Saúde do Ex-Presidente - 07/01/2026 15:58

CFM determina sindicância sobre falta de assistência médica a Bolsonaro

Conselho Federal de Medicina afirmou ter recebido denúncias formais relacionadas à garantia de "assistência médica adequada" ao ex-presidente, que cumpre prisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília
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Foto: Antonio Augusto/STF

O CFM (Conselho Federal de Medicina) determinou nesta quarta-feira (7) ao CRM-DF (Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal) a instauração de uma sindicância para apurar denúncias relacionadas à garantia de assistência médica adequada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo nota divulgada pelo Conselho (leia a íntegra abaixo), "declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas" envolvendo o ex-chefe do Planalto "causam extrema preocupação à sociedade brasileira".

Na madrugada de terça-feira (6), Bolsonaro sofreu uma queda e bateu a cabeça em sua cela na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Brasília, onde cumpre prisão após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por participar de um plano de golpe de Estado no país.

Após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), Bolsonaro foi levado ao Hospital DF Star na manhã desta quarta-feira para a realização de exames médicos.

O comunicado do CFM também ainda os problemas de saúde enfrentados pelo ex-presidente, que se recupera de novas intervenções cirúrgicas em decorrência da facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018.

"O CFM reafirma que a autonomia do médico assistente deve ser soberana na determinação de conduta terapêutica, não podendo sofrer influências de qualquer natureza, por possuir presunção de verdade", destaca o CFM.

O Conselho Federal de Medicina é presidido desde 2022 pelo ginecologista e obstetra José Hiran da Silva Gallo que, em diversas ocasiões, demonstrou publicamente apoio a Bolsonaro.

Moraes negou transferência imediata de Bolsonaro a hospital

Na tarde de ontem, o ministro Alexandre de Moraes negou a transferência imediata de Bolsonaro ao hospital. Na ocasião, o magistrado entendeu não haver necessidade de remoção do ex-presidente. Segundo despacho, a PF (Polícia Federal) deveria apresentar ao STF o laudo médico realizado pelos médicos da corporação.

Como mostrou a CNN Brasil, a PF enviou o laudo médico a Moraes ainda na tarde de ontem. De acordo com o documento, Bolsonaro apresentou sinais de ter caído da cama durante a noite. O relatório descreve ainda lesão superficial no rosto e a presença de sangue.

Bolsonaro tem sinais de apatia e tontura, diz médico

Na noite de terça-feira, o cardiologista Brasil Caiado, que acompanha o ex-presidente, disse à imprensa que Bolsonaro apresentava sinais de apatia, tontura e uma queda na pálpebra esquerda.

"Fiz uma última avaliação no presidente agora, ele estava apático, uma leve queda na pálpebra esquerda, com a pressão normalizada e com sinal de tontura. Sem dor. O próximo é aguardar a liberação para a realização dos exames e imediatamente nos deslocarmos para o hospital, que está de prontidão para recebê-lo", relatou Caiado.

Leia a íntegra da nota do CFM

"O Conselho Federal de Medicina (CFM), no estrito cumprimento de suas atribuições legais, manifesta-se sobre a condição de saúde do ex-Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.
O recebimento formal de denúncias protocoladas no CFM expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada ao paciente. Além disso, declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas causam extrema preocupação à sociedade brasileira.
Os relatos de crises agudas de características diversas, episódio de trauma decorrente de queda, o histórico clínico de alta complexidade, sucessivas intervenções cirúrgicas abdominais, soluços intratáveis, e outras comorbidades em paciente idoso, demandam um protocolo de monitoramento contínuo e imediato, em que deve ser assegurada assistência médica com múltiplas especialidades pelo estado brasileiro, inclusive em situações de urgência e emergência.
O CFM reafirma que a autonomia do médico assistente deve ser soberana na determinação da conduta terapêutica, não podendo sofrer influência de qualquer natureza, por possuir presunção de verdade.
Em obediência ao disciplinado em lei e ao Código de Processo Ético-Profissional, o CFM determinou ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, a imediata instauração de sindicância para apuração dos fatos."

Fonte: CNN
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