domingo (18), mas o Corpo de Bombeiros inclui a pós-temporada de verão. Com as altas temperaturas, a busca por praias, rios, piscinas e cachoeiras deve seguir.

Para especialistas, o risco de as pessoas se afogarem está no desconhecimento desses ambientes, na falta de respeito à sinalização e orientações dos bombeiros. Além dos exageros que tendem a tomar conta nos momentos de lazer, como o consumo de álcool.

Seja nas águas salgadas ou doces, o afogamento acontece por fatores que fogem do controle da pessoa que está se banhando nesses ambientes, por isso é fundamental não superestimar as suas capacidades. O alerta é do coronel Zevir Anival Cipriano Júnior, comandante da 1º Região Bombeiro Militar, área responsável pelo litoral catarinense, que concentra a maior parte da Operação Veraneio.

– Entre os perigos permanentes está a profundidade da água, que é um risco potencial e deixa a pessoa dependente apenas da sua habilidade de natação. Essa vulnerabilidade independe se a pessoa está na praia ou em um rio.

Nos ambientes de água doce (cachoeiras, lagos, lagoas, rios, represas e córregos) os índices de afogamento são maiores que em água salgada, avalia o especialista:

– As famílias que residem no interior, por exemplo, utilizam muito esses espaços para lazer nos dias de calor, mas infelizmente na maior parte das vezes desconhecem os riscos. Por isso, a indicação é que procurem espaços sinalizados ou mesmo com vigilância profissional e claro, jamais se aventurem, pois, podem ser surpreendidos e não conseguirem ser salvos – ressalta o coronel Zevir.

Para o militar, existem três pilares primordiais para se divertir em um ambiente aquático e diminuir o risco de as pessoas se afogarem: olhar as sinalizações e ter conhecimento do local, preparo e senso de autoprevenção.

Oceanógrafo alerta sobre correntes de retorno

Entre os perigos não permanentes, mas que são corriqueiros, estão as correntes de retorno. O oceanógrafo Argeu Vanz, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Ciram), explica que o fenômeno acontece quando depois de chegar à praia as ondas precisam voltar para o oceano. O evento que tecnicamente tem partes conhecidas como boca, pescoço e cabeça, puxa as pessoas para o mar.

Normalmente, no local não tem quebra de ondas e a água tem uma cor mais escura devido à maior profundidade e agito da sedimentos e mesmo areia do fundo.

– A primeira coisa que as pessoas precisam fazer quando chegam à praia, se monitorada pelo bombeiro, é olhar para as bandeiras vermelhas perpendiculares à praia (e não só para aquela pendurada no posto salva-vidas). Mas existe uma corrente mais traiçoeira, que às vezes começa na praia e fica longitudinal, quebrando em outro lugar – orienta Vanz.

Para o oceanógrafo, segue valendo a máxima: água sempre até o umbigo.

– As pessoas devem saber que uma corrente de retorno “anda” três metros por segundo, ou seja, nem um nadador olímpico consegue vencê-la. Além disso, o fundo oceânico não é perfeito como um assoalho, ele tem cava (buracos) e bancos. Pessoas que não conhecem o local precisam prestar atenção, principalmente crianças, mais vulneráveis, assim como idosos, e os jovens, que gostam de se aventurar – observa.

Com a experiência de quem conhece a realidade das praias, o oceanógrafo faz elogios ao trabalho de prevenção feito atualmente pelos bombeiros, que não ficam esperando as pessoas cair num buraco ou ser tragado pela água:

– O bombeiro, ao ver que a pessoa está se aproximando do perigo, vai de quadriciclo até o lugar e chama o banhista de volta. Com certeza, essa atitude tem salvado muito mais.

População precisa mudar comportamento

Os números de pessoas que se afogam em águas catarinenses têm chamado a atenção. Mas a situação seria muito pior sem ações dos bombeiros. Até o último dia 11, foram quase 3 mil salvamentos. Para se ter uma ideia, a cada 15 minutos uma pessoa é atendida pelo Corpo de Bombeiros Militar de SC.

Em 58 dias, de 16 de dezembro de 2023 a 11 de fevereiro deste ano, foram salvas 2.948 pessoas que estavam em situação de risco, sendo por arrastamento em correntes de retorno ou afogamentos no litoral catarinense. Mas os bombeiros alertam sobre a necessidade de uma mudança de comportamento das pessoas.

Um dos avisos é sobre a necessidade de evitar nadar sozinho. Em seguida, outro alerta que pelo desespero nem sempre é obedecido: não se deve tentar salvar pessoas em afogamento sem estar devidamente habilitado, ou seja, saber nadar. Só nesta temporada, cinco pessoas perderam a vida por tentarem salvar outras que estavam se afogando. Em casos assim, prefira lançar flutuadores para salvar pessoas ao invés da ação corpo a corpo.

É preciso confiar também no guarda-vidas civil voluntário (GVCV) que atua no litoral catarinense durante a Operação Veraneio. Esses profissionais passam por curso de certificação para trabalhar em ambientes aquáticos. Todos atuam sob a supervisão dos militares do Corpo de Bombeiros Militares de Santa Catarina (CBMSC). Os cursos preparatórios incluem questões sobre sinalização de praia, orientações para os banhistas, sinais sonoros (apito).

Já os testes de aptidão física são atualizados rotineiramente, seguindo o padrão internacional de salvamento aquático e proporcionam que o GVCV realize provas que simulam a rotina de trabalho e capacitado para realizar atendimento pré-hospitalar (APH). Outro fator destacado pelo comando dos bombeiros de SC são as ações de prevenção realizadas: quase 10 milhões.

Mais de 6,2 mil crianças foram formadas no projeto Golfinho, que completou 25 anos em janeiro e já formou cerca de 100 mil crianças. O programa inclui atividades educativas em segurança de praias, oferecido durante a temporada, e são trabalhados aspectos de prevenção e conscientização sobre os perigos do mar, cidadania e meio ambiente com meninos e meninas de sete a 14 anos.

Fonte: NSC
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